EXCLUSIVO: Redenção em Silverstone? Como Antonelli se recupera e lida com pressão da F1
Jovem italiano espera recuperar sua forma no GP da Grã-Bretanha, uma semana depois de corrida complicada em Spielberg
Kimi Antonelli chegou ao paddock da Fórmula 1 em Silverstone vestindo um uniforme azul novinho em folha, o mesmo adotado por toda a equipe da Mercedes. Nas mãos, ele segurava orgulhosamente uma maquete do famoso “Blue Wonder”, o veículo histórico construído pela montadora de Stuttgart como peça única na década de 1950 para transportar seus carros de GP. Ele serve como emblema da nova coleção de produtos retrô da Mercedes, inspirada no icônico Rennwagen Schnelltransporter.
Fica imediatamente claro o quanto Antonelli se sente à vontade. A pressão do campeonato, que muitos esperavam que pesasse sobre sua temporada de estreia, até agora permaneceu à distância. Pela primeira vez desde que vestiu um capacete e um macacão de corrida, Kimi já sabe onde vai correr no ano que vem — uma situação nova para ele também.
O modelo em miniatura do “Blue Wonder”, o veículo de transporte rápido da Mercedes dos anos 50
Foto de: Roberto Chinchero
“O lado positivo dessa situação é que você pode se concentrar exclusivamente na pilotagem, sabendo que não há dúvidas pendentes”, disse Antonelli. “Por outro lado, porém, também existe o risco de que ter certezas possa levar você a relaxar, e essa é uma armadilha na qual não quero cair".
“Minha abordagem continua sendo entrar na pista para provar que mereço a oportunidade que me foi dada. Além disso, acho que vou passar um verão [inverno no Brasil] muito mais tranquilo em comparação com 12 meses atrás".
Recuperando-se de um GP da Áustria decepcionante
Na análise pós-GP da Áustria, a Mercedes defendeu as escolhas estratégicas adotadas em Spielberg. Ao ouvir Antonelli, no entanto, tem-se a sensação de que essas explicações não o convenceram totalmente.
“Me disseram que a estratégia escolhida para mim era a mais rápida”, explicou. “Eles queriam me dar uma chance nas partes finais [da corrida], contando com um conjunto de pneus mais novos. Obviamente, expressei minha opinião e continuo achando que perdemos a chance de fazer um undercut em Verstappen no final tanto do primeiro quanto do segundo stint".
“Considerando também o ritmo que consegui manter, especialmente com o composto duro, acredito que, se tivéssemos parado algumas voltas antes, não teríamos tido problemas de degradação. No stint final, marquei minha volta mais rápida duas voltas antes da bandeira quadriculada, quando os pneus já haviam percorrido 20 voltas".
Andrea Kimi Antonelli, Mercedes
Foto de: Guido De Bortoli / LAT Images via Getty Images
Antonelli também ainda aguarda uma resposta definitiva sobre o problema nos freios que afetou sua corrida.
“Tive alguns problemas ao longo do fim de semana, não apenas na corrida”, acrescentou ele. “Nas primeiras voltas, quando me vi atrás de Charles, havia uma diferença de temperatura entre os lados direito e esquerdo do sistema de freios: um estava mais quente que o outro, e isso deixou o carro um pouco instável na frenagem".
"O pedal também estava mais longo do que o normal. A equipe está investigando as causas, e acho que vou saber mais alguma coisa hoje".
O terceiro lugar conquistado na Áustria inevitavelmente deixou um gosto um pouco amargo, especialmente porque o jovem italiano terminou duas posições atrás de seu companheiro de equipe e logo atrás de um Max Verstappen em ascensão.
“Minha expressão no pódio? Obviamente, eu não estava feliz”, disse Kimi. “Me incomodou ter terminado tão perto dos dois primeiros sem ter mais algumas voltas para jogar minhas cartas. Teria sido bom tentar".
“Mas a corrida dura 71 voltas, e não há muito do que reclamar. Digamos apenas que fiquei um pouco chateado. Também acredito que as primeiras voltas decidiram a corrida: se eu não tivesse perdido a posição para o Max, provavelmente teria sido uma corrida diferente".
Agora, Antonelli busca a redenção em uma pista que, pelo menos no papel, parece se adequar perfeitamente às características de seu companheiro de equipe. Mais do que o fator de correr em casa, o que faz de George Russell um dos favoritos é seu estilo de pilotagem, particularmente eficaz nas curvas rápidas e de raio longo que caracterizam Silverstone. Mas Antonelli não parece encarar isso como um desafio pessoal.
“Certamente não quero entrar na pista pensando que preciso vencer o George a qualquer custo”, seguiu. “Porque, com essa abordagem, acabaria me concentrando apenas nesse objetivo, perdendo de vista o panorama geral".
“É claro que terminar à frente dele na corrida em casa seria um recado dado, mas não se trata apenas de uma questão de nacionalidade. No papel, essa pista deveria se adequar muito bem ao estilo de pilotagem dele, embora o mesmo tenha sido dito sobre Barcelona".
“Passei muito tempo no simulador tentando encontrar a abordagem mais natural possível para enfrentar as curvas rápidas e muito longas de Silverstone. É preciso ser um pouco mais suave com a direção, e esse foi exatamente o aspecto no qual mais me concentrei”, concluiu.
RUSSELL VIVO? Saudades de Max X Hamilton, Bortoleto ZICADO, KIMI e suas histórias e + | FELIPE MOTTA
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