MotoGP: Pilotos testam largada sem dispositivo de ajuste de altura, que será banido ainda em 2026
Introduzido pela Ducati em 2019, dispositivo é criticado, mas foi adotado por todas as motos do grid, e seu uso será proibido a partir de Silverstone
Antes mesmo da chegada das novas motos 850cc, a MotoGP passará por uma mudança importante ainda em 2026, com a proibição do uso dos dispositivos de ajuste de altura, chamados de holeshot, introduzidos pela Ducati em 2019 e que se tornou a 'norma' do grid, apesar de inúmeras críticas dos pilotos. E, nesta sexta-feira em Brno, os pilotos puderam testar como será a nova largada a partir do GP da Inglaterra.
Estes dispositivos consistem em um sistema hidráulico sem eletrônica que baixa a moto, tanto no grid, quando é usado um dianteiro, quanto em movimento, onde o traseiro é acionado.
Já era sabido que esse dispositivo seria banido das novas motos 850cc mas, em meio às discussões do novo acordo comercial, foi acordado também que a proibição viria mais cedo do que o esperado: a partir do GP da Inglaterra, em Silverstone, marcado para 09 de agosto, marcando o retorno do Mundial após a pausa de verão.
Nesta sexta-feira, em Brno, a direção da MotoGP programou uma sessão de testes de largada sem o dispositivo dianteiro, para recolher dados e informação por parte dos pilotos, que no final do dia deram a sua opinião sobre a novidade.
"Acho que têm de nos dar um pouco mais de tempo para nos adaptarmos", disse Marco Bezzecchi. "É uma ideia que está a ser considerada, será preciso avaliá-la depois de a experimentar várias vezes. Neste momento não tenho um veredito", sobre se é melhor banir ou não.
Marco Bezzecchi, Aprilia Racing
Foto de: Gold and Goose Photography / Getty Images
"Eu, quando cheguei à MotoGP, estes dispositivos já tinham sido introduzidos. Pode ser que depois do próximo GP, em que continuaremos a testá-lo, eu tenha uma ideia mais clara. É mais seguro que nos deem mais algum tempo. Agora parece que tudo seja culpa do regulador de altura, mas eu prefiro fazer mais testes. De qualquer forma, eu aceitarei o que me disserem", disse o italiano.
Para o seu companheiro de equipe, Jorge Martín, existe sim um fator de segurança que o leva a concordar com a supressão do dispositivo. "Correu bem, chegamos mais lento à primeira curva, mas o tempo [de 0 a 100] não é tão diferente sem os dispositivos, por isso acho que para a Aprilia não é um grande problema não os ter", avaliou.
Pedro Acosta, Red Bull KTM Factory Racing
Foto de: Gold and Goose Photography / Getty Images
Outro que apoiou a moção de o retirar de forma imediata foi Pedro Acosta.
"Nos testes de largada não tenho a sensação de que seja mais seguro. Eu, se pudesse, tiraria os dispositivos de altura, tirava os dois e pronto. É uma mudança que teremos de fazer em quatro meses. Se vai tirar, tira os dois ou não tira nenhum. Com o da frente ativado você ainda consegue fazer a curva; com o de trás, não", disse o espanhol da KTM.
Piloto da Ducati, Pecco Bagnaia, vai na linha dos que consideram que é mais seguro retirá-los, mas pediu que os pilotos fossem à Comissão de Segurança para discutir o assunto de forma mais plena.
"Cada um olha pelos seus interesses, e é normal que assim seja. Espero, pelo menos, que os pilotos vão à Comissão de Segurança para poder discuti-lo", pediu. "Senti-me muito bem nos testes de largada sem o regulador dianteiro. Gostava que os retirassem desde já. Para mim, é muito mais seguro sem eles".
"O teste com e sem o regulador, está claro que a largada é mais lenta sem o dispositivo", disse o campeão de 2020 Joan Mir. "Mas a curva acaba sendo feita de forma muito mais previsível. Para mim, é mais perigoso com o sistema. Por mim, tira", defendeu, como a maioria.
Diogo Moreira, Team LCR Honda
Foto de: Gold and Goose Photography / Getty Images
Já Diogo Moreira acredita que sem os reguladores de altura, o papel do piloto será maior.
"Testei a moto de manhã sem dispositivo e é mais fácil, mais seguro para todos. Não é preciso frear tão forte na primeira curva, você pode jogar mais com a moto. Acho que a largada e a primeira curva serão mais limpas, mas não faço ideia se vai ser retirado este ano".
"O problema não é o de trás, é o dispositivo da frente. Se retirarem, o piloto poderá atuar mais, jogando com a embreagem, a largada será mais interessante porque o piloto poderá fazer a diferença".
Quem não quis complicar a vida foi Marc Márquez. O atual campeão do mundo está voltando de uma lesão e continua poupando toda a energia que pode. Por isso, prefere não complicar sua vida.
"Fiz todos os testes com os reguladores ativados, porque nesta corrida vamos usá-los", disse Márquez, revelando que não fez nenhuma tentativa sem o dispositivo de ajuste de altura, esperando as próximas etapas para fazer isso, enquanto segue melhorando seu condicionamento físico.
MOREIRA GANHA IMPORTÂNCIA INÉDITA na MotoGP em Brno! MÁRQUEZ x Bezzecchi, WSBK, Bê Tibúrcio e mais!
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