MotoGP: Martín revela problemas com síndrome compartimental em Misano e não descarta cirurgia
Espanhol acredita que o GP da Áustria do próximo fim de semana lhe dará a resposta necessária sobre o procedimento cirúrgico
Após terminar em quinto no GP de San Marino de MotoGP e perder a liderança do Mundial, Jorge Martín revelou que problemas com uma síndrome compartimental em seu braço limitaram sua performance em Misano. E o espanhol da Aprilia confirmou que não descarta fazer uma cirurgia ainda durante a temporada.
Com a queda de Marco Bezzecchi no início da prova, Marc Márquez e Jorge Martín despontaram como os principais candidatos à vitória neste domingo em Misano. O piloto da Aprilia chegou a ultrapassar o atual campeão na oitava volta de 27. Mesmo conseguindo abrir uma boa vantagem, o ritmo de Martín caiu repentinamente minutos depois, levando-o a cruzar a linha de chegada apenas em quinto.
Falando com a imprensa após a corrida, Martín revelou que seu desempenho foi muito prejudicado por uma síndrome compartimental no braço, condição médica que causa aumento da pressão no antebraço, restringindo o fluxo sanguíneo e causando dormência no local.
“Tive um grande problema com a síndrome compartimental”, revelou ele. “É uma pena, acho que perdemos uma grande oportunidade hoje. Eu estava me sentindo muito bem. Comecei muito bem. Achei que Marc fosse abrir vantagem, mas então eu o alcancei e assumi a liderança. Depois disso, eu até estava abrindo vantagem. Estava com um bom ritmo, sem forçar demais".
“Mas então comecei a ter problemas com a frenagem e depois com a aceleração, e a cada volta ficava pior e pior. No final, não pude fazer nada. Perdi completamente o controle da moto. É uma pena".
Jorge Martin, Aprilia Racing Team
Foto: Gold and Goose Photography / Getty Images
Martín revelou que já havia enfrentado alguns problemas durante os treinos de sexta-feira, mas que isso não é incomum em uma pista como Misano. No entanto, a questão se agravou durante a corrida, forçando-o a seguir com dificuldade nas últimas voltas.
“Na sexta, eu estava testando um pouco com o braço, mas normalmente isso acontece em Misano. Normalmente, me recupero muito bem, depois me adapto e, no dia seguinte, me sinto melhor. Ontem, estava um pouco no limite, mas estava tudo bem para a sprint".
“Hoje, eu tinha isso em mente e estava tentando pilotar de forma bem suave. Esta é uma pista em que todos temos dificuldade com a síndrome, mas, no meu caso, ela estava completamente atacada. Não pude fazer nada. Todo mundo estava me ultrapassando entre a 5ª e a 6ª posição porque eu nem conseguia mexer com o acelerador".
Operar ou não?
Martín disse que a gravidade do caso pode levá-lo a se submeter a uma cirurgia após o GP da Áustria. No entanto, com oito etapas programadas ao longo das próximas nove semanas (em meio a dúvidas sobre o futuro do GP do Catar), o espanhol continua sem saber ao certo se poderá arriscar-se a passar por uma cirurgia enquanto briga pelo título.
“Agora não temos tempo para fazer nada. Tenho que me recuperar bem e tentar manter o foco na Áustria, mas precisamos entender o que fazer depois da Áustria, se terei que me submeter à cirurgia ou não. São muitas corridas em sequência, então não sei se a melhor opção é operar ou não. Essas são coisas que não posso controlar".
“Agora tenho essa dúvida sobre meu braço. Acho que na Áustria isso não será um problema, mas não sei. Com certeza, será um bom teste. Lá, se eu não tiver nenhum problema, talvez possamos seguir em frente, esquecer isso, mas talvez isso aconteça de novo em outra corrida".
“Isso pode ser um grande fator para perder este campeonato ou não — ou talvez não. Não sei".
Após o GP de San Marino, Márquez está agora empatado com Martín na liderança, com Bezzecchi mais 33 pontos atrás, em terceiro lugar.
Questionado se já havia sofrido de síndrome compartimental antes, Martín disse: “Tive em 2019 e passei por uma cirurgia. Depois disso, nunca mais tive esse problema. Consegui vencer aqui no passado. Vi vários pilotos que tiveram o problema, tendo que se submeter à cirurgia mais uma vez; então, talvez seja o meu caso, ou talvez não".
“Vou tentar entender isso com os médicos e também levar em conta o tempo de recuperação, e vamos ver o que posso fazer. Não quero perder a oportunidade. Me sinto pronto para lutar pelo campeonato. Hoje, eu estava pronto para lutar pela vitória. Isso é algo que não posso evitar, mas precisamos verificar".
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