ANÁLISE MotoGP: Martín voltou - mas ainda não está em sua melhor fase
O próprio espanhol afirmou que ainda precisa de tempo em cima da moto, enquanto diz estar apenas 95% recuperado dos acidentes de 2025
Aos poucos, estamos vendo Jorge Martín voltar à frente do grid da MotoGP. Até agora, o campeão de 2024 subiu ao pódio em duas das quatro corridas já disputadas em 2026. E enquanto Marco Bezzecchi continua consolidado como a principal figura da Aprilia, o ritmo acima da média do espanhol levanta dúvidas sobre se ele pode entrar na briga pelo título.
Após uma temporada de pesadelo em 2025, cruzando a linha de chegada em apenas quatro GPs, Martín sofreu outro grande revés durante as férias ao descobrir que suas lesões não haviam cicatrizado totalmente, forçando-o a passar por mais duas cirurgias antes de poder retornar às pistas.
Foi um período brutal para o campeão de 2024, que revelou que nem conseguia se alimentar sozinho durante as primeiras fases de sua recuperação.
Perder a pré-temporada de Sepang significava que ele começaria mais uma temporada em desvantagem, mas o ritmo que ele tem mostrado até agora em 2026 pegou muitos de surpresa. Ficar duas vezes no top 5 do GP da Tailândia já superou as expectativas, mas foi em Goiânia que ele realmente brilhou.
Depois de começar o fim de semana com força nos treinos, Martín subiu para o terceiro lugar na sprint, conquistando seu primeiro pódio desde novembro de 2024, quando conquistou o título. Ele foi ainda melhor no domingo, completando uma dobradinha para a equipe Aprilia atrás do companheiro Marco Bezzecchi.
Embora tenha admitido ter perdido terreno demais nas primeiras voltas para disputar a vitória contra Bezzecchi, sua recuperação e a dupla ultrapassagem nos pilotos da Ducati, Marc Márquez e Fabio di Giannantonio, trouxeram à tona lembranças de sua passagem memorável pela Pramac.
Para Martín, o resultado foi o culminar de meses de trabalho incansável após a lesão na clavícula sofrida no GP do Japão, em setembro.
“Fiquei confinado por cinco meses e meio, apenas treinando, me recuperando, treinando, me recuperando”, disse. “Não perdi um único dia da dieta. Estava sempre focado no meu objetivo, e este é o resultado disso. Então, com certeza, o trabalho duro compensa. Só preciso continuar. No nosso esporte, sempre há um amanhã".
Ainda operando a 95%
Jorge Martin, Aprilia Racing Team
Foto: MotoGP Sports Entertainment Group
Martín conseguiu aproveitar o início dominante da Aprilia em 2026, com a RS-GP emergindo como a moto mais rápida tanto em Buriram quanto em Goiânia.
Embora tenha sido apenas o terceiro melhor piloto da Aprilia na Tailândia, ele se aproximou significativamente da referência da marca, Bezzecchi, durante o Brasil. Se não fosse por uma queda em uma volta rápida na qualificação, ele também poderia ter garantido uma vaga na primeira fila.
Ele acredita que está agora operando a 95% de sua forma física e precisa de pelo menos mais um mês para voltar ao seu melhor nível. Embora seus resultados iniciais na pista tenham sido animadores, o piloto de 28 anos está ciente de que precisa de mais tempo para tirar o máximo proveito do pacote da Aprilia.
O intervalo de quatro semanas após o GP dos EUA deste fim de semana pode, portanto, ser crucial, oferecendo a ele uma chance de se recuperar e se recompor antes da etapa europeia da temporada.
“Estou muito melhor do que me sentia na Tailândia. Talvez na Tailândia eu estivesse a 85%, talvez agora esteja a 95%”, disse ele.
“Ainda sinto um pouco de falta da minha mão e do meu ombro, mas o que mais sinto falta é um pouco de sintonia com a Aprilia. Ainda piloto um pouco tenso e sinto que isso não me ajuda. Mas a cada volta ou a cada dia que corro com a moto estou ficando cada vez melhor, e acho que talvez em um mês ou um mês e meio estarei no meu nível máximo".
“Ainda temos uma longa temporada pela frente, então vou aproveitar minhas chances e, dia após dia, vou tentar melhorar bastante".
Ainda não é candidato ao título
O pódio conquistado no domingo coloca Martín em segundo lugar na classificação, apenas nove pontos atrás do novo líder do campeonato, Bezzecchi. No entanto, o espanhol reluta em se considerar um candidato ao título ainda, acreditando que ainda lhe falta a consistência necessária para enfrentar seu companheiro de equipe.
“Não neste momento. Ainda me faltam muitas voltas com a Aprilia”, disse ele. “É como se o Marco e a moto fossem ‘um só’. Eles são perfeitos um para o outro. Acabei de chegar vindo de trás e estou começando a entender o que a moto precisa. Estou começando a entender como posso melhorar meu estilo para ser mais rápido".
“Em algumas voltas me sinto super forte, depois começo a me sentir fraco, depois forte de novo. Então, só preciso encontrar essa consistência nas corridas longas. Mas, no geral, a velocidade está lá, a confiança está lá e a cada dia estou um pouco mais perto dos pilotos da frente. Então, sim, espero poder continuar melhorando e vamos ver onde chegamos".
Jorge Martin, Aprilia Racing Team
Foto: Gold and Goose Photography / LAT Images / via Getty Images
A Aprilia nunca duvidou de Martín
CEO da Aprilia Racing, Massimo Rivola, também apoiou Martín após sua recente sequência de resultados, tendo desempenhado um papel fundamental em atraí-lo para a equipe depois que ele foi preterido para uma promoção na equipe de fábrica da Ducati.
“Não quero dizer surpresa, porque ele é bicampeão mundial”, disse Rivola sobre os resultados de Martín. “Ele é um piloto naturalmente superrápido. Mas foi um fim de semana superemocionante. Duas vezes no pódio com um estilo tão bom".
“Jorge está chegando. O que ele fez na Tailândia foi impressionante. O que ele fez neste fim de semana é impressionante. O que ele fará nas próximas corridas será impressionante, tenho certeza".
“Mas ele é superrápido, então não estou surpreso com isso. Estou simplesmente superfeliz por termos acreditado que era possível e termos conseguido".
DOMÍNIO da APRILIA no Brasil: e aí, Márquez? DIOGO, problemas e BASTIDORES do Pódio Cast em Goiânia!
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