MotoGP: Rivais barram pedido da KTM para abertura dos motores em meio a problemas de confiabilidade
Chefe da marca alemã afirmou que a equipe de fábrica precisa contornar o congelamento do motor durante a metade de 2026 — mas apenas a Aprilia aprovou
O chefe de esportes a motor da KTM, Pit Beirer, admitiu que há algo de errado no motor da moto RC16 de MotoGP, conhecida por sua falta de confiabilidade — e que a fabricante está buscando uma permissão especial para investigar o problema.
Uma série de quebras da KTM no primeiro semestre de 2026 teve como destaque o assustador acidente em Barcelona envolvendo Álex Márquez, que bateu na traseira de Pedro Acosta quando a RC16 de fábrica deste último parou repentinamente em alta velocidade.
As falhas contínuas não são apenas uma preocupação para a KTM, mas também para a segurança dos pilotos em geral. Seguir uma RC16 em pista está se tornando algo questionável do ponto de vista da segurança — mas as regras de homologação de “congelamento de motores” na MotoGP não permitem que a marca austríaca abra seus motores para verificar o que está errado.
Beirer está usando esse argumento de segurança ao tentar obter permissão especial para contornar o congelamento — uma medida que deve contar com a aprovação de todas as quatro fabricantes rivais.
O Motorsport.com apurou que várias reuniões foram realizadas durante o fim de semana em Sachsenring, enquanto a KTM tentava convencer seus concorrentes. Mas apenas uma das outras fabricantes deu o aval.
Em entrevista à Sky Italia, Beirer disse que a Aprilia já havia dado seu aval a tal medida.
“Quero agradecer a Fabiano Sterlacchini e Massimo Rivola, da Aprilia, que estão nos ajudando”, disse Beirer, citando o diretor técnico e o CEO da marca italiana, respectivamente. “A situação não é fácil, há algo errado dentro dos nossos motores".
“Sabemos que ainda existe esse risco com algumas peças... há um problema, e precisamos resolvê-lo. Precisamos aproveitar a pausa de meio de temporada para isso”, acrescentou o chefe da marca austríaca, destacando que as férias seriam o momento ideal para uma investigação minuciosa.
A KTM tem enfrentado problemas de confiabilidade nesta temporada
Foto: Gold and Goose Photography / Getty Images
Há um precedente de concessão de permissão especial para que fabricantes façam ajustes em suas unidades de potência — como no caso da Yamaha em 2020. Naquela ocasião, porém, a fabricante já havia identificado o problema: válvulas de um fornecedor cujas dimensões haviam mudado.
Neste caso, porém, não há certeza de que a KTM saiba qual é o problema. E, dada a disputa acirrada do campeonato deste ano, parece que a Ducati, a Honda e a Yamaha não estão dispostas a conceder qualquer vantagem percebida — especialmente tendo em vista as regras que limitam o número de motores a serem usados ao longo de uma temporada.
As fabricantes da MotoGP acima das concessões da categoria D — dos quais a KTM faz parte — devem lacrar seus motores antes da primeira corrida da temporada, entregando uma unidade idêntica à direção técnica da IRTA, para que haja sempre uma máquina de referência com o qual comparar as peças.
Uma vez selado, o motor não pode ser aberto e, muito menos, desmontado sem a autorização de todos os membros da associação MSMA — ou seja, das fabricantes.
ÁLEX e DIGGIA na KTM, Mir na Gresini e... DIOGO na HRC? Tudo do mercado! MARC x Aprilia na Alemanha?
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