MotoGP - Fernández culpa Martín por acidente na Catalunha: “Não devia ter se metido”
Espanhol da Trackhouse encostou no titular da Aprilia na última volta
"Não preciso explicar nada, porque todo mundo viu o que aconteceu", disse Jorge Martín neste domingo na Catalunha, após uma queda que o privou de uma possível vitória e de assumir a liderança do Mundial de MotoGP.
No entanto, Raúl Fernández, o piloto que o atingiu na curva 5, pensa de forma totalmente oposta."Em primeiro lugar, sinto-me sortudo por não estar lesionado. Tenho contusões e ferimentos causados pelas peças com as quais bati. Até aquele momento, estávamos fazendo uma corrida muito positiva", começou.
"Como havia combinado, queria assumir a liderança para abrir vantagem e administrar a corrida. Não foi possível, porque Alex Márquez e Pedro Acosta estavam muito próximos. Espero que Alex esteja bem, foi uma batida muito forte”, continuou o piloto da Trackhouse, que não foi penalizado pela ação.
“A partir daí, mostraram duas bandeiras vermelhas. Lamento muito o incidente com Jorge Martín, mas estou muito chateado. Quando fui ultrapassá-lo, ele se posicionou. Visto de fora, parece que dei uma batida nele, e é verdade, mas antes disso, quando pisei no freio para ultrapassá-lo, ele me viu. Basta ver os dados e as imagens do helicóptero", argumentou Fernández.
"Ele levanta a moto e, quando vê que sou eu, volta a inclinar a moto totalmente. Nesse momento, já não posso fazer nada. Lamento muito porque tínhamos uma grande oportunidade de conquistar um pódio, que era o objetivo”, acrescentou.
Na última volta, Ai Ogura derrubou Pedro Acosta e o japonês foi punido, perdendo o quarto lugar.
"Minha ação é totalmente diferente da de Ogura, muito diferente. Se você analisar a imagem, vê um ponto em que eu não ia ultrapassá-lo, mas ele freia muito cedo, eu me assusto e a única possibilidade era entrar na curva, sem ultrapassar, mas dá para ver perfeitamente que ele levanta a moto e, quando vê que sou eu, a joga para dentro da curva. Isso já aconteceu no sábado, na sprint, quando perdi uma posição para Di Giannantonio, e hoje ele fez isso de novo e eu não pude evitar”, relatou.
Fernández também opinou sobre a decisão da direção de prova em relargar pela segunda vez após o acidente de Zarco. Apesar de identificar o perigo e a dificuldade da escolha, o titular da Trackhouse acredita que é preciso continuar.
"O mais importante é que Alex e Johann estejam bem. Às vezes não se dá o devido valor ao esporte que praticamos, privilegiado mas perigoso. É preciso sempre valorizar o piloto, faça ele bem ou mal, eles arriscam a vida a 300 km/h. Acho que viemos para correr, Não é uma decisão fácil, mas se tudo está bem e sob controle, é preciso seguir em frente", disse.
Sobre a diferença na forma como Martín via a manobra, Raúl não quis jogar lenha na fogueira: “Não tenho nada contra o Jorge, mas acho curioso que ele tenha feito a mesma coisa duas vezes. Felizmente, desta vez temos as imagens do helicóptero. Conversei com o Brivio e com o Rivola. Nas imagens, vê-se claramente a manobra”.
“Jorge e eu estamos em situações muito diferentes: ele é candidato ao título e eu não, mas eu tinha uma ótima chance de subir ao pódio. Eu queria assumir a liderança, e ele, em um fim de semana muito difícil, precisava garantir pontos e não se meter ali da maneira como se meteu”, avaliou.
Sobre se esse incidente pode prejudicar seu futuro na marca, Fernández acredita que não: “Eu coloco o capacete e faço meu trabalho da melhor maneira possível. Correndo ou não no ano que vem, vou dar tudo de mim. Temos a oportunidade de mostrar que somos competitivos e, em Mugello, vamos tentar de novo".
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