Da F2 à F1: quantos pilotos conseguem chegar à categoria máxima?
Levantamento mostra que apenas 24,5% dos pilotos que passaram pelo grid da base entre 2017 e 2025 disputaram uma corrida na categoria principal
O caminho para chegar à Fórmula 1 parece bastante óbvio: ter bons resultados ou se tornar campeão da Fórmula 3 e depois repetir o mesmo na Fórmula 2, chamando a atenção das equipes que estejam procurando substitutos para seus pilotos. Mas as coisas nem sempre são tão simples assim.
GP2 - de 2005 a 2016
A GP2 foi, entre 2005 e 2016, o principal degrau entre as categorias de base e a F1. Criada com o objetivo de preparar pilotos para o nível mais alto do automobilismo, a categoria utilizava carros com chassi e motor padronizados, para reduzir as diferenças de equipamento entre as equipes e dar maior peso ao desempenho.
O campeonato tinha um formato diferente do utilizado atualmente na F1. Cada etapa era - e ainda é na F2 - composta por duas corridas, a Feature Race e a Sprint Race.
O sistema de pontuação também variou ao longo da história da categoria. A partir de 2012, a vitória na Feature Race passou a valer 25 pontos, enquanto o vencedor da Sprint Race recebia 15. Havia ainda pontos extras pela pole position e pela volta mais rápida. Com isso, um piloto podia somar até 48 pontos em um único fim de semana caso conquistasse a ponta, vencesse as duas corridas e registrasse as voltas mais rápidas das duas provas.
A transformação da GP2 em FIA F2, em 2017, não representou o fim desse caminho, mas uma mudança de identidade e de estrutura dentro da pirâmide de categorias da FIA.
A F2 assumiu o lugar que havia sido ocupado pela GP2 como o último grande degrau antes da F1, mantendo a proposta de preparar e avaliar os pilotos que sonham em chegar ao grid da principal categoria do automobilismo mundial.
Da base para a F1
E o próprio histórico dos grids mostra o tamanho do funil entre a F2 e a F1. Apenas 35 dos 174 pilotos que passaram pela GP2 entre as temporadas de 2005 e 2016 chegaram a disputar corridas na categoria máxima.
Isso significa que somente 20,1% dos nomes que ocuparam um lugar no grid da GP2 naquele período conseguiram chegar à F1, independentemente de terem conquistado ou não o título da categoria.
Desde 2017, quando a GP2 deu lugar oficialmente à F2, a proporção aumentou, mas continua longe de representar uma passagem direta para a F1. Dos 102 pilotos que fizeram parte do grid da F2 entre 2017 e 2025, 25 chegaram à categoria máxima, o equivalente a 24,5%.
Ou seja, aproximadamente um em cada quatro pilotos que disputaram a F2 nesse período acabou sendo aproveitado por uma equipe da F1.
O número também significa que 77 dos 102 pilotos que passaram pela F2 entre 2017 e 2025 não chegaram a disputar um GP de F1. Mesmo considerando a F2 como o último degrau da pirâmide antes da categoria máxima, três quartos do grid ficaram pelo caminho.
A estatística reforça que a F2 funciona como uma etapa de seleção, e não como uma garantia de acesso à F1.
Mais do que medir quantos campeões da base chegaram à F1, portanto, a análise de todo o grid permite observar a dimensão real do funil. O título pode aumentar consideravelmente as chances de um piloto, mas não é pré-requisito para chegar à F1.
Campeões da F2/GP2
| PILOTO | QUANDO FOI CAMPEÃO NA GP2/F2 | QUANDO SE TORNOU PILOTO DA F1 |
|---|---|---|
| Nico Rosberg | 2005 | 2006 |
| Lewis Hamilton | 2006 | 2007 |
| Timo Glock | 2007 | 2008 |
| Giorgio Pantano* | 2008 | 2004 |
| Nico Hulkenberg | 2009 | 2010 |
| Pastor Maldonado | 2010 | 2011 |
| Romain Grosjean** | 2011 | 2009 |
| Davide Valsecchi | 2012 | - |
| Fabio Leimer | 2013 | - |
| Jolyon Palmer | 2014 | 2016 |
| Stoffel Vandoorne | 2015 | 2017 |
| Pierre Gasly | 2016 | 2018 |
| Charles Leclerc | 2017 | 2018 |
| George Russell | 2018 | 2019 |
| Nyck de Vries | 2019 | 2023 |
| Mick Schumacher | 2020 | 2021 |
| Oscar Piastri | 2021 | 2023 |
| Felipe Drugovich | 2022 | - |
| Theo Pourchaire | 2023 | - |
| Gabriel Bortoleto | 2024 | 2025 |
| Leonardo Fornaroli | 2025 | - |
*Giorgio Pantano disputou a Fórmula 3000 em três temporadas diferentes, sendo a primeira delas em 2001. Sendo assim, o piloto teve a oportunidade de fazer sua estreia na F1 antes de outros competidores, em 2004, com a Jordan.
**Romain Grosjean disputou o campeonato da GP2 de 2007 a 2009, fez sua estreia pela Renault na F1 em 2008, substituindo Nelson Piquet, e depois retornou para a GP2 em 2010, antes de se tornar campeão em 2011 e retornar para a F1 em 2012 com a Lótus.
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