Pular para o conteúdo principal

Recomendado para você

F1: Russell afirma que tem “resposta” para superioridade de Antonelli em 2026

Fórmula 1
Fórmula 1
GP da Espanha
F1: Russell afirma que tem “resposta” para superioridade de Antonelli em 2026

F1: Outros pilotos tiveram interesse na Aston Martin para 2027, confessa Alonso

Fórmula 1
Fórmula 1
GP da Espanha
F1: Outros pilotos tiveram interesse na Aston Martin para 2027, confessa Alonso

F1: Hamilton nega ter pedido prioridade sobre Leclerc na Ferrari

Fórmula 1
Fórmula 1
GP da Espanha
F1: Hamilton nega ter pedido prioridade sobre Leclerc na Ferrari

F1: O que esperar da estreia de Madri?

Fórmula 1
Fórmula 1
GP da Espanha
F1: O que esperar da estreia de Madri?

F1 - "Fui longe demais": Leclerc assume culpa por incidente com Hamilton em Monza

Fórmula 1
Fórmula 1
GP da Espanha
F1 - "Fui longe demais": Leclerc assume culpa por incidente com Hamilton em Monza

F1 - Chefe da Ferrari: “Minha função é proteger a equipe, pedi aos pilotos que fizessem o mesmo”

Fórmula 1
Fórmula 1
GP da Espanha
F1 - Chefe da Ferrari: “Minha função é proteger a equipe, pedi aos pilotos que fizessem o mesmo”

F1 - Bortoleto defende recurso da Audi contra Tsunoda: "Regras são bem claras"

Fórmula 1
Fórmula 1
GP da Espanha
F1 - Bortoleto defende recurso da Audi contra Tsunoda: "Regras são bem claras"

F1 - Verstappen discorda da FIA sobre ADUO da Red Bull: "Não vemos o mesmo número"

Fórmula 1
Fórmula 1
GP da Espanha
F1 - Verstappen discorda da FIA sobre ADUO da Red Bull: "Não vemos o mesmo número"
Entrevista

EXCLUSIVO MotoGP: Acosta detalha limites da KTM e nega pressão de Marc Márquez

Em entrevista ao Motorsport.com, piloto espanho comentou sobre a despedida da marca austríaca e o futuro na Ducati

Pedro Acosta, Red Bull KTM Factory Racing, Marc Marquez, Ducati Team

Logo após as férias de meio de temporada e antes de voltar às pistas em Silverstone — onde terminou em quinto lugar —, Pedro Acosta visitou o estúdio do Motorsport.com para uma conversa sobre o que será sua última temporada como piloto titular da KTM na MotoGP. No ano que vem, ele vestirá o macacão Ducati e terá como referência Marc Márquez, que já está esperando por ele.

O editor recomenda:

Motorsport.com: Você foi para os Estados Unidos durante as férias de meio de ano. Conseguiu descontrair um pouco da tensão da primeira metade da temporada? 

Pedro Acosta: Essas foram as primeiras férias de verdade que tirei na vida. A primeira parte do ano foi bem difícil, com todos os problemas técnicos que tivemos. Então eu disse: 'Pronto, vou para os Estados Unidos e vou tentar me divertir com alguns amigos'. Também fui a uma corrida da NASCAR, que era uma das coisas na minha lista de desejos. Gostei muito; normalmente, sempre que vou para aquela região do mundo, me divirto muito. Foi muito bom.

MS: Você se considera uma pessoa bem-sucedida? 

PA: Não me considero bem-sucedido de jeito nenhum. Olha, é verdade que conquistei muito no início da minha carreira. Conquistei o título da Moto3 bem rápido e, depois, o da Moto2. Tudo aconteceu rápido demais e, na minha quarta temporada no Campeonato Mundial, eu já estava na MotoGP, competindo contra os melhores. Então, nesse sentido, sim, tive sucesso, e muito rápido. Mas, por outro lado, ainda me falta aquilo que sempre quis na vida, que é vencer na MotoGP. Estamos no caminho certo. 

MS: Ao contrário de outros atletas da sua geração, que adoram exibir os “brinquedos” ou bens materiais que o sucesso lhes traz, não há nenhuma foto sua com um supercarro ou no convés de um iate. Isso é uma questão de privacidade ou de estilo de vida? 

PA: Gosto de mostrar às pessoas quem eu realmente sou. É fácil se deixar levar, e gosto de pensar que meus pés ainda estão firmemente no chão. Em casa, ninguém me dá a chance de deixar isso acontecer e 'começar a voar'. Embora seja verdade que eu tenha meus pequenos luxos: no ano passado comprei um motorhome e agora passo muito tempo dirigindo por aí e dormindo à beira de lagos e coisas do tipo. Talvez esse seja o meu tipo de luxo.

Com meu primeiro salário, comprei uma van para ir aos treinos, mas costumava dormir nos assentos até que, um dia, em Barcelona, quase morri congelado. Foi aí que pensei: “Bom, talvez seja hora de gastar um pouco mais e comprar algo um pouco mais sofisticado".

Pedro Acosta, Red Bull KTM Factory Racing

Pedro Acosta, Red Bull KTM Factory Racing

Foto: Gold and Goose Photography / Getty Images

MS: Após seis temporadas ligado à KTM, você decidiu deixar a fabricante austríaca no final do ano. Você está em paz com a marca? 

PA: Não totalmente. Acho que a KTM deu tudo o que tinha em todas as fases da minha carreira e em todas as fases do nosso relacionamento. Mas cheguei a um ponto em que preciso de um novo desafio. Não quero que isso soe arrogante, mas desde que cheguei à MotoGP tenho sido o piloto nº 1 da KTM no grid. Talvez eu precise de um novo desafio ou de algo que me dê um pouco de motivação novamente.

A KTM me deu a oportunidade de conquistar o campeonato da Moto3 e todas as ferramentas de que eu precisava para tentar vencer na Moto2. Se a perspectiva de construir uma moto competitiva estivesse mais próxima, talvez eu tivesse ficado. Infelizmente, não é o caso. 

MS: Então você perdeu a paciência? 

PA: Provavelmente, sim. Acreditei nesse projeto por três anos e dei a ele uma chance atrás da outra. Mas acho que posso ir mais longe, e é por isso que decidi sair. 

MS: As pessoas ao seu redor destacam que você vive apenas para vencer, mas ainda não conseguiu fazer isso na MotoGP. Como você lida com essa frustração? 

PA: No ano passado não foi fácil lidar com isso. Principalmente porque eu ficava pensando que, se não estava vencendo, a culpa era minha. E quando você acredita que algo é de sua responsabilidade, fica ainda mais difícil se livrar desse estresse.

A pessoa que mais me ajudou a entender que o problema provavelmente não era eu foi Carmelo Morales, meu preparador físico. Ele tem uma perspectiva diferente sobre as corridas, e isso foi fundamental para compreender que havia uma limitação clara.

O problema era que eu estava exigindo da moto muito mais do que ela era capaz de dar, e toda vez que fazia isso, acabava caindo no chão. Não é bem o meu estilo, mas em algum momento tive que começar a pensar nisso e dizer: 'Tudo bem, ficar entre os cinco primeiros não é tão ruim assim. E quando estivermos competitivos, vamos conseguir disputar o pódio'.

Principalmente por esse motivo, tenho sido muito mais competitivo este ano. Mesmo com os problemas que tivemos na primeira parte da temporada, geralmente estava perto dos três primeiros. 

MS: Sua estreia na MotoGP veio acompanhada de enorme atenção da mídia e comparações constantes com Marc Márquez. Essa pressão chegou a afetá-lo? 

PA: Não acho que tenha me afetado. Não sou do tipo que lê muito sobre mim mesmo, e tenho pessoas ao meu redor que são muito honestas e me dizem as coisas na cara. Essas expectativas estão presentes desde o primeiro dia; na Moto3 já me comparavam com o Marc.

Acho que dei um grande passo em termos de maturidade da Moto2 para a MotoGP. No meu primeiro ano na Moto2, eu queria conquistar tudo muito rápido, mas me faltava maturidade. Na minha primeira temporada na Moto2, eu já tinha a conquista do título na cabeça. Na Moto3, por outro lado, eu pensava simplesmente em acumular pontos. Na MotoGP, aprendi a lidar com as expectativas de maneira diferente. 

MS: Na próxima temporada, você vai se juntar à equipe de fábrica da Ducati, que é a referência. Lá não haverá desculpas. 

PA: Sinceramente, estou bastante feliz com isso. No momento, tenho muitas dúvidas sobre como vai ser. Não sou do tipo que costuma apontar o dedo para os outros para deixar claro que algo não é culpa minha.

Talvez no ano que vem isso aconteça: não haverá desculpas, e se as coisas não correrem bem, a culpa será minha. Isso me deixa muito feliz. Sou um cara muito direto, até mesmo comigo mesmo, e acho que isso só trará coisas positivas para a minha carreira. 

MS: Você vai dividir a garagem com Márquez, que tem dominado todos os seus companheiros de equipe. O que te faz pensar que você pode quebrar esse padrão? 

PA: Não tenho ideia do que vou encontrar naquela equipe, mas não sinto nenhuma pressão. Marc está na reta final de sua carreira e eu estou apenas começando a minha.

Ele conhece todo mundo na fábrica e eu vou precisar de tempo para me adaptar a uma equipe totalmente italiana depois de seis anos na KTM. Estou diante de um capítulo totalmente novo, então não sinto nenhuma pressão. Felizmente, ficarei lá por pelo menos dois anos, então terei tempo para entrar no ritmo no primeiro e ver o que acontece no segundo. 

Pedro Acosta, Red Bull KTM Factory Racing

Pedro Acosta, Red Bull KTM Factory Racing

Foto: Gold and Goose Photography / LAT Images / via Getty Images

MS: Como você imagina sua chegada à Ducati? Você não acha que há semelhanças entre sua ida para lá, ao lado de Marquez e a de Jorge Lorenzo na Yamaha em 2008, quando Valentino Rossi estava no comando?

PA: Pode ser, embora eu nunca tenha pensado nisso dessa forma. Sou muito grato à Ducati por me permitir fazer parte de seu projeto, apesar de ainda não ter vencido nenhuma corrida de MotoGP.

Na época, Lorenzo era o piloto dominante na categoria 250cc, enquanto eu já tinha passado três anos na MotoGP. Não tenho expectativas, só quero chegar na terça-feira depois de Valência e ver o que consigo fazer. 

MS: Sua percepção sobre Márquez mudou depois de correr contra ele e disputar com ele na pista? 

PA: Não muito, para ser sincero. O que mais me impressionou em Marc foi tudo o que ele teve que passar para reconquistar o título. Estamos falando de um piloto que passou mais de uma década na maior equipe de fábrica do mundo, conquistando um número enorme de títulos.

O quanto ele sofreu sem que realmente precisasse — já que não tinha mais nada a provar — mostra uma capacidade de resistência que não tínhamos visto nele antes. A força mental que ele demonstrou para voltar depois de tantas lesões é o que mais me impressiona nele. 

MS: Em um campeonato onde a cordialidade entre os pilotos tende a prevalecer, você sempre manteve distância dessa atmosfera de boa vontade. Você se sente como a ovelha negra da família? 

PA: Talvez. Ou talvez eu seja o cara que não segue a tendência predominante. Entendo que a maioria dos pilotos é próxima uns dos outros e que dá para conversar com qualquer um deles.

Mas estamos todos aqui perseguindo o mesmo sonho, e é muito difícil ter uma relação sincera com alguém que quer exatamente a mesma coisa que você. Para realizar seu sonho, esse rival seria capaz de acabar com qualquer um — pelo menos no âmbito esportivo. E se não posso ser sincero com você, prefiro dar um passo atrás e manter uma certa distância. 

MS: Tenho a impressão de que o bom clima no paddock favorece pilotos com um certo tipo de personalidade, enquanto prejudica outros que talvez sejam menos agressivos. 

PA: Isso pode acontecer. Nunca tive amigos no paddock, e fico feliz que seja assim, porque, dessa forma, não tenho nenhum receio de ultrapassar ninguém. No passado, as grandes rivalidades — Rossi-Biaggi, Crivilla-Doohan, Rossi-Márquez — não eram relações fáceis. Talvez esse seja o tempero que está faltando na MotoGP atualmente. 

MS: O que você sentiu nos momentos após o acidente que teve com Álex Márquez em Montmeló? 

PA: Nada de bom, para ser sincero. Nesse tipo de situação, quando seus níveis de adrenalina estão tão altos, você não consegue pensar com clareza. Eu nunca tinha me envolvido em um acidente como aquele antes. Mesmo depois da corrida, foi difícil para mim lembrar exatamente o que tinha acontecido; eu havia esquecido algumas partes. 

MS: Você ainda tem lacunas na memória sobre o que aconteceu? 

PA: Agora tenho total clareza do que aconteceu. Sabemos dos riscos envolvidos no que fazemos, mas reiniciar a corrida duas vezes provavelmente não foi a coisa mais inteligente a se fazer, porque depois disso ocorreu o acidente envolvendo [Johann] ZarcoPecco [Bagnaia] e outros pilotos.

Precisamos nos concentrar a maior parte do tempo, e é muito fácil perder o foco depois de duas bandeiras vermelhas. Às vezes, os pilotos não pensam com clareza ou tomam a decisão certa. É verdade que o espetáculo sempre tem que continuar, mas sem pilotos não há espetáculo. 

Pedro Acosta, Red Bull KTM Factory Racing, Marc Marquez, Ducati Team

Pedro Acosta, Red Bull KTM Factory Racing, Marc Márquez, Ducati Team

Foto: Gold and Goose Photography / Getty Images

MS: Pouquíssimos pilotos admitiram sentir medo em uma motocicleta. Existe alguma coisa que te afaste da pista? 

PA: Muitas coisas. Insetos grandes realmente me assustam. Na pista, devo dizer que nunca senti medo. Quando você corre desde criança, pilotar uma moto é algo natural. 

MS: Nem mesmo quando você percebe que está prestes a sofrer uma queda? 

PA: Não, porque você tem isso enraizado em você: faz parte do jogo. Já sofri grandes quedas, mas nunca duvidei que voltaria para a moto no dia seguinte. Faz parte do jogo e é o que sempre quis na vida. 

MS: Álex Márquez e Fabio Di Giannantonio farão o caminho oposto ao seu: vão deixar a Ducati e passar para a KTM. Há algo que eles devam saber? 

PA: Prefiro que eles descubram por conta própria. Vão trabalhar com pessoas incríveis. Nos meus três primeiros anos na MotoGP, tive a sorte de trabalhar com pessoas como o Dani Pedrosa. Ter a oportunidade de conversar com uma lenda como ele me ajudou em certas áreas, como a gestão dos pneus. A KTM está crescendo novamente, e o Álex e o Diggia vão se dar muito bem. 

MS: E do que você mais sentirá falta na KTM? 

PA: As relações humanas que construí ao longo de todos esses anos. Nas categorias inferiores, embora estivéssemos sob a égide da Ajo Motorsport, era a equipe de fábrica da KTM. Vou sentir falta das pessoas, mas estou indo para uma equipe que já trabalhou com muitos campeões, e acho que vai ser divertido descobrir um novo mundo. 

MS: Você acompanha o que acontece na Fórmula 1? 

PA: Não muito, para ser sincero. Torço pelo [Max] Verstappen e pelo [Oscar] Piastri, que conheço pessoalmente. Gosto muito da personalidade dele e da maneira como ele encara as corridas.

MS: O que você acha da transformação da MotoGP e de sua tendência a adotar um estilo de evento semelhante ao da F1? 

PA: Parece que os fãs estão gostando. Nós, pilotos, agora participamos de muito mais eventos sociais com os fãs, mas se isso ajuda o esporte a crescer, então é exatamente disso que precisávamos.

Lembro que, na Espanha, há 10 ou 12 anos, dava para entrar em um bar num domingo de manhã e ver a MotoGP passando na TV. Hoje em dia, é mais difícil ver isso acontecer. Se essas iniciativas ajudarem a MotoGP a crescer novamente na Espanha, na Europa e no mundo todo, acho ótimo. 

TUDO da MOTOGP no RIO! Bez e Martín DESABAFAM. Teto de gastos? FESTIVAL INTERLAGOS, Arena Cross e +

Ouça a versão em áudio do PÓDIO CAST:

 

ACOMPANHE NOSSO PODCAST GRATUITAMENTE:

Faça parte do nosso canal no WhatsApp: clique aqui e junte-se a nós no aplicativo!

Artigo anterior MotoGP: Crutchlow vê "aliança perfeita" entre Quartararo e Honda
Próximo artigo MotoGP: LCR confirma retorno de Zarco no GP de Aragón após 100 dias de recuperação

Principais comentários

Últimas notícias