Por que um GP de F1 tem 305 km de extensão? Veja como as regras de distâncias mudaram ao longo dos anos
Após a aprovação da mudança da duração das corridas em 2027 de 305 para 290km, veja como a F1 lidou com isso em sua história
Tradicionalmente, um GP de Fórmula 1 tem 305 quilômetros de extensão. Ou, mais precisamente, uma corrida tem o número mínimo de voltas para ultrapassar os 305km de duração. Mas, em 2027, essa regra mudará, com o regulamento reduzindo o total para 290km.
A mudança, motivada pelo regulamento técnico da categoria e a maior ênfase no motor de combustão interna contra a potência elétrica, é temporária, mas chama a atenção e nos faz refletir sobre como a regra de duração das corridas foi alterada ao longo dos anos.
Além dos 305km, a duração de uma corrida sob bandeira verde não pode ultrapassar duas horas corridas. Caso a prova seja suspensa, o tempo total, incluindo a interrupção, não pode passar de três horas.
Mas isso nem sempre foi padronizado. Durante as primeiras décadas, algumas corridas tinham quase o dobro da duração. Por isso, retomamos um pouco dessa história!
Década de 1950: corridas de até 500 quilômetros
Quando o Mundial de Fórmula 1 começou, em 1950, não havia uma distância padrão para as corridas. Os organizadores tinham ampla liberdade para determinar a duração de seus próprios eventos, o que resultou em uma variação considerável.
A primeira corrida da história, Silverstone-1950, teve 70 voltas e 325 quilômetros. O vencedor, Nino Farina, completou a prova em 2 horas e 13 minutos. Na etapa final da temporada em Monza, por outro lado, Farina correu 80 voltas e cerca de 504 quilômetros. Ele ficou ao volante por quase três horas.
Ainda mais longa foi a 500 Milhas de Indianápolis, que fez parte do calendário da F1 de 1950 a 1960. Com 200 voltas e 805 quilômetros, continua sendo a corrida com o maior número de voltas e a maior distância na história do Mundial.
1958: A primeira grande redução
Em 1958, a entidade reguladora introduziu restrições importantes. As distâncias das corridas foram fixadas entre 300 e 500 quilômetros, com duração máxima de duas horas.
Nos anos seguintes, a maioria dos GPs cobria entre 300 e 400 quilômetros. Depois, foi introduzido um máximo de 400 quilômetros de duração.
1971: Máximo de 322 quilômetros
Jacky Ickx, Ferrari 312B2
Foto: Rainer Schlegelmilch / Getty Images
Para a temporada de 1971, a distância máxima de corrida foi reduzida de 400 para cerca de 322 quilômetros. Consequentemente, as corridas ficaram visivelmente mais curtas.
Um exemplo extremo ocorreu naquela mesma temporada. O GP da Alemanha, no inferno verde de Nordschleife, durou apenas 12 voltas. Com o circuito medindo quase 23 quilômetros, esse continua sendo o menor número de voltas em uma corrida do Mundial concluída regularmente.
Durante as décadas de 1970 e 1980, a maioria das corridas ficou em torno de 300 a 320 quilômetros.
1989: O padrão de 305 quilômetros
Em 1989, a distância da corrida foi padronizada para um mínimo de 305 quilômetros. O objetivo era garantir que uma corrida pudesse ser concluída em menos de duas horas.
Desde então, cada GP tem consistido no número mínimo de voltas necessário para que a distância total ultrapasse ligeiramente os 305 quilômetros. O princípio básico permanece em vigor até hoje.
Em 2026, por exemplo, isso significa 44 voltas em Spa-Francorchamps, onde o circuito tem mais de sete quilômetros de extensão. Baku tem 51 voltas e Sepang, 56. Mônaco tem o maior número de voltas: 78. Porém, o Principado é uma exceção à regra.
Por que Mônaco tem apenas 260 quilômetros?
Foto: Filip Cleeren
Mônaco é o único circuito onde a regra dos 305 quilômetros não se aplica. A corrida no Principado tem 78 voltas e cerca de 260 quilômetros.
O motivo é a velocidade. O circuito de rua tem apenas 3,337 quilômetros de extensão, além de ser estreito e sinuoso. As velocidades médias são consideravelmente mais baixas do que em outros circuitos.
Percorrer mais de 305 quilômetros em Mônaco poderia resultar em uma corrida muito longa devido à baixa velocidade média. É por isso que Mônaco tem uma distância mínima de corrida de 260 quilômetros.
Canadá 2011: A corrida mais longa da Fórmula 1 até hoje
Por muitos anos, havia apenas um limite de duas horas para o tempo efetivo de corrida. Não havia nenhuma regra que determinasse quanto tempo uma corrida poderia durar, levando em conta as interrupções. Isso mudou após o GP do Canadá de 2011 .
Uma forte chuva interrompeu a corrida em Montreal por cerca de duas horas. Jenson Button acabou vencendo após uma espetacular recuperação, tendo chegado a estar em último lugar na prova. A duração oficial da corrida foi de 04h04min39s537, tornando-a a prova mais longa da história da Fórmula 1.
A FIA reagiu rapidamente. A partir de 2012, uma corrida, incluindo interrupções, não poderia durar mais do que quatro horas. O limite de duas horas para o tempo efetivo de corrida permaneceu em vigor. Para a temporada de 2021, o limite total foi reduzido para três horas, independente da situação.
Bélgica 2021: O GP mais curto e as novas regras de pontuação
Foto: Erik Junius
A F1 viveu o extremo oposto em Spa-Francorchamps em 2021. A chuva persistente fez com que o pelotão circulasse apenas atrás do Safety Car. Somente uma volta foi contabilizada na classificação oficial e, de acordo com as regras em vigor na época, metade dos pontos foi concedida. Isso gerou críticas generalizadas.
Desde 2022, uma escala variável é aplicada aos pontos concedidos em corridas encurtadas, desde que pelo menos duas voltas tenham sido completadas sem o Safety Car ou o Safety Car Virtual:
Menos de duas voltas: sem pontos.
De duas voltas a 25% da distância da corrida: pontos para os cinco primeiros (6-4-3-2-1).
De 25% a 50%: pontos para os nove primeiros (13-10-8-6-5-4-3-2-1).
De 50% a 75%: pontos para os 10 primeiros (19-14-12-9-8-6-5-3-2-1).
Mais de 75%: pontos integrais.
Desde 2023, a pontuação total também é concedida quando uma corrida suspensa é retomada, mesmo que a distância total programada não seja, no final das contas, completada.
Sprint: Cerca de 100 quilômetros
A Sprint foi introduzida em 2021 com um novo formato de fim de semana em algumas etapas. Ela tem, por regulamento, cerca de 100 quilômetros de duração, aproximadamente um terço da distância de uma corrida normal, e geralmente dura cerca de meia hora.
Não há pit stop obrigatório. São atribuídos pontos aos oito primeiros colocados (8-7-6-5-4-3-2-1). O total de Sprints por ano foi de três para seis e subirá para 10 em 2027.
2027: Por que as corridas estão ficando mais curtas
Em 2027, a distância padrão das corridas deverá cair de 305 para 290 quilômetros. De acordo com a FIA, isso equivale a cerca de duas ou três voltas a menos. A Comissão de Fórmula 1 aprovou a redução, embora ela ainda precise da aprovação final do Conselho Mundial de Automobilismo da FIA.
Kimi Antonelli, Mercedes, Max Verstappen, Red Bull Racing, Lando Norris, McLaren
Foto: Federico Basile
Ao mesmo tempo, o atual limite geral de três horas para corridas afetadas por interrupções deverá ser abolido. Em vez disso, será introduzido um tempo fixo e definitivo para o término da atividade de corrida. O limite de duas horas para o tempo real de corrida permanecerá.
A razão para o ajuste está nas unidades de potência. Desde 2026, aproximadamente metade da potência provém do motor de combustão interna e a outra metade do motor elétrico. Muitos pilotos têm criticado as características das novas unidades de potência. Eles precisam gerenciar e recuperar energia constantemente, o que produz um efeito de ioiô durante as corridas.
Para 2027, o equilíbrio passará, portanto, para 58:42 em favor do motor de combustão interna, seguido por 60:40 em 2028. Mais potência do motor de combustão significa maior consumo de combustível, mas tanques maiores exigiriam novos chassis. Muitas equipes querem continuar usando seus carros de 2026.
O plano original era, portanto, encurtar apenas certas corridas em até quatro voltas. Isso poderia ter transformado alguns GPs em exercícios de economia de combustível. Em vez disso, todas as corridas agora serão encurtadas seguindo o mesmo princípio.
Espera-se também que a distância da corrida de Mônaco seja reduzida, embora ainda não esteja definido em quanto. A regra se aplica inicialmente apenas a 2027. Se ela permanecerá em vigor para 2028 depende do impacto do maior fluxo de combustível naquela temporada.
Já há discussões sobre tornar as corridas ainda mais curtas no futuro. O presidente e CEO da F1, Stefano Domenicali, já apresentou algumas ideias inesperadas nessa área.
Stefano Domenicali, presidente e CEO da Fórmula 1
Foto: Sam Bagnall / Sutton Images via Getty Images
Kimi FORA DE SÉRIE, Câmara e Bortoleto, HAMILTON ‘renascido’, Russell EM PARAFUSO, STOCK: Massa/Caio
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