NASCAR ‘renova’ fé com Brasil mesmo após reestruturação nos EUA
Em entrevista exclusiva ao Motorsport.com em Interlagos, Chad Seigler, vice-presidente internacional da NASCAR, analisou momento do País
Foto de: Divulgacao
A NASCAR Brasil realizou a terceira da temporada de 2026 em Interlagos, palco que também é reservado normalmente para receber executivos da NASCAR dos Estados Unidos.
A ‘comitiva’ americana foi mais uma vez capitaneada por Chad Seigler, vice-presidente internacional da NASCAR, que atendeu mais uma vez a equipe do Motorsport.com com exclusividade.
Em pauta, os projetos que podem levar o Brasil a receber uma etapa da Cup no futuro, o status atual da NASCAR Brasil, entre outros assuntos.
Há poucas semanas a NASCAR anunciou uma série de mudanças estruturais. Steve O’Donnell foi promovido a CEO, enquanto Ben Kennedy - bisneto do fundador da categoria - foi colocado como o novo COO da categoria. As mudanças vêm na esteira da saída de Steve Phelps, que ocupava o cargo de comissário.
Ao ser questionado sobre se tais alterações poderiam comprometer os planos internacionais da NASCAR, Seigler justificou seu otimismo.
“Se houve mudança, eu diria que foi para melhor”, comentou. “Ainda há um forte impulso para a expansão internacional. Já tive a oportunidade de me reportar ao Steve O’Donnell. Ele é um grande defensor do internacional, morou fora dos Estados Unidos quando era criança, no Egito, e ele dirá que o próximo passo para nós é sair dos EUA, então acho que isso é o mais empolgante.”
“Sobre Ben, ele está muito envolvido no negócio principal, mas muita gente talvez não lembre que o Ben trabalhou na nossa equipe internacional por dois, três, quatro anos. Então ele acredita nisso, acho que essa parte é empolgante para nós. Creio que ainda é um daqueles projetos que, quando as pessoas falam sobre iniciativas de crescimento, o internacional está sempre entre os dois ou três principais que estamos analisando.”
“Olhamos para nossa equipe internacional, e se você voltar três, quatro anos atrás, quando conversamos aqui pela primeira vez, tínhamos uma equipe de dois ou três, e depois a equipe continuou crescendo e crescendo, e acho que agora somos oito ou nove, focados no negócio internacional todos os dias, então acho que isso mostra nosso compromisso.”
NASCAR Cup Series no Brasil?
A pergunta que todo fã da NASCAR faz, especialmente após a prefeitura do município e o governo do estado de São Paulo demonstrarem apoio à realização de uma corrida da Cup no Autódromo de Interlagos, é se efetivamente o principal campeonato do esporte a motor das Américas fará evento em São Paulo.
“Bem, não tenho nenhuma novidade para dar agora. Olhando para o internacional da NASCAR, esperamos que seja mais uma questão de quando [vai acontecer], e não se [vai acontecer].”
“Continuamos analisando e o mercado continua crescendo. Acho que, naturalmente, quando você começa a olhar para onde ir fora dos Estados Unidos, a América do Norte é o lugar mais fácil, porque você ainda pode fazer do jeito que fazemos nos Estados Unidos, que é movendo muita coisa por caminhões, mas também sabemos que, se você quiser crescer, tem que crescer fora dos EUA, fora da América do Norte.”
“E olhando para o Brasil, você tem um lugar com cultura de automobilismo, temos uma marca aqui que estamos trabalhando para construir a NASCAR Cup, então sabemos que podemos ter sucesso aqui.”
“Você adiciona isso a um lugar com diferença de fuso horário de uma ou duas horas, no máximo, e um público enorme, então me sinto confiante em dizer que o Brasil é um desses mercados que definitivamente olhamos e dizemos: será que poderíamos ter sucesso trazendo a principal categoria para cá? Não tenho dúvida de que poderíamos.
NASCAR Brasil
Presente em Interlagos, Seigler acompanhou mais uma etapa da NASCAR Brasil e ressaltou que, mesmo com o momento muito positivo da categoria, todos os envolvidos querem acelerar ainda mais neste crescimento.
“Estamos muito otimistas. Acho que, se você olhar para trás, quando começamos as negociações, que parecem que foi ontem, acho que todos tínhamos uma visão de onde queríamos estar, e eu diria que já ultrapassamos isso. Ainda não estamos satisfeitos, e sei que Carlos Col e Thiago Marques também não estão e estamos em um modo de crescimento contínuo.”
“Então, agora a pergunta para nós é como continuar capitalizando isso? Como garantir que você tenha os parceiros de transmissão certos? Como ter a comercialização certa? Estou realmente animado com o que estamos fazendo no lado do desenvolvimento de pilotos. Temos um processo em andamento em que vários pilotos vão para os Estados Unidos. Como eu disse mais cedo, o talento neste país é impressionante, especialmente do ponto de vista de um piloto de corrida. “
“Se há um desafio, é que não há muitas pistas ovais, e eles estão tentando. Se você quer ter sucesso na NASCAR, vai ter que competir contra os melhores dos melhores que cresceram em ovais. Então, essa é uma iniciativa na qual temos trabalhado muito em nosso programa de desenvolvimento, trazendo um número seleto de pilotos aos EUA a cada ano, por meio de um processo de seleção, para que aprendam como é ser um piloto da NASCAR nos EUA, aprendam como é pilotar em uma pista oval, tanto em testes quanto em corridas. Isso tem sido um foco importante para nós.”
O ‘fenômeno’ SVG
Saindo do Brasil, o assunto que fechou a entrevista foi o sucesso que Shane Van Gisbergen vem tendo nos Estados Unidos e como isso faz com que o departamento internacional da NASCAR se beneficie.
“Não me lembro de ter visto um piloto chegar e dominar uma disciplina específica como ele. É louco pensar no que ele faz, o que temos visto é um aumento na audiência na Austrália. Vimos um crescimento nos licenciamentos, no apoio dos fãs e nas vendas de merchandising por lá. A Trackhouse fez um trabalho incrível desde que entrou no esporte. Justin [Marks] e a equipe sempre dizem que isso é mais do que apenas carros de corrida.”
“Trata-se de construir um estilo de vida, construir uma marca, e você vê o que eles estão fazendo com o Connor [Zilisch], a Red Bull e toda essa conexão. Mas é importante para nós porque ainda vemos que, nesse esporte, os pilotos são o que realmente fazem a diferença. É um esporte de equipe. É um esporte muito técnico, de engenharia pesada, mas o que realmente move a agulha são os pilotos.”
“Você vê o que Daniel Suárez fez por nós para a base de fãs no México e o que Shane fez, e isso faz parte do que nossa equipe faz. Como garantir que o próximo Shane seja brasileiro? Porque no momento em que fizermos isso, a paixão deste país e este mercado vão explodir para nós”, concluiu.
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