MotoGP - Acosta desabafa após vitória na Áustria: “Eu estava pensando em não estragar tudo de novo"
Piloto da KTM alcançou objetivo de conquistar primeira vitória na MotoGP após superar erro na sprint
Pedro Acosta sempre se lembrará deste 20 de setembro de 2026, marcado pelo GP da Áustria. Pelo resto de sua vida, esse será o dia em que ele finalmente conseguiu desencantar e conquistar sua primeira vitória na MotoGP. O espanhol destacou que a vitória é uma maneira fantástica de encerrar o ciclo com a KTM, dentro da etapa 'da casa' da marca austríaca.
Acosta era o grande favorito para conquistar essa vitória, como já havia ficado claro desde sexta-feira, e, dessa vez, ele não falhou, apesar do erro grave na sprint, quando caiu na curva 2 enquanto liderava com folga, o que o deixou sem a vitória a apenas três voltas do final.
Desta vez, ele aprendeu a lição e tornou-se assim o 17º vencedor espanhol na história da categoria rainha, justamente em seu último GP da Áustria como piloto da KTM antes de mudar-se para a Ducati. Dessa forma, ele também deu à equipe de Mattighofen sua primeira vitória na MotoGP em cinco anos, encerrando um jejum que se estendia desde que Miguel Oliveira venceu o GP da Tailândia no final de 2022.
“Ainda me lembro da última vez que venci, na Indonésia, na Moto2. A primeira vitória é sempre especial; é uma maneira fantástica de encerrar um ciclo com a KTM, diante de toda a torcida austríaca, com arquibancadas repletas de camisetas da KTM".
"Estou muito feliz por eles, porque merecem isso ainda mais do que eu. Eles formaram uma equipe incrível; quando ontem eu cometi um erro, eles me apoiaram. Ter conseguido dar a eles esse resultado hoje é fantástico”, disse Acosta.
Posteriormente, ele se abriu na DAZN sobre seus sentimentos ao voltar a vencer depois de mais de mil dias: “Já faz muito tempo desde a última vez na Moto2. É verdade que também não houve muitas outras oportunidades, mas a de ontem doeu bastante, sobretudo porque era uma realidade que já estava consumada".
"Hoje, eu caí no Warm Up por estar nervoso. Porque eu pensava: ‘Não posso estragar tudo de novo, não posso, se eu estragar...’”
Pedro Acosta, Red Bull KTM Factory Racing
Foto de: Gold and Goose Photography / Getty Images
“Tenho a sorte também de ter o Carmelo Morales [treinador e mentor] ao meu lado. Ele me disse: ‘Você está há três anos sem vencer, não vai acontecer nada se você não ganhar’. Mas, enfim, estou superfeliz. A KTM merecia isso, eles estão fazendo tudo o que podem, mesmo sabendo que nossos caminhos vão se separar. É como fechar o ciclo”, continuou.
O campeão da Moto2 e Moto3 explicou como administrou as últimas voltas, quando mais uma vez tinha a vitória praticamente garantida: “Acima de tudo, foi mais nas voltas 3 e 4 que eu disse a mim mesmo para me acalmar, para passar pela chicane da curva 2 com calma, sem pressa, e pela 9 também, que foi onde eu caí pela manhã..."
"O que aconteceu ontem foi uma cagada minha por ter perdido a concentração, e era isso que eu estava me lembrando hoje”.
Tricampeão da MotoGP, Jorge Lorenzo perguntou a Acosta como ele conseguiu realizar o milagre de finalmente vencer com a KTM: “Este foi um dos poucos circuitos em que a moto se adaptou desde o primeiro dia. Já fui muito rápido na sexta-feira, e é o que venho repetindo desde a pausa: que, pelo menos durante o fim de semana, houvesse uma melhora a cada dia".
"É verdade que no sábado, no TL2, ficamos um pouco estagnados. Mas, no fim das contas, foi mais uma questão de autoconfiança, de não parar de acreditar e de que algum dia isso iria acontecer. Aconteceu no GP de casa, então, melhor do que nunca”.
Acontece que Acosta estava acompanhado apenas por sua irmã, Miriam, e não por seus pais: “Meus pais estão em casa. Há corridas em que a tensão aumenta, e essa é uma delas. Muitas vezes é melhor vir com menos gente e que eles também aproveitem de casa, porque, no fim das contas, eu sei como fico, e eles também sabem. Então, muitas vezes é melhor deixar o lado sentimental de lado e se concentrar apenas no profissional".
"Ontem foi um golpe duro para todo mundo. Até eu, ontem à noite, estava remoendo isso na cama, dizendo: ‘Pedro, não estrague tudo de novo; termine, mesmo que seja no pódio, mas termine a corrida’. Nem sempre surgem oportunidades como a da sprint, e doeu muito ter desperdiçado essa, porque não foi algo que simplesmente me escapou”.
Acosta também falou sobre sua comemoração, caindo na curva 2, e a possibilidade de conseguir logo uma segunda vitória: "Caí exatamente onde caí ontem. Não sou muito de mostrar essas coisas, porque no fim das contas minha mãe não criou um chorão, mas bom, acho que com certeza a KTM vai fazer algo para comemorar".
"Tomara que a gente possa repetir, agora entramos na fase do campeonato em que a KTM e eu costumamos ser muito rápidos. Vêm Japão, Indonésia, pistas, sobretudo Indonésia, onde fui muito bem no passado".
"Em Motegi sempre fui rápido, mas nunca terminei, Austrália é mais difícil para nós, Sepang vai bem... Haverá mais oportunidades pontuais. Veremos como vão as Aprilia Racing Team e as Ducati. Mas vamos comemorar o dia de hoje", concluiu.
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