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Fórmula E: Depois de 32 anos de carreira, Di Grassi se despede das pistas em carta aos fãs

Fim de semana foi marcado por homenagens da categoria elétrica ao piloto brasileiro

Lucas Di Grassi, ABT Schaeffler Audi Sport

Foto de: Sam Bagnall / Sutton Images via Getty Images

O brasileiro Lucas Di Grassi encerrou neste domingo (16), em Londres, sua carreira como piloto profissional após 32 anos dedicados ao automobilismo. Aos 42 anos de idade, o piloto fez sua última rodada dupla no Mundial de Fórmula E, categoria que ajudou a construir.

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Di Grassi competiu por 12 temporadas no campeonato dos carros elétricos, no qual conquistou o título mundial de 2016/17. Na despedida, Lucas fez questão de ser acompanhado por seu grande incentivador desde o início, Vito, e por Leo – pai e filho do competidor.

Carreira de Di Grassi

A primeira corrida oficial da trajetória de Lucas aconteceu em 1994, no Kartódromo de Itu, quando o piloto tinha apenas 10 anos de idade. Di Grassi logo se tornou um dos melhores pilotos do continente, conquistando títulos nacionais e internacionais. Em 2002, foi vice-campeão brasileiro de Fórmula Renault e, no ano seguinte, terminou na segunda colocação da Fórmula 3 Sul-Americana.

No exterior, o talento foi sua grande garantia de continuidade. Foi campeão mundial de Fórmula 3 ao vencer o GP de Macau, tradicional prova que já teve entre seus vencedores nomes como Ayrton Senna e Michael Schumacher. Na ocasião, o brasileiro dividiu o pódio com Robert Kubica e Sebastian Vettel, segundo e terceiro colocados, respectivamente.

Lucas foi vice-campeão da GP2 em 2007 e terceiro colocado em 2009, ingressando na Fórmula 1 pela Virgin Racing no ano seguinte. No Mundial de Endurance (WEC), foi vice-campeão e até hoje é o melhor brasileiro nas 24 Horas de Le Mans, com três pódios. 

O brasileiro esteve envolvido no projeto da F-E antes mesmo de sua criação oficial. Quando a categoria chegou às pistas, em 2014, Di Grassi venceu a primeira corrida da história, em Pequim.

Ao longo de 12 temporadas, foram 14 vitórias, dezenas de pódios e o título mundial conquistado na temporada 2016/17. A mais recente aconteceu há dois meses, na China, quando Di Grassi largou em último e venceu de forma espetacular, dando a primeira vitória para a jovem equipe Lola Yamaha.

Carta e homenagens

Neste fim de semana, a Fórmula E realizou várias homenagens ao brasileiro. Entre elas, uma postagem no Instagram destacou a importância do brasileiro para a história do campeonato: “Toda grande corrida tem uma última volta. Mas algumas histórias são grandes demais para caber em uma última volta”, afirmou a categoria.

O texto relembrou as conquistas do piloto na pista e ressalva: “A história de Lucas nunca foi apenas sobre números. Ele acreditou no potencial da tecnologia, na mobilidade elétrica, em um novo caminho para o automobilismo”.

Lucas também publicou emocionada uma carta aos fãs no Instagram. “Depois de 30 anos no automobilismo, é hora de pendurar o capacete. Mas, quando olho para esta foto, não penso no fim da minha carreira”, iniciou ele, referindo-se à imagem dele e seu filho caminhando pela pista de Londres, local da etapa final de sua carreira.

“Agora olho para o meu filho. Meu tempo atrás do volante está chegando ao fim… Não sei o que ele vai escolher fazer, e não precisa ser automobilismo. Mas, seja o que for, espero que ele se entregue completamente. Espero que sonhe grande, aprenda a perder, se levante, trabalhe mais duro e nunca aceite que algo é impossível simplesmente porque ninguém fez antes… Olhando para esta foto, sei exatamente para onde está meu foco agora”, continuou.

Para a despedida em Londres, a equipe Lola Yamaha preparou uma pintura especial em seu carro. O modelo reuniu referências às 12 temporadas disputadas na F-E, incluindo elementos das diferentes equipes, carros e momentos que marcaram sua passagem pelo campeonato. O capacete de Lucas tinha menções aos seus 42 pódios na categoria, recorde no Campeonato Mundial.

Nas duas últimas corridas, entretanto, os resultados não acompanharam o significado do momento. Na primeira prova do fim de semana, um problema no motor, que travou mantendo a aceleração em uma curva, tirou Di Grassi da corrida. Na segunda, disputada hoje, o brasileiro abandonou após problemas na parte eletrônica do monoposto.

Leia na íntegra a carta de Di Grassi

Hoje corro na Fórmula E pela última vez.

Depois de 30 anos no automobilismo, é hora de pendurar o capacete. Mas, quando olho para esta foto, não penso no fim da minha carreira.

Isso é sobre o que vem a seguir.

Durante três décadas, as corridas me ensinaram que talento nunca é suficiente.

É preciso determinação para continuar quando as coisas não estão funcionando, quando o carro não é rápido o bastante, quando as pessoas duvidam de você, quando você perde, quando você falha.

É preciso uma vontade quase irracional de vencer.

E, acima de tudo, é preciso foco extremo e a capacidade de ignorar o barulho, comprometer-se completamente com um objetivo e continuar avançando muito depois que a maioria das pessoas teria parado.

Essas qualidades me levaram de uma criança que sonhava em correr de carro a competir no mais alto nível do automobilismo por 20 anos.

Agora olho para o meu filho. Meu tempo atrás do volante está chegando ao fim.

A geração dele está apenas começando.

Não sei o que ele vai escolher fazer, e não precisa ser automobilismo. Mas, seja o que for, espero que ele se entregue completamente. Espero que sonhe grande, aprenda a perder, se levante, trabalhe mais duro e nunca aceite que algo é impossível simplesmente porque ninguém fez antes.

Uma geração eventualmente precisa sair do caminho para que a próxima possa ir mais longe.

Hoje, tiro o capacete.

E, olhando para esta foto, sei exatamente para onde está meu foco agora.

A corrida deles está apenas começando".

Números da carreira de Lucas Di Grassi

  • Temporadas na Fórmula E: 12 (2014-2026)
  • Vitórias na Fórmula E: 14 (a mais recente em Xangai, 2026)
  • Pódios na Fórmula E: 42
  • Participações nas corridas da F-E: 165
  • Títulos mundiais na F-E: 1 (Campeonato 2016/17, com a Audi Sport)
  • Temporadas na Fórmula 1: 1 (2010, com a Virgin Racing)
  • GPs disputados na F1: 18
  • Mundial de Endurance (WEC): vice-campeão em 2016
  • Pódios nas 24 Horas de Le Mans: 3 (2013 - 3º, 2014 - 2º, 2016 - 3º)
  • Capacetes de Ouro: 11 premiações (9 de ouro, 1 de prata e 1 de bronze) 

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