ANÁLISE MotoGP: Por que Jerez é reduto da Ducati e desafio definitivo para Aprilia
Se o GP dos EUA foi um verdadeiro teste de fogo para a Aprilia, talvez a prova em Jerez seja ainda mais
O GP dos Estados Unidos de MotoGP foi visto como um verdadeiro teste de fogo para a Aprilia, e com razão. A equipe italiana vinha de quatro vitórias consecutivas, reivindicando seu lugar como marca de referência na categoria rainha, mas chegava a um local onde não era considerada a favorita, já que se tratava de um dos redutos de Marc Márquez.
O resultado final foi quase insuperável para os italianos, com Jorge Martín vencendo a corrida sprint no sábado e Marco Bezzecchi impondo-se no domingo sobre seu companheiro de equipe para se redimir de uma queda sofrida no dia anterior. A Ducati, por sua vez, não conseguiu subir ao pódio, com Marc Márquez terminando em quinto, atrás de Fabio Di Giannantonio.
A conclusão das três primeiras corridas, fora da Europa, é clara: a Aprilia é o adversário a ser batido. Mas com a chegada ao velho continente, com o GP da Espanha, é preciso voltar a colocar em pauta a questão de que a fabricante italiana deve consolidar sua superioridade em relação às rivais.
E não tanto pelo que se costuma dizer de que 'a MotoGP realmente começa na Europa', mas pelos antecedentes que a Aprilia tem no traçado de Jerez, uma pista que, nos últimos anos, tem sido claramente território da Ducati.
Afinal, nas últimas 5 temporadas, a Aprilia só conseguiu conquistar um pódio em Jerez. E é preciso voltar à temporada de 2022, quando Aleix Espargaró conquistou o terceiro lugar, num ano em que o catalão vinha de vencer na Argentina e também de ficar em terceiro em Portimão. O #41 acabaria dando à Aprilia sua melhor temporada até 2025, permanecendo na briga pelo título até a reta final da campanha.
Aleix Espargaró, Aprilia Racing
Foto de: Dorna
Além disso, Espargaró também foi o melhor da Aprilia em Jerez em 2021 (sexto) e em 2023 (quinto na corrida de domingo). Em 2024, com a RS-GP da Trackhouse, Miguel Oliveira ficou em oitavo na sprint e na prova principal.
E no ano passado, o oitavo lugar também foi o melhor resultado da Aprilia, com Marco Bezzecchi no sábado e Ai Ogura no domingo (ambos ainda disputando suas primeiras corridas com a Aprilia, e o japonês como estreante na MotoGP).
Um desempenho totalmente oposto ao que a Ducati tem apresentado na pista espanhola. A equipe venceu todos os domingos em Jerez de forma ininterrupta desde 2021. Naquela ocasião, eles fizeram uma dobradinha, com Jack Miller vencendo Pecco Bagnaia.
Em 2022, o italiano assumiria a ponta, superando por uma diferença mínima seu rival pelo título, Fabio Quartararo, por apenas dois décimos, demonstrando também que Jerez sempre foi favorável à Yamaha por suas curvas (o francês chegou a conquistar a pole no ano passado).
Em 2023, a KTM deu um susto na Ducati, com Brad Binder vencendo a corrida sprint no sábado. Mas a equipe italiana revidou, com Bagnaia vencendo o sul-africano e Jack Miller na prova de domingo. Em 2024, chegou o primeiro grande golpe da Ducati.
Embora Jorge Martín (Pramac Ducati) já tivesse vencido a sprint, no domingo a Ducati demonstrou todo o seu potencial. Bagnaia venceu Marc Márquez (Gresini) na disputa pela vitória, mas da mesma forma as Desmosedici GP dominaram todo o Top 5, com Bezzecchi (VR46) em terceiro, Alex Márquez (Gresini) em quarto e Enea Bastianini (Ducati) em quinto.
Pódio: vencedor Francesco Bagnaia, Ducati Team; segundo Marc Márquez, Gresini Racing; terceiro Marco Bezzecchi, VR46 Racing Team
Foto de: Dorna
Mas, se em 2024 foi um domínio no top 5, em 2025, pelo menos na sprint, foi um domínio no Top 6 para a Ducati. A marca colocou todas as motos que tinha no grid nas primeiras posições: Marc Márquez venceu à frente de seu irmão Álex, Bagnaia completou o pódio, Franco Morbidelli ficou em quarto, Fermín Aldeguer em quinto e Fabio Di Giannantonio em sexto.
A corrida de domingo, porém, foi mais agitada. Em uma jornada em que Márquez caiu e terminou em 12º, a vitória ficou com Álex Márquez, a primeira de sua carreira na MotoGP, à frente da Yamaha de Quartararo, com Bagnaia fechando o pódio em terceiro lugar.
Dessa forma, é de se esperar que a Ducati seja mais forte em Jerez do que em circuitos como Goiânia e Austin, no que diz respeito a todas as Desmosedici GP como um todo, e com Márquez como o 'líder'. Mas é bastante provável que a Aprilia dê um salto em relação ao que se viu no circuito espanhol em comparação com anos anteriores.
Na Ducati, de fato, eles esperam isso. Foi o que previu Davide Tardozzi, chefe de equipe, no Brasil: “Acho que a Aprilia continuará competitiva em Austin, mas tenho certeza de que a Ducati estará mais perto".
"Também em Jerez eles serão muito fortes. Mas podemos estar mais próximos. Conhecemos o problema e estamos buscando uma maneira de resolvê-lo”, comentou sobre o que está acontecendo com a Ducati.
Jerez dará o veredito definitivo sobre quem está na liderança da MotoGP.
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