Para além do motor: equipes aproveitam pausa da F1 para 'desvendar' asa dianteira
Com introdução da aerodinâmica ativa, 'setor' tem papel fundamental no fluxo de ar dos carros
Foto de: Getty Images
As quatro semanas sem Fórmula 1 deram às equipes a oportunidade de se aprofundar em um dos temas mais delicados deste início de temporada: a asa dianteira. Entre aerodinâmica ativa, diferenças entre as unidades e a busca por consistência, a pausa se tornou uma chance para um trabalho focado na parte dianteira, com algumas equipes tendo até mesmo iniciado um projeto específico.
Para algumas equipes, essa pausa forçada pode ser interpretada de duas maneiras. Por um lado, há a oportunidade de aprofundar dados e cenários que, com um calendário tão apertado, muitas vezes recebem menos atenção. Por outro lado, porém, permanece um certo pesar, quem começou bem teria preferido voltar imediatamente às pistas para capitalizar o ímpeto e consolidar sua performance.
No entanto, antes de nos projetarmos muito para o futuro, é interessante observar o que as equipes realmente analisaram durante estes dias. Entre os temas que receberam maior atenção, destaque para a asa dianteira, componente que, neste início de temporada, revelou-se particularmente sensível e determinante para o desempenho geral.
A forma do chassi tem implicações profundas em todo o carro, sobretudo devido ao volume que ocupa e ao tipo de suspensão dianteira adotada, pois cada escolha altera os fluxos que alimentam a traseira. O mesmo vale para o aerofólio dianteiro, uma área em que se esperam muitas novidades e que terá um papel central no comportamento aerodinâmico geral.
Em comparação com 2025, a asa dianteira mudou significativamente, tanto na filosofia de projeto quanto na função, pois ela é aberta com maior frequência para reduzir o arrasto aerodinâmico nas retas. Justamente por isso, este setor será um dos que se espera o maior número de novidades ao longo da temporada.
Antes de chegar à versão definitiva, cada equipe avaliou dezenas de conceitos cientes do papel central que esse componente terá na gestão dos fluxos ao longo do carro. Também por isso, durante a pausa, os engenheiros dedicaram muito tempo à análise aprofundada dos dados de cada configuração, podendo realizar avaliações mais detalhadas do que no ritmo normal de corrida.
Alerão dianteiro de Gabriel Bortoleto, Audi F1 Team
Foto de: Marcel van Dorst / EYE4images / NurPhoto via Getty Images
“Pudemos trabalhar em alguns aspectos que ficaram claros após as primeiras corridas. Até o momento, ainda há muito potencial a ser explorado nesses carros, que ainda são bastante imaturos do ponto de vista do desenvolvimento. E já vimos um bom exemplo disso”, explica Hoagy Nidd, chefe de engenharia de carros da Haas.
“Em Suzuka, introduzimos uma atualização na parte dianteira. Uma intervenção relativamente pequena, a primeira do ano, mas percebemos que hoje é um componente extremamente sensível para o desempenho. E com a aerodinâmica móvel que usamos agora, o desafio é garantir que a asa funcione de maneira consistente, tanto entre diferentes especificações quanto entre diferentes sessões, mesmo usando a mesma configuração”.
Pode parecer um detalhe secundário, quase paradoxal, porque a forma de construir as asas não mudou. No entanto, neste início de temporada não faltaram casos de pilotos que reclamaram de um comportamento pouco constante da parte dianteira. Um exemplo é Franco Colapinto, que na China havia sinalizado que algo não havia funcionado no seu Alpine A526 justamente nesse aspecto.
Williams FW48, detalhe da asa dianteira
Foto de: AG Photo
De fato, como explicou Nidd, as medições nem sempre são idênticas e, às vezes, mesmo com a mesma especificação, podem surgir pequenas diferenças de construção entre uma asa e outra. O objetivo é garantir um comportamento o mais constante possível, evitando variações significativas no equilíbrio. Justamente por esse motivo, na Haas, por exemplo, durante o intervalo foi estabelecido um programa específico dedicado a esse tema.
“Iniciamos, portanto, um projeto específico para analisar esse aspecto, estudar a cinemática do sistema e entender como garantir que sempre ofereçamos o mesmo desempenho ao piloto, pois, em última análise, é nossa ferramenta de equilíbrio no carro. Ela determina a sensação na entrada da curva. É um elemento de enorme potência”.
Considerando que, a partir deste ano, as equipes também dispõem de aerodinâmica ativa, uma parcela significativa do desempenho geral passa pela asa dianteira por diversas razões. Um aspecto crucial é garantir um comportamento constante nas fases de abertura e fechamento, sobretudo na frenagem, de modo a evitar reações inesperadas. Não é por acaso que vários pilotos preferem fechar a asa com alguma antecedência em relação à frenagem.
Detalhe do Haas VF-26
Foto de: Getty Images
De maneira mais geral, porém, poucos cliques podem fazer uma diferença significativa em carros que hoje têm uma traseira mais nervosa do que no passado, tanto pela redução da carga aerodinâmica e da aderência mecânica, quanto porque o componente elétrico tende a fornecer mais torque de forma imediata.
“Constatamos que, neste início de temporada, mesmo diferenças mínimas talvez sejam mais evidentes. Imagino que isso possa ser uma consequência da menor carga total do carro, variações muito pequenas nas diferentes configurações tornam-se mais perceptíveis."
"Por isso, levamos adiante um projeto bastante abrangente e ainda em andamento, com o objetivo de garantir que o piloto tenha sempre a mesma sensação, independentemente do aerofólio dianteiro que utilize.”
MOLINA é ENFÁTICO sobre momento CAÓTICO da F1, além de motores, Hamilton, Verstappen, Bortoleto e +
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