Pular para o conteúdo principal

Relembre saga da primeira equipe brasileira da história da NASCAR

X Team Racing ‘revelou’ Daniel Suárez e venceu com Nelsinho Piquet. Geraldo Rodrigues, um dos proprietários do time, também busca emular caminho a Arthur Gama

Sede da X Team Racing

Sede da X Team Racing

Foto de: Divulgacao

Desde 2023 o Brasil tem a sua própria NASCAR, com a principal categoria das Américas, uma das mais importantes do mundo, ‘batizando’ o campeonato que mais tem crescido nos últimos anos no País.

Leia também:

Além disso, o caminho para os Estados Unidos tem sido visto como uma real possibilidade para pilotos brasileiros, especialmente os mais jovens.

O País já teve nas três principais categorias da NASCAR americana Christian Fittipaldi, Nelsinho Piquet, Miguel Paludo e, mais recentemente, Helio Castroneves, na Daytona 500 de 2025, além de uma leva de competidores nas séries regionais e Late Models.

Mas se  enganam aqueles que acreditam que estas são as únicas investidas do Brasil na NASCAR. Há 15 anos surgia a X Team Racing, a primeira equipe brasileira na categoria, capitaneada por Geraldo Rodrigues, que também contou com o engenheiro Laerte Zatta.

Carro da X Team Racing

Em entrevista exclusiva ao Motorsport.com, Geraldo detalhou como tudo começou e como surgiu a ideia de ter um time brasileiro na NASCAR, o que poderia parecer uma loucura na época.

“Eu tinha vendido a agência aqui e eu decidi morar nos Estados Unidos”, disse Geraldo. “E eu comecei a ir às corridas. Normalmente sempre encontro um mecânico, um engenheiro que eu conheço. Na NASCAR eu vi que eu não conhecia nada e ninguém.”

“Então eu falei, ‘cara, o único jeito de eu conseguir entrar nesse mundo é, talvez, montando uma equipezinha’, não era lógico na Cup, nem na Nationwide (atual O’Reilly Auto Parts Series). Era o que chamava K&N Series (atual ARCA) e tentar fazer parte da família.”

A ideia veio de encontro com os primeiros passos do programa de diversidade da NASCAR.

“Aí eu fiquei sabendo que a NASCAR estava começando com um programa de diversidade, porque o Juan Pablo Montoya não estava mais correndo, então não tinha mais nenhum piloto latino. E aí eu fui com um diretor que era específico para isso, apresentei um projeto a ele e ele nos ajudou.”

“E por sorte eu tinha um amigo em comum, um engenheiro que trabalhava na Toyota – o Laerte Zatta - e me apresentou para a equipe Joe Gibbs. Exatamente, ele mesmo. E aí a gente foi na Joe Gibbs Racing, conheci o Steve de Souza, que se tornou um amigo.”

Daniel Suarez

E a equipe começou dando mostras que poderia ser grande no futuro, contando com a sorte logo no início, na aquisição de carros.

“E como naquele ano estavam ‘escrapeando’ os carros, ele liberou da gente comprar. Eu fui lá para comprar dois ou três carros. Comprei nove. Primeiro, porque era barato. Só eram os tubos e a carroceria, não tinha câmbio, não tinha nada. E era uma grande oportunidade de oval curto, oval o longo e tal.”

“Aí, compramos a equipe e começamos com essa tendência de procurar pilotos afro, mulheres e hispânicos. E eu já tinha visto o Daniel Suárez correndo em uma outra equipe.”

“O convidei para correr conosco. Ele tinha um pouco do dinheiro da Telmex, do Carlos Slim. Fui para o México para conhecê-lo pessoalmente, para ter uma reunião, com o Carlos Slim Jr. E ele nos ajudou com o carro do Daniel.”

“E a gente começou a ter uma boa performance. O nome do Daniel começou a ficar reconhecido. Aí foi o momento de voltar na Joe Gibbs e falar, ‘olha, esse cara é especial’, vamos tentar fazer alguma coisa com ele. E o Steve, que é quem toca a Joe Gibbs, concordou.”

“E ali saiu o primeiro campeão mexicano da NASCAR (O’Reilly 2016) e o primeiro mexicano a ganhar corrida na Cup. Então foi, para mim, foi muito gratificante. Seria muito mais se fosse um brasileiro, mas foi muito gratificante.

Nelsinho Piquet tem ao todo três vitórias nas principais divisões da NASCAR. Um triunfo na O’Reilly Auto Parts Series em Road America, e duas na Truck, Michigan e Las Vegas. Mas, na verdade, a primeira vitória do filho do tricampeão mundial de F1 foi pela X Team, em Bristol, na categoria conhecida hoje como ARCA East.  

 

Por que X Team?

Uma curiosidade que Geraldo Rodrigues conta é a escolha do nome da equipe. Po que exatamente ‘X Team Racing’?

“As equipes da NASCAR chamam Joe Gibbs, Hendrick, Chip Ganassi Racing. Geraldo Rodrigues Racing ia ser ridículo. Então tinha aquela história do Corredor X, do Speed Racer. Falava, vamos colocar X Team, ninguém sabe quem é o dono. Então por isso que chamava X Team.”

Rally e saída do mundo da NASCAR

A equipe também investiu no Global Rally Cross, cujos carros dividiam a garagem com os da NASCAR. Mas, o programa na categoria americana, aos poucos, foi terminando e Geraldo não fugiu deste capítulo ao falar dos motivos.

“Acho que como toda pessoa que resolve ter uma equipe no automobilismo, o risco financeiro é muito grande. Porque ela pode ser uma espiral negativa.”

“Alguns desses pilotos, não vale a pena citar quem, batiam e não pagavam a batida. Cheguei a perder chassi completo. E não pagavam. Comecei a ter mais dores de cabeça e gastar muito mais dinheiro. E eu não sou um cara rico. Então eu achei melhor parar.”

“Então, fui desativando, vendi as coisas, voltei para Miami e fiquei na parte de gerenciamento. O Daniel nessa época também encontrou um manager famoso na NASCAR. Continuei torcendo por ele, torço até hoje.

De volta aos Estados Unidos

Geraldo Rodrigues voltou seus olhos para a NASCAR neste ano. Não com uma nova equipe, mas levando o piloto da NASCAR Brasil, Arthur Gama para testes com a equipe Sellers Racing e uma etapa de Late Models neste fim de semana.

“O que eu estou tentando fazer é um trabalho com o Arthur muito parecido. Pelas equipes com as quais eu trabalhei sempre deixei claro que eu não vou nunca inventar uma história com relação a um piloto. Não foi assim com o Tony [Kanaan], não foi assim com o Gil [de Ferran], não foi assim com o [Ricardo] Zonta. Eu falo o que realmente eu sinto e o que eu acho que é a verdade. E para o Daniel foi assim e eu estou fazendo a mesma coisa com o Arthur.”

“O Arthur é um piloto fora da curva, pela idade e maturidade que tem, além do coração e o respeito que ele tem com os rivais. Nem todos os pilotos têm essa mesma atitude. Tem uns que são mau caráter. Então acho que o Arthur tem o potencial e ele tem também um pouco da estrela. Porque eu falo que sorte é oportunidade com capacidade. Então se você tem oportunidade, você tem que entregar, você tem que fazer. E as oportunidades até agora que o Arthur teve, ele entregou todas as vezes.”

“Estamos conseguindo um caminho graças a um patrocinador. A Superbet acreditou nesse nosso projeto. Vamos fazer um teste com supervisão da Joe Gibbs Racing. Vamos andar com o carro dele, com o carro com telemetria, que a Joe Gibbs está emprestando.”

“Então vai estar lá o Bobby Labonte, que é um campeão, que é uma lenda do automobilismo. É com ele que eu estou tratando desde o primeiro momento. Ele indicou essa equipe, a Sellers Racing. Então, vai ser um trabalho sólido. Se a gente vai ter sucesso, ainda não sei. Mas a gente está dando ao Arthur as possibilidades de ficar fácil e sólido.”

“Nosso objetivo é que ele faça mais algumas corridas esse ano, para que, no ano que vem, a gente faça a temporada toda. Aí vai ser uma decisão nossa e da Joe Gibbs, no sentido, se vai fazer na late model, se vai fazer ARCA. É uma decisão em conjunto para que ele consiga se tornar profissional e, quem sabe, também fazer o que o Daniel Suárez fez para o México.”

 

Uma nova X Team no futuro?

Por mais que os olhos de Geraldo Rodrigues brilhem ao falar da sua antiga equipe e no que pode acontecer com Arthur Gama, o empresário que esteve ao lado de grandes nomes do automobilismo brasileiro descarta uma nova tentativa.

“Quando eu voltei ao Brasil, eu não esperava montar a Reunion de novo. Todos nós temos que saber das nossas qualidades, mas também tem que saber da nossa idade, as coisas que você pode e não pode fazer. E tem os riscos financeiros.”

“Quando você vai ficando mais velho, você toma muito mais cuidado, porque você tem um espaço muito mais curto para produzir dinheiro, para você ter uma velhice boa. Eu não quero depender dos meus filhos, não quero depender de ninguém.”

“Então, eu hoje não montaria uma equipe. Talvez, se algum cara quiser investir numa equipe e me chamar para ser sócio, pelo trabalho, para conhecer as pessoas, faria. Porque eu gosto, eu amo isso aqui. Mas por dinheiro, eu prefiro pôr algum dinheiro no Arthur, ajudar ele financeiramente para que ele alcance seus objetivos, do que montar uma equipe.”

“Eu acho que não faz muito sentido. Estou morando no Brasil agora, você tem que estar em Charlotte. Então, acho que vamos focar no que eu puder ajudar o Arthur, mesmo se precisar de alguma ajuda financeira. Eu só fiz isso para o Tony Kanaan. Nunca fiz para nenhum outro piloto. É o único que eu realmente ajudei a entrar na Indy Lights. E o Arthur, se precisar, eu vou ajudar também”, concluiu.

Pilotos CHORÕES, o golpe em Russell, GALVÃO, Bortoleto, NASCAR Brasil e + | Cacá Bueno e Caio Collet

Ouça versão áudio do PODCAST MOTORSPORT:

ACOMPANHE NOSSO PODCAST GRATUITAMENTE:

Faça parte do nosso canal no WhatsApp: clique aqui e se junte a nós no aplicativo!

Artigo anterior Arthur Gama disputará etapa da NASCAR Americana com a Sellers Racing
Próximo artigo Theo Salomão conquista primeira vitória em ovais no automobilismo americano

Principais comentários

Últimas notícias