Assinatura do Pacto de Concórdia da MotoGP se aproxima após negociações acelerarem
Atual contrato comercial do Mundial de Motovelocidade com as fabricantes e as equipes expira no final do ano
Foto de: Steve Wobser / Getty Images
Após meses de negociações e momentos de tensão, a promotora do MotoGP e as cinco fabricantes participantes aproximaram-se significativamente de um acordo que poderá definir o quadro comercial da categoria rainha para os próximos cinco anos.
As negociações em andamento entre a Dorna Sports (recentemente renomeada como MotoGP Sports Entertainment Group) e a associação de fabricantes (MSMA), juntamente com as equipes, já se estendem por quase um ano.
Em jogo está um novo acordo cobrindo o período de 2027 a 2031, delineando direitos e obrigações de ambas as partes, bem como a distribuição das receitas geradas pelos direitos comerciais do campeonato, principalmente de televisão.
O acordo é amplamente visto como o equivalente da MotoGP ao Pacto de Concórdia da Fórmula 1, que rege a estrutura comercial e regulatória da categoria.
Após uma série de reuniões individuais e coletivas, o Motorsport.com apurou que as posições convergiram consideravelmente nos últimos dias. Isso aumentou a perspectiva de um avanço — potencialmente já neste fim de semana, no GP dos EUA em Austin.
Espera-se que executivos seniores da Liberty Media, proprietária do campeonato, estejam presentes no Circuito das Américas (COTA), tornando-o o cenário ideal para finalizar o acordo.
“No momento, não estou autorizado a falar sobre esse assunto, porque há um porta-voz cuidando disso”, disse Massimo Rivola, CEO da Aprilia Racing e atual presidente da MSMA, ao Motorsport.com durante uma conversa em Goiânia.
Rivola se referia a Lin Jarvis, que foi nomeado pelas fabricantes como representante e contato com a Dorna nessas negociações.
“Dito isso”, acrescentou Rivola, “os Estados Unidos são um local muito adequado para nos reunirmos, já que é a sede da Liberty Media. Vamos ver se temos alguma novidade depois de Austin".
As negociações têm se mostrado complexas, com os termos financeiros representando o principal ponto de discórdia.
Enquanto a MotoGP tem pressionado por um pagamento anual fixo - com um valor que tem flutuado ligeiramente nas últimas semanas - , as equipes buscam uma mudança estrutural em direção a um modelo de repartição de receitas baseado em uma porcentagem da receita total, semelhante ao sistema usado na F1, também de propriedade da Liberty.
O Motorsport.com apurou que a oferta atual da MotoGP está na casa dos 9 milhões de euros por ano por equipe (cerca de R$ 54 milhões), distribuídos entre vários componentes. As equipes, no entanto, preferem adotar o modelo ao estilo da F1, acreditando que ele reflete melhor o potencial de crescimento do campeonato em termos de popularidade e negócios.
Carmelo Ezpeleta, CEO da Dorna Sports
Foto: Alexander Trienitz
Embora os termos financeiros tenham gerado a maior tensão, eles não são o único ponto de discórdia. Outra questão fundamental diz respeito à propriedade das vagas no grid. De acordo com o contrato atual — que expira no final desta temporada — essas vagas são controladas pela Dorna.
As equipes estão pressionando para mudar isso, argumentando que deter os direitos elas mesmas aumentaria significativamente seu valor nas negociações com patrocinadores e potenciais investidores.
A minuta do acordo também inclui disposições relacionadas às obrigações das equipes, particularmente em áreas ligadas a atividades promocionais e comerciais.
Além do alívio imediato que viria com a assinatura do novo acordo, espera-se que um de seus efeitos colaterais seja uma onda de anúncios relativos ao mercado de pilotos de 2027 e às parcerias entre equipes e fabricantes.
Até o momento, apenas a renovação de Marco Bezzecchi com a Aprilia foi oficialmente confirmada — uma situação que está longe de ser coincidência. Apurou-se que isso faz parte de uma estratégia mais ampla coordenada dentro da MSMA para pressionar o promotor.
Essa pressão, no entanto, é relativa. Nos bastidores, as fabricantes já estão bem avançados em seus projetos para 2027, que serão construídos em torno dos novos regulamentos para protótipos de 850 cc.
DOMÍNIO da APRILIA no Brasil: e aí, Márquez? DIOGO, problemas e BASTIDORES do Pódio Cast em Goiânia!
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