ANÁLISE MotoGP: O que explica a ascensão da Aprilia sobre a Ducati após GP dos EUA
Após a segunda dobradinha consecutiva em Austin, nem mesmo o CEO Massimo Rivola consegue esconder a superioridade de sua equipe
A MotoGP tem uma nova líder. Após a segunda dobradinha consecutiva, conquistada em Austin, até mesmo Massimo Rivola começou a falar com menos cautela: "No momento, sinto que posso dizer que a Aprilia é a moto de referência. Talvez não estejamos acostumados a ouvir isso, mas, até o momento, os números dizem isso. No entanto, isso não significa que sejamos os favoritos para o Mundial, estamos na frente agora e só”, disse ele durante a comemoração dentro do box. Em suma, o CEO da Aprilia Racing esconde um pouco as cartas, mas, desta vez, ele as colocou na mesa.
Os números nem sempre dizem a verdade absoluta, mas muitas vezes se aproximam dela, e os que a Aprilia está começando a reunir são bastante impressionantes. A vitória conquistada nos EUA por Marco Bezzecchi foi a quinta consecutiva, se contarmos também as duas últimas de 2025. Porém, é a forma como foram conquistadas que impressiona, liderando por 121 voltas consecutivas, um recorde absoluto na história da categoria rainha. O último a conseguir isso foi Marc Márquez, em 2014.
O que deve deixar os italianos sorrindo é que, de corrida em corrida, as coisas estão indo cada vez melhor. No Brasil, veio a dobradinha, graças ao segundo lugar de Jorge Martín, resultado que se repetiu no Texas, onde o espanhol venceu a sprint. E se Ai Ogura não tivesse perdido o ritmo no momento mais importante devido a um problema técnico, um pódio apenas da Aprilia poderia ter se concretizado.
Portanto, a maior conquista foi obtida justamente na pista onde o sucesso da Aprilia era mais questionado, já que este foi o primeiro fim de semana com a carcaça padrão do pneu traseiro, depois que nas duas primeiras etapas a Michelin havia levado a versão reforçada para altas temperaturas, que parece se ajustar perfeitamente à RS-GP. Esse já era um motivo mais do que válido para se esperar a reação das Ducati, que, por outro lado, sempre a acharam bastante indigesta, mas o outro era até óbvio demais: a relação quase simbiótica entre Márquez e a pista norte-americana, que lhe rendeu nada menos que sete vitórias entre 2013 e 2021.
Jorge Martin, Aprilia Racing Team, Marco Bezzecchi, Aprilia Racing
Foto de: Gold and Goose Photography / LAT Images / via Getty Images
Desta vez, porém, nem mesmo ter nas suas fileiras o “Xerife” de Austin foi suficiente para a Ducati conquistar a primeira vitória da temporada. Na verdade, ela não só foi superada pelas Aprilia, mas também pela KTM, que completou o pódio com Pedro Acosta. A melhor das Desmosedici GP cruzou a linha de chegada em quarto lugar com Fabio Di Giannantonio, a quase sete segundos de Bezzecchi. Embora, provavelmente, o #93 pudesse ter feito um pouco melhor do que o piloto da VR46 se não tivesse que cumprir uma penalidade de volta longa, recebida justamente pelo acidente com o piloto romano na sprint, já que ele terminou a apenas pouco mais de um segundo atrás dele.
“Temos que tirar o chapéu para a Aprilia, que deu um salto técnico notável, porque Bezzecchi hoje teve um ritmo sete décimos mais rápido do que no ano passado. O crescimento deles é impressionante e têm pilotos muito fortes. Nós também temos, embora esteja claro que, neste momento, temos de correr um pouco atrás deles”, disse Davide Tardozzi, chefe de equipe da Ducati, admitindo de fato a ultrapassagem sofrida pelos rivais.
Isso não significa, porém, que queiram jogar a toalha ou já se considerarem derrotados: “Agora temos três semanas para trabalhar e espero que já possamos apresentar algo em Jerez. Ainda faltam 19 corridas, nada está perdido, mesmo que pareça que, neste momento, eles estejam abrindo vantagem”, continuou Tardozzi.
E o atual campeão mundial também é da mesma opinião, acreditando que o resultado de Austin, na verdade, é um pouco enganador. “Estamos pagando pelo erro de sábado, a MotoGP é assim: às vezes o que acontece no sábado te penaliza no domingo”, explicou Márquez. “Quando você está no rastro de outra moto, você anda um segundo mais lento do que quando está sozinho, é praticamente impossível. Provavelmente, sem a penalidade de volta longa, eu teria disputado o pódio”.
Francesco Bagnaia, Ducati Team
Foto de: Gold and Goose Photography / LAT Images / via Getty Images
Entre outras coisas, o espanhol também tentou defender sua equipe, assumindo a responsabilidade por esse início difícil: “Sou eu que preciso melhorar, não a moto. Preciso recuperar 100% da minha forma. Depois de uma lesão, é sempre preciso redescobrir onde está esse novo limite”, disse ele, deixando claro que ainda não se recuperou completamente da lesão no ombro direito sofrida no ano passado na Indonésia.
Embora o espanhol tenha tentado não falar muito sobre as limitações técnicas da GP26, Pecco Bagnaia parece ter as ideias bastante claras a respeito. Já no sábado, o italiano viu a vitória na sprint escapar devido a um colapso do pneu traseiro, mas na corrida principal isso ficou tão evidente que o fez cair para o décimo lugar.
E, segundo ele, isso está diretamente ligado às características deste modelo da Desmosedici GP: “Nas três primeiras corridas da temporada, tive muita dificuldade aos domingos: não consigo acelerar como gostaria, só consigo me manter na pista. E mesmo assim, acabo com o pneu traseiro completamente destruído. Neste momento, acho que nossa moto precisa fazer as curvas com a traseira, porque a dianteira empurra demais. É difícil parar a moto quando ela empurra assim, então tenho que pilotar usando a traseira, mas acabo destruindo o pneu”.
Já fazia anos que a Ducati estava acostumada a dominar e, portanto, cabe à Aprilia o mérito de ter conseguido levá-la à beira de um colapso nervoso, ainda mais em uma temporada que muitos consideravam apenas um ano de transição em vista da chegada do novo regulamento. E se a tendência continuar a mesma quando chegarmos a Jerez, então eles poderão realmente começar a sonhar, porque a história ensina que o regresso à Europa quase sempre revela a verdadeira face de uma temporada...
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