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O que está no topo da 'lista de prioridades' de cada equipe da F1?

Pausa inesperada deu a cada equipe a oportunidade de se concentrar em realizar melhorias mais urgentes

Race start

Autosport

Content from Autosport

Ao contrário das pausas de meio e fim de ano da Fórmula 1, não há regras que impeçam as equipes de dar continuidade aos trabalhos de desenvolvimento durante o intervalo inesperado de abril, causado pelo cancelamento das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita.

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Portanto, cada equipe tem trabalhado arduamente, seja na sede ou na pista, para resolver seus problemas mais urgentes, sejam eles relacionados ao carro, ao motor, ao software ou a operação.

Até mesmo os pilotos estão encontrando maneiras de se manter em forma durante o intervalo de cinco semanas entre o GP do Japão e a prova de Miami, que retoma a temporada no fim de semana de 3 de maio.

Enquanto alguns times puderam manter seus cronogramas de desenvolvimento, preparados apesar da falta de corridas, outras aproveitaram a oportunidade para fazer ajustes a tempo para Miami — algo raramente possível no calendário normal da F1, com etapas a cada uma ou duas semanas.

Veja a seguir em que cada equipe de F1 tem se concentrado antes do reinício da temporada.

Mercedes

No papel, a tarefa é simples: manter a vantagem sobre o resto do pelotão. O início avassalador da Mercedes na nova era levou a equipe a vencer os três GPs e a corrida de sprint na China antes do intervalo, proporcionando uma diferença confortável desde cedo tanto no campeonato de pilotos quanto no de construtores.

Mas o chefe Toto Wolff já alertou contra a complacência, considerando o mês de desenvolvimento aberto a todas as equipes. Portanto, a equipe buscará fazer o mesmo para manter sua vantagem sobre o pelotão.

Individualmente, os dois pilotos buscarão melhorar suas largadas, mas haverá ênfase extra no líder do campeonato, Kimi Antonelli, já que ele teve largadas ruins em todas as etapas. O italiano chegou a pedir que seu volante e suas configurações fossem entregues em sua casa para que ele pudesse definir um sistema ideal com as configurações e os controles da embreagem.

Charles Leclerc, Ferrari, George Russell, Mercedes

Charles Leclerc, Ferrari, George Russell, Mercedes

Foto: Andrew Caballero-Reynolds / AFP via Getty Images

Ferrari

A Scuderia entrou no intervalo afirmando que seu objetivo era melhorar todas as áreas do carro, mas não quis entrar em muitos detalhes sobre quais peças específicas seriam o foco. Portanto, as atualizações em Miami revelarão quais são as principais áreas de melhoria identificadas pela equipe italiana e onde soluções rápidas podem ser implementadas, seja com desenvolvimentos já testados ou peças que já estão sendo atualizadas.

“Temos muitas coisas a melhorar”, disse Fred Vassuer no Japão. “Após três corridas, temos bons dados para entender a competitividade do carro, onde estamos mais ou menos bem e onde não estamos. Isso significa que o desempenho vem de todas as partes, mas precisamos dar um passo adiante em cada uma das áreas”. 

Fundamentalmente, o ritmo de corrida tem sido a maior fraqueza da Ferrari em relação à Mercedes e, as largadas, a principal força. 

McLaren

A atual campeã mundial sempre planejou que seu primeiro grande pacote de atualizações chegasse em Miami, ao contrário de alguns rivais que miravam as corridas do Oriente Médio, portanto seu programa de desenvolvimento permanece inalterado.

No entanto, a McLaren ainda está tentando otimizar tanto o chassi, por meio da configuração, quanto o funcionamento da unidade de potência, tendo visto que a Mercedes tem uma clara vantagem nas etapas iniciais. O time de Woking fez um bom progresso com a unidade de potência no Japão, evidenciado pela recuperação de Oscar Piastri até o segundo lugar e atualizações darão à equipe uma dose de otimismo para diminuir a diferença em relação à Mercedes.

“Acho que esse progresso vem do fato de que estamos tirando um pouco mais do chassi por meio da configuração”, disse Andrea Stella. “Mas, principalmente, estamos tirando mais proveito da unidade de potência. É positivo que na classificação estejamos lá com a Ferrari, mas a Mercedes ainda está um passo à frente. Sabemos que temos que melhorar o carro e, acima de tudo, temos que trazer algumas atualizações”. 

Charles Leclerc, Ferrari, Oscar Piastri, McLaren, Lando Norris, McLaren

Charles Leclerc, Ferrari, Oscar Piastri, McLaren, Lando Norris, McLaren

Foto: Lars Baron / LAT Images via Getty Images

Haas

O time americano teve um dos melhores inícios de temporada em relação às suas metas, considerando que é a menor equipe do grid e ocupa a honrosa quarta posição no campeonato de construtores. Manter essa posição será um enorme desafio, especialmente com equipes como a Red Bull e a Alpine apenas dois pontos atrás e com mais recursos em instalações e equipamentos ou mais tempo para desenvolver através das escalas variáveis de testes aerodinâmicos permitidas pelas regras.

Com a unidade de potência da Ferrari e dois pilotos consistentes, a Haas buscará acompanhar a corrida de desenvolvimento para igualar (e quem sabe expandir) o impressionante início de 2026.

“Acho que não poderíamos ter imaginado um começo de temporada melhor, mas agora o verdadeiro desafio é essa guerra de desenvolvimento”, disse Ayao Komatsu antes do GP do Japão. “Mais uma vez, sendo a menor equipe, estamos em desvantagem, mas acho que, desde que mantenhamos nosso foco, continuemos trabalhando juntos e tenhamos esse diálogo aberto e transparência, podemos desenvolver o carro”. 

Mas Komatsu não escondeu o fato de que a pausa chegou na hora errada para a Haas, dado seu ímpeto inicial e a vantagem obtida neste período antes que os rivais resolvessem os próprios problemas.

“Eu preferia ter tido essas duas corridas [no Bahrein e na Arábia Saudita], porque estamos em um bom momento e temos um carro forte”, disse ele. “Nos testes no Bahrein ficamos muito satisfeitos com o carro, então espero que sejamos fortes lá e, em Jeddah, acho nossos pilotos são muito fortes. Então, de um ponto de vista egoísta, é um pouco triste não podermos manter esse ímpeto, mas, ao mesmo tempo, a carga de trabalho, física e mental, para colocar o carro em funcionamento em Fiorano e Barcelona tem sido enorme. Depois, viemos sem parar para os testes no Bahrein, resolvendo os problemas, nos preparando para Melbourne, Xangai e aqui [Suzuka]".

“Sinto que podemos usar esse tempo para maximizar, para fortalecer a base, de modo que estejamos muito mais bem preparados quando estivermos nos preparando para Miami", continuou. 

Pierre Gasly, Alpine

Pierre Gasly, Alpine

Foto: Andy Hone/ LAT Images via Getty Images

Alpine

Após seu impressionante início na nova era, tendo feito uma transição relativamente bem-sucedida para os motores da Mercedes, a Alpine está focada em extrair o máximo tanto do carro quanto do pacote de unidade de potência, sem se concentrar excessivamente em um item específico.

Pierre Gasly chamou-o de “o melhor carro que já tive na carreira”, ao lado de seu AlphaTauri 2021, e será uma figura-chave na liderança do desenvolvimento do A526 para acompanhar o ritmo na disputa do meio do pelotão.

Isso será vital para manter a disputa pelo quarto lugar contra a Red Bull. “Foi mais um fim de semana positivo para a equipe, com mais uma boa pontuação para somar nesta fase inicial da temporada”, disse Flavio Briatore após o GP do Japão. “Repetir isso em uma configuração de pista diferente como a de Suzuka confirma os ganhos que obtivemos em Xangai e mostra que estamos na briga com a Red Bull como o quarto carro mais rápido”. 

Red Bull

Ter todo o potencial e apresentar atualizações eficazes em Miami será fundamental para a Red Bull, a fim de redescobrir o ritmo mais forte mostrado na Austrália em comparação com a China e o Japão. Em termos simples, o time austríaco precisa entregar um carro competitivo para acalmar as frustrações de Max Verstappen. “Tenho certeza de que, quando lhe dermos um carro rápido, ele será um Max muito mais feliz”, falou Laurent Mekies, no Japão. 

Embora a ira do tetracampeão esteja voltada para as novas regras, não para a equipe, não há dúvida de que um carro mais competitivo contribuiria para sua felicidade. Se isso seria suficiente para influenciar sua decisão sobre o futuro é uma questão totalmente diferente.

Tanto Verstappen quanto Isack Hadjar apontaram o carro da Red Bull como o principal ponto para obter ganhos, tendo ficado agradavelmente surpresos com a estreia do motor desenvolvido internamente pela equipe e apoiado pela Ford em comparação com a concorrência. Assim, encontrar uma configuração e um equilíbrio satisfatórios é a prioridade.

“Vamos usar a pausa para dar um grande passo à frente”, explicou Mekies. “Precisamos de tempo para analisar nossos dados em profundidade. Para simular no túnel de vento e no nosso simulador o que vemos nos dados. Testar algumas sensibilidades e tudo o que podemos fazer sem correr".

“Isso significa que você chega a Miami e já resolveu tudo como por milagre? Não. Mas estou confiante de que as equipes chegarão ao fundo dessa compreensão e começarão a trazer melhorias já em Miami? Acho que é isso que vocês verão. Porém, somente a pista e o tempo de volta nos darão uma indicação se estamos indo na direção certa", completou. 

Nico Hulkenberg, Audi F1 Team, Arvid Lindblad, Racing Bulls

Nico Hulkenberg, Audi F1 Team, Arvid Lindblad, Racing Bulls

Foto: Lars Baron / LAT Images via Getty Images

Racing Bulls

Ao contrário da 'irmã', a Racing Bulls encontrou um ajuste confortável para os dois pilotos com o nível básico do VCARB 02 e se concentrará em entregar atualizações com uma integração igualmente perfeita para subir na hierarquia.

Arvid Lindblad teve um início de carreira na F1 sem problemas, já tendo alcançado o Q3 e marcando pontos em sua estreia na Austrália, enquanto o Liam Lawson também está recuperando a forma com pontos consecutivos na China e no Japão. Portanto, será mais do mesmo para a equipe italiana, auxiliada pelas atualizações que poderá apresentar em Miami.

Audi

Em sua primeira temporada de F1, a Audi reconhece abertamente o longo caminho até atingir o nível de times já estabelecidos. A avaliação tem se mostrado correta, já que a unidade de potência da marca alemã carece de gerenciamento eficiente de energia e da capacidade de disparar na largada.

Para enfatizar esse ponto, entre Nico Hulkenberg e Gabriel Bortoleto, a equipe perdeu 26 posições durante a primeira volta nas três primeiras etapas – uma estatística um tanto 'amenizada' pelos dois DNS (Não largadas) do time, os quais eliminaram duas oportunidades de ganhar, ou mais provavelmente, perder ainda mais posições. 

Foi adotada uma abordagem pragmática, com o chefe de projeto da Audi, Mattia Binotto, ciente do déficit e de como a equipe pretende resolvê-lo. No entanto, devido às regras da unidade de potência, não é provável que haja uma solução rápida para combater os problemas em Miami, então será uma recuperação gradual.

“Temos um plano para nos recuperarmos. Não podemos fazer milagres, mas estamos aqui para ter planos adequados para lidar com a situação e melhorar no futuro”, disse Binotto.

Carlos Sainz, Williams

Carlos Sainz, Williams

Foto: Sam Bloxham / LAT Images via Getty Images

Williams

Uma das maiores decepções em relação às expectativas no início de 2026, a Williams tem um plano de redução de peso e atualização do carro que precisa cumprir em sua tentativa de manter a trajetória ascendente observada nos últimos dois anos. Portanto, o foco está puramente nas atualizações, seja por meio de desempenho ou especificações, para permitir que Carlos Sainz e Alex Albon tenham uma ferramenta mais afiada para lutar no meio do pelotão. 

A Williams também está trabalhando para utilizar plenamente a potente unidade de potência da Mercedes, mas essa é uma meta compartilhada com equipes como a McLaren e a Alpine, que também são clientes da fabricante alemã.

Cadillac

Sempre seria uma tarefa difícil para a Cadillac ser competitiva instantaneamente na F1 partindo do zero e, embora a equipe não tenha se desonrado nas três primeiras etapas, há muito espaço para melhorias. No entanto, escolher um tópico para colocar no topo de sua lista de tarefas é mais difícil do que para a maioria das equipes, dado o vasto potencial que ela tem para melhorar em todas as áreas.

O desenvolvimento tem sido um dos pontos em que seus pilotos têm se concentrado e, como Miami será seu primeiro teste de verdade das atualizações, é provavelmente por aí que a equipe precisa começar. Mas, como tudo o mais que a Cadillac enfrentou desde seus primeiros dias, há uma jornada rumo ao desconhecido, dada a falta de conhecimento sobre a correlação entre o túnel de vento e os testes em pista para novas peças.

“Desenvolver significa superar nossos rivais, o que é algo bastante difícil de se fazer na F1”, resumiu Sergio Pérez. “Esse é o maior desafio que a Cadillac, como equipe, enfrenta. Mas acredito que temos uma boa estrutura, a equipe está em uma boa posição e, com sorte, quando começarmos a desenvolver, poderemos dar passos significativos”. 

Valtteri Bottas, Cadillac Racing, Lance Stroll, Aston Martin Racing

Valtteri Bottas, Cadillac Racing, Lance Stroll, Aston Martin Racing

Foto: Andy Hone/ LAT Images via Getty Images

Aston Martin

A lista de tarefas da Aston Martin é longa. Muito longa. Mas começar pela confiabilidade de todo o seu pacote de unidade de potência e como ele se integra à caixa de câmbio e ao chassi é a meta número um para que a equipe consiga acumular a quilometragem essencial de que precisa para ver onde se situa em relação à concorrência e, portanto, quais áreas precisam de mais atenção.

Considerando que a equipe conseguiu terminar apenas uma corrida nas três primeiras etapas do campeonato, o verdadeiro potencial do carro ainda não foi totalmente compreendido, mesmo que esteja claro que ele tem um motor pesado, com baixa potência e fraca resposta.

Mas, em vez de se dispersar demais, mesmo com seus recursos consideráveis no campus de Silverstone e nas instalações da Honda em Sakura, produzir um carro que seja confiável e consiga completar a distância de uma corrida de forma consistente é o início de um longo caminho para a recuperação.

MOLINA é ENFÁTICO sobre momento CAÓTICO da F1, além de motores, Hamilton, Verstappen, Bortoleto e +

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