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Análise

ANÁLISE: Por que Ducati não tem dúvidas sobre futuro de Márquez na MotoGP

Multicampeão segue longe das pistas, se recuperando de uma fratura sofrida na sprint da França e uma lesão recorrente desde o final de 2025

Marc Marquez, Ducati Team

Foto de: Marc Fleury

Diante daqueles que preveem o fim iminente da carreira de Marc Márquez na MotoGP, o piloto da Ducati volta a dar tudo de si para voltar à pista na sua melhor forma possível, cumprir os mais dois anos de contrato que assinou e decidir, nos seus próprios termos, quando encerrar sua trajetória no Campeonato Mundial.

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Os ícones do esporte despertam um interesse muito superior ao do resto, e isso acontece em qualquer modalidade. Na MotoGP, o abismo que separa Marc dos demais pilotos do grid é avassalador, com tudo o que isso implica. 

Desde o início da temporada, o atual campeão tem projetado uma imagem um pouco diferente daquela que o levou, no ano passado, a dominar o campeonato novamente e a comemorar seu nono título mundial, o sétimo na categoria rainha.

Sua explosividade perdeu intensidade para dar lugar a um perfil de piloto mais conservador e cerebral, menos agressivo. E isso fez com que alguns alarmes soassem.

Nesse contexto de incerteza, e diante da falta de informações, ressoavam as palavras que ele soltou logo após ser coroado novamente: “Não tenho a menor vontade de subir na moto. Não me coloco sob a mesma pressão que no passado. Antes, quando conquistava o título, eu queria chegar à próxima etapa e arrasar com tudo, mas minha mentalidade mudou”.

E se, depois de todo aquele esforço que ele havia feito para voltar a vencer, ele tivesse perdido a motivação? Enquanto ele se referia à falta de sensações sobre a moto, houve quem já aproveitasse a ocasião para começar a insinuar que o momento da aposentadoria começava a se aproximar para ele. Essas coisas sempre vendem.

Foi só em Le Mans, a quinta etapa do calendário, que o espanhol reconheceu ter corrido lesionado. Foi poucas horas depois de dar uma volta antológica, na primeira eliminatória da classificação (Q1), que o levou a registrar o recorde do mítico circuito francês.

Marc Márquez, Ducati Team, tras su caída en Le Mans

Marc Márquez, Ducati Team, após sua queda em Le Mans

Foto de: Marc Fleury

No entanto, apesar desses lampejos, Márquez não estava bem. As consequências da queda que sofreu na largada do GP da Indonésia de 2025 o haviam levado de volta àquele lugar tão sombrio em que viveu durante três anos. Em consequência da queda em Lombok, os parafusos que fixavam seu braço direito, operado até quatro vezes entre julho de 2020 e junho de 2022, se deslocaram.

Na pista, um dos pinos de uma cirurgia anterior (2019) havia se torcido e roçava aleatoriamente o nervo radial. Isso fazia com que ele perdesse completamente a força sem poder prever.

Curiosamente, isso não acontecia quando ele praticava motocross, devido à posição de pilotagem, nem quando treinava com modelos esportivos. E também não detectou nada na academia.

“Ele levantava o mesmo peso de antes no supino”, afirmou uma fonte direto de seu círculo pessoal. De fato, sua obsessão por levar aquele braço ao limite o levou a realizar exercícios desumanos, como dar uma série de voltas na pista de kart do circuito de Alcañiz, na Ducati Panigale, com o braço esquerdo apoiado o tanque e segurando-se apenas com o direito.

O acidente durante a corrida sprint, em Le Mans, causou-lhe uma fratura no pé que exigiu cirurgia, circunstância que ele aproveitou para antecipar, em oito dias, a intervenção no braço que inicialmente estava prevista para esta segunda-feira (18), após o GP da Catalunha, que ele já não disputou.

Enquanto aguarda o exame médico a que deve se submeter esta semana, o Motorsport.com apurou que a Ducati tem tudo pronto para que ele possa voltar em Mugello, em menos de dez dias, desde que os médicos lhe autorizem.

Apesar da etapa na Itália ser de grande relevância para a marca, que tem programadas diversas atividades para comemorar o centenário, não há qualquer tipo de pressão sobre o catalão para que ele acelere o ritmo de sua recuperação.

A prioridade é a sua saúde, e a serenidade em relação ao compromisso do #93 é absoluta: o contrato de renovação entre Márquez e a Ducati está assinado há meses, tem validade de dois anos – até o final de 2028 – e ainda não foi oficializado porque isso depende das negociações entre as equipes e o promotor do campeonato.

En la caída de Indonesia, el pasado año, Marc Márquez, se lesionó el hombro derecho y un tornillo de una antigua operación (2019) se deformó, lo que le ha estado causando problemas en el nervio radial desde entonces

Na queda na Indonésia, no ano passado, Marc Márquez lesionou o ombro direito e um parafuso de uma cirurgia anterior (2019) se deformou, o que vem causando problemas no nervo radial desde então

Como acontece em qualquer acordo, o que vinculará o multicampeão à fabricante italiana também pode ser rescindido por diversos motivos. E ninguém ignora que, caso surja uma razão médica que o impeça de lutar pelos objetivos que ele considera que devem ser os seus, a Ducati em hipótese alguma o obrigaria a competir. Mas isso não é novidade, e sim bom senso.

“Marc tirou um peso das costas depois de Jerez. E nós, em Le Mans, depois da queda, quando ele nos contou o que estava acontecendo”, reconheceu ao Motorsport.com uma fonte da equipe da Ducati.

Após o GP da Espanha, Márquez deu um passo à frente e foi ao médico, para que examinassem aquele ombro que, no momento mais inesperado, se deslocou.

“Antes disso, dei um tempo porque cheguei a pensar que, talvez, o problema fosse eu, que tivesse um bloqueio mental. Agora já sei que não", reconheceu o piloto espanhol, que com essa atitude voltou a destacar um de seus maiores pontos fortes: sua capacidade de questionar a si mesmo, da mesma forma que fez quando renunciou ao último ano de seu contrato milionário com a Honda – mais de 20 milhões de euros –, para saber se seria capaz de voltar a ser competitivo com uma Ducati.

 

Depois de tirar esse peso das costas e com a operação já marcada, Márquez reduziu ao máximo o círculo de pessoas a quem contou seus planos. “Ele só contou para o Gigi [Dall'Igna] e para o Marco [Rigamonti, seu engenheiro de pista]".

"E fez isso porque eles têm acesso direto aos seus dados. Assim, eles poderiam entender o que acontecia se ele acelerasse em uma volta e não em outra”, relatou ao Motorsport.com uma fonte da equipe italiana.

Dentro da oficina, os técnicos mais próximos do heptacampeão da MotoGP passaram da inquietação, antes de Le Mans, para o alívio. Na verdade, Davide Tardozzi, o chefe de equipe da Ducati de fábrica, tinha planejado ir visitá-lo em casa, para saber se havia motivos para se preocupar.

Evidentemente, com a revelação após a prova na França, essa viagem foi cancelada na mesma medida em que se dissipou qualquer dúvida que pudesse ter surgido em torno das intenções do grande astro da empresa.

Todo esse processo só deixa claro que a motivação de Márquez continua intacta para seguir em frente, enquanto o corpo aguentar e o cronômetro confirmar.

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