Entenda entrave que impede que "Pacto de Concórdia" da MotoGP seja assinado pelas montadoras
Acordo comercial que rege a categoria entre 2027 e 2030 está em negociação há mais de um ano, mas o fator Liberty Media impacta as negociações
Antes da pausa forçada por conta do adiamento do GP do Catar, as fabricantes e a diretoria-executiva da MotoGP se reuniram em Austin para uma reunião muito importante, que deve definir o futuro da categoria. Mas, apesar das expectativas, o acordo comercial não foi assinado por conta de divergências entre as partes, especialmente as de natureza econômica.
A MotoGP também tem a sua versão do "Pacto de Concórdia" da F1, um acordo comercial com validade de cinco anos que determina toda a governança e distribuição de verbas da categoria.
Antes da reunião em Austin, muitos esperavam que a assinatura fosse uma mera formalidade entre a Associação das Montadoras (MSMA) e a MotoGP Sports Entertainment Group (MSE, ex-Dorna). Porém, segundo apurado pelo Motorsport.com, há uma divergência de posição que separa os dois grupos, e mantém esse acordo incompleto há mais de um ano.
O contrato que está em discussão vinculará todas as equipes da categoria rainha à Liberty Media, detentora dos direitos da categoria, para o período entre 2027 e 2031. Nele estarão refletidos os direitos e as obrigações das duas partes, sendo o aspecto econômico o ponto de maior conflito entre os interesses de uns e de outros.
Os fabricantes querem uma distribuição mais equitativa dos direitos de transmissão televisiva
Foto de: Gold and Goose Photography / LAT Images / via Getty Images
As equipes pedem a implementação do modelo utilizado na Fórmula 1 e que recebam uma porcentagem dos lucros. A MSE quer manter o modelo atual, que estipula um valor específico que não depende dos lucros globais.
A última proposta girava em torno de oito milhões de euros, distribuídos em diferentes variáveis. Isso representa um aumento de cerca de um milhão de euros em relação às condições do contrato atual, que expira no final do ano.
As equipes consideram esse aumento insuficiente e assim o têm comunicado até agora a Carmelo e Carlos Ezpeleta, CEO e Diretor Esportivo da MotoGP, respectivamente.
No domingo, em Austin, também transmitiram isso aos principais responsáveis da Liberty Media, com Derek Chang, o CEO, à frente. Esse encontro pode significar uma mudança de ritmo em uma operação que estagnou e que mantém em pausa os anúncios de todas as contratações e renovações com vistas a 2027 que já foram formalizadas.
Uma oportunidade para as fabricantes
Se a situação chegou a este ponto, é porque os construtores identificaram este momento como uma oportunidade única para reivindicar suas demandas. E não apenas porque estamos a oito meses do término do acordo atual, mas devido à conjuntura pela qual o campeonato está passando em decorrência da aquisição pela Liberty Media.
Até agora, a diretoria da Liberty tem se mantido bastante à margem da tomada de decisões. No entanto, existe uma corrente de pensamento dentro do paddock que defende que isso pode mudar assim que o novo contrato for assinado, o equivalente ao “Pacto da Concórdia”.
Cientes da importância da reunião de domingo em Austin, o Motorsport.com apurou que os membros da MSMA se reuniram para um jantar no sábado. O encontro foi promovido pela Ducati e organizado pela Aprilia, com vários representantes de cada uma das marcas.
Entre os participantes, destacaram-se os nomes de: Michele Colanino, CEO do Grupo Piaggio (holding da KTM); Claudio Domenicali, CEO da Ducati; e Gottfried Neumeister, da KTM. A Honda enviou Yuzuri Ishikawa (responsável pelo programa de MotoGP) e Alberto Puig (chefe de equipe); enquanto Paolo Pavesio (diretor) liderou a representação da Yamaha. Nessa espécie de conclave, foi definida a estratégia para o confronto decisivo da manhã seguinte.
Os chefes da Yamaha, Ducati, Aprilia e KTM em animada conversa durante o último GP dos Estados Unidos
Foto de: Oriol Puigdemont
A reunião de domingo começou às 11h da manhã e se prolongou por cerca de uma hora. Pouco depois do meio-dia, a poucas horas do início da corrida de MotoGP, os chefes das montadoras saíram dos escritórios e se reuniram em um grupinho, à vista de todo o paddock, e lá permaneceram por uns bons 20 minutos, discutindo a jogada.
O Motorsport.com interpreta que a MSMA acredita que a versão preliminar atual contém uma série de limitações que tornam o acordo inaceitável. Além da remuneração mencionada algumas linhas acima, também existem outras cláusulas relativas à titularidade das vagas e a margem de manobra sobre elas. Acima de tudo, no que diz respeito à entrada de possíveis investidores.
Como é lógico, a vertente econômica abrange todos os âmbitos do debate em aberto. No que diz respeito às responsabilidades, a MSE exige que as equipes reforcem sua área de marketing e comunicação, em seu empenho de expandir a mensagem o máximo possível.
Além de solicitar que contratem mais pessoal para isso, também lhes é exigido que disponham de protótipos reais de MotoGP, e que funcionem, para uso em eventos promocionais.
E, continuando na vertente comercial, também lhes é solicitado que elevem o nível da hospitalidade oferecida aos seus convidados, sobretudo aqueles que utilizam refeitórios comuns nos eventos fora da Europa. “A proposta que temos neste momento prevê um aumento de um milhão de euros, e tudo o que nos estão a pedir já custa bastante mais do que isso”, contou ao Motorsport.com uma fonte a par das negociações.
Diante disso, a intenção da promotora, das fabricantes e das equipes independentes é chegar a um acordo, pois todos desejam competir em 2027.
Primeiro, a Associação de Fabricantes de Motos (MSMA), que fornece as motos, deve assinar com a MSE, e depois será a vez das outras partes. Resta saber se os atores que protagonizaram esse confronto serão finalmente capazes de encontrar um meio-termo entre si, ou se será necessário que alguém de nível superior desbloqueie a situação.
Dovi crava MÁRQUEZ 'EM APUROS'! Dúvidas na Ducati e PECCO 'na' Aprilia. DIOGO MOREIRA, M1GP e Cross
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