OPINIÃO: F1 prova que transmissão 'estilo Cazé TV' não é a única forma de chegar ao público jovem
'Case' da maior categoria do automobilismo mundial mostra que não há uma receita única para alcançar o público jovem consumidor
Foto de: Hector Vivas / Formula 1 via Getty Images
A Copa do Mundo de futebol será histórica, independentemente do campeão que será conhecido no dia 19 de julho. A edição de 2026 marca uma nova forma de acompanhar as partidas, com a consolidação do streaming como plataforma de consumo do torneio mais importante do esporte mundial.
A maior beneficiada por esse movimento é a Cazé TV, que conseguiu se tornar o único veículo a transmitir todos os jogos do Mundial, deixando para trás gigantes como Globo e SBT, que exibem apenas partidas selecionadas.
Ou seja, aquele público que gosta de futebol — ou apenas da Copa do Mundo — teve de se deparar com um estilo de cobertura que vem consagrando o canal no YouTube, o que gerou discussões acaloradas nas redes sociais entre os que amam e os que odeiam esse formato. Como acontece com quase tudo hoje em dia, não há meio-termo nessas plataformas de debates digitais.
Gritos em lances que nem sempre são tão emocionantes ou decisivos, contagem de inscritos ao vivo, propagandas consideradas invasivas durante os jogos e um estilo mais despojado de apresentação — deixando definitivamente de lado ternos e gravatas — são algumas das principais características apontadas por críticos desse modelo de transmissão.
Mas o que isso tem a ver com o esporte a motor, razão da existência deste portal? Muita coisa.
Assim como a Cazé TV, a Fórmula 1 também possui um 'case' de sucesso. Desde a chegada da Liberty Media, a principal categoria do automobilismo mundial passou por um processo de modernização, ganhou um perfil mais jovem e ampliou significativamente seu público feminino. Diversas pesquisas realizadas na última década apontam esta direção.
O mais interessante é que a F1 conseguiu atingir o público jovem sem necessariamente recorrer aos mesmos recursos que hoje incomodam parte do público que passou a acompanhar a Cazé TV no futebol.
A discussão aqui não é sobre preferência pessoal. As transmissões de Globo, SporTV e até mesmo do Grupo Bandeirantes, responsável pela F1 no Brasil entre 2021 e 2025, estão longe de seguir o chamado 'estilo Cazé TV'. Ainda assim, o resultado prático é semelhante: ambas conseguem alcançar o público mais jovem, embora por caminhos diferentes.
A origem do fenômeno da F1 não está no Brasil. Como já citado, ele começou com a gestão da Liberty Media, especialmente com a maior abertura da categoria nas redes sociais e com o sucesso da série 'Drive to Survive'. O Brasil importou essa transformação, mas que não transformou a forma de transmitir a categoria no País.
Mas como será no futuro?
Segundo fontes do mercado do marketing esportivo, o perfil de quem consome transmissões esportivas por streaming está mudando.
O público, naturalmente, envelhece. Além disso, com a acessibilidade cada vez maior, pessoas que faziam questão de assistir a tudo pela televisão estão migrando gradualmente para o streaming para acompanhar o esporte.
Partindo da lógica, um público acima dos 40 anos, moldado pelo estilo tradicional da TV, está chegando em peso. Nesta Copa do Mundo, existe um choque de formatos, mas um equilíbrio nos próximos anos tende a se tornar realidade, com uma mistura entre a empolgação exagerada de alguns momentos e uma transmissão mais sóbria e tradicional.
E quanto à F1 e a outras categorias? A tendência é de manutenção do cenário atual por um bom tempo, demonstrando que é possível conquistar e manter o público jovem mesmo com uma transmissão tida mais tradicional.
As mudanças na principal categoria do automobilismo mundial podem acontecer em outros campos, como nas redes sociais, na renovação de ídolos, na constante evolução dos carros e no próprio espetáculo oferecido ao público.
Mas esse já é um outro assunto para outras discussões.
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