ANÁLISE MotoGP: Como explicar a vantagem da KTM no Red Bull Ring?
Marca austríaca tradicionalmente vai bem na corrida de casa, mas outros fatores aumentam ainda mais essa dominância em 2026
A volta voadora de Pedro Acosta, que liderou a tabela de tempos no segundo treino livre para o GP da Áustria, aumentou as esperanças de que a KTM ponha fim a uma sequência de quatro anos sem vitórias na MotoGP.
A RC16 sempre teve um bom desempenho no Red Bull Ring, e Acosta está em excelente fase na MotoGP, o que significa que as expectativas já eram altas em relação à marca antes da sexta-feira. Mas, diante da vantagem de Ducati e Aprilia, a KTM sempre teria pela frente uma batalha difícil para abalar a hierarquia atual da MotoGP.
No entanto, o primeiro dia de treinos deu um grande impulso à equipe, com Acosta liderando ambas as sessões de treinos. O espanhol encerrou o dia 0s127 à frente de Fermin Aldeguer,, com a melhor Aprilia, de Ai Ogura, mais meio décimo atrás, em terceiro.
Até mesmo Brad Binder, cujas dificuldades nas voltas lançadas são bem conhecidas, conseguiu garantir uma vaga direta no Q2 com o sétimo melhor tempo.
Acosta também tinha mais ritmo guardado, tendo deliberadamente diminuído a velocidade em sua última volta rápida após marcar os melhores tempos nos três primeiros setores.
Com os problemas de confiabilidade que atormentaram a equipe na primeira metade da temporada finalmente resolvidos, a KTM agora tem uma moto capaz de tirar proveito das longas retas de Spielberg. O traçado com muitas frenagens e acelerações também favorece os pontos fortes da RC16, moto reconhecida por sua excelência na frenagem.
Pneu especial para a Áustria
Mas outro elemento está ajudando a KTM: o pneu traseiro reforçado da Michelin, usado apenas em pistas como Buriram e o Red Bull Ring, devido às altas cargas. Acosta conquistou sua primeira vitória em uma sprint na última vez em que esse composto foi usado, na abertura da temporada na Tailândia, e parece rápido mais uma vez agora que ele foi trazido de volta para este fim de semana.
Binder, que registrou seu melhor resultado da temporada na mesma corrida em Buriram, explicou como os pilotos da KTM se beneficiam do pneu Michelin com as especificações da Áustria.
“Acho que nossa moto funciona melhor [aqui]. Com esse pneu traseiro diferente, ela não empurra tanto a dianteira, e eu não tenho os grandes problemas na dianteira que costumo ter. Então, isso me dá um pouco mais de confiança para simplesmente sair e pilotar minha moto".
Baixa aderência favorece a KTM
O piloto de testes da KTM, Pol Espargaró, que mais uma vez está substituindo o lesionado Maverick Viñales na Tech3, acredita que há menos aderência no Red Bull Ring em comparação com o ano passado, tornando a pista ainda mais adequada para a configuração atual da moto.
“Este ano, estamos tendo fins de semana melhores quando a aderência na pista não é tão boa, como em Barcelona, por exemplo”, explicou ele. “No passado, tínhamos um bom desempenho em lugares onde a aderência era muito alta e agora é exatamente o contrário".
“Portanto, Pedro é especialmente bom nas frenagens, e com pouca aderência isso torna a situação ainda mais difícil para todos os outros".
Brad Binder, Red Bull KTM Factory Racing
Foto: Gold and Goose Photography / Getty Images
Há espaço para que a dupla da equipe oficial KTM, formada por Acosta e Binder, aprenda um com o outro, já que ambos os pilotos se destacam em partes diferentes da volta. Acosta foi facilmente o piloto mais rápido na pista no setor final, enquanto Binder ganhou uma boa vantagem no setor 3.
“Ainda estamos tendo dificuldades com essa longa curva 5 à direita e, em seguida, com as longas curvas 6 e 7, que são à esquerda”, explicou Acosta. “Vamos tentar melhorar, porque o Brad foi bem impressionante nessas curvas".
“Ele foi mais rápido do que eu no setor 3. Esse é exatamente o ponto em que estou tendo dificuldades, mas isso vai ser interessante. Estou feliz que outras KTMs da estejam no Q2, pois agora posso coletar muitas informações, já que o Brad estava cerca de 0s2 atrás de mim".
Acosta minimiza as chances de vitória — por enquanto
O Red Bull Ring tem sido um terreno propício para a KTM, com Binder conquistando uma vitória memorável em casa pela equipe de fábrica em 2021. No entanto, a fabricante já está há mais de quatro anos sem uma vitória, com o triunfo de Miguel Oliveira na Indonésia em 2021 marcando seu último sucesso na categoria.
Com Acosta deixando a KTM no final do ano, uma vitória em casa seria vista como uma despedida digna para a parceria. Até mesmo a alta administração da Bajaj, nova dona da KTM, está presente, o que aumenta a importância do fim de semana.
No entanto, Acosta alertou para não criar muitas expectativas após os treinos, quando questionado se poderia vencer no domingo, dizendo: “Ainda é sexta-feira".
“Não sei. Vamos ver como Ducati e Aprilia se saem amanhã. Aldeguer é rápido, Ogura foi rápido e [Marco] Bezzecchi foi muito rápido no ano passado. Aldeguer mostrou um ritmo muito bom durante a corrida. Por isso, sem pressão. Vamos ver o que vai rolar”.
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