Átila Abreu explica motivos da saída da Scuderia Bandeiras da Stock Car
Piloto e proprietário da equipe também afirmou que em breve terão maior projeto do automobilismo brasileiro
A Stock Car vive dias agitados, com a saída da Scuderia Bandeiras do grid da categoria. Pela primeira vez, Átila Abreu se pronunciou sobre o assunto, em um vídeo publicado pelo time.
“Hoje é, sem dúvida, é o momento mais desafiador da história da Scuderia Bandeiras”, disse Átila, cercado pelos membros da equipe. “Há pouco mais de um ano, chegamos à Stock Car com um sonho e um propósito: elevar o nível do automobilismo brasileiro. Investimos mais de 20 milhões de reais para construir a maior equipe da categoria, reunimos alguns dos melhores engenheiros e mecânicos do país e uma verdadeira seleção de campeões: Rubens Barrichello, Nelson Piquet Jr., Christian Fittipaldi, Ingo Hoffmann, Rafael Suzuki e eu, Atila Abreu.”
“Em apenas 12 meses, conquistamos duas poles positions, cinco vitórias, 14 pódios e 14 vezes o pit stop mais rápido da corrida. Fora das pistas, também deixamos nossa marca. Criamos o Truck Lounge, considerado por muitos o melhor camarote da história da Stock Car, entregando aos nossos patrocinadores uma experiência inédita.”
Na sequência, o piloto e proprietário cita o que levou à decisão, citando também a briga jurídica contra a Vicar.
“Nós cumprimos nossa missão. Mas, infelizmente, ao longo dessa trajetória, passamos a conviver com problemas que se tornaram incompatíveis com os valores da Scuderia Bandeiras. Falhas de gestão, falta de peças, cobranças que consideramos indevidas, insegurança jurídica, restrições ao direito de manifestação das equipes e dúvidas relevantes sobre procedimentos tributários que, em nossa avaliação, poderiam expor as equipes a riscos que não estamos dispostos a assumir.”
“Não nos calamos. Recentemente, a Justiça nos concedeu duas liminares confirmando o descumprimento grave de contrato e procedimento irregular que fragilizam a confiabilidade da categoria com os quais não podemos compactuar.”
“Sobretudo, em respeito ao público, patrocinadores e aos nossos parceiros. Diante disso, e depois de muita reflexão, tomamos a decisão de encerrar com efeito imediato nossa participação na Stock Car. E saímos da mesma forma que entramos, competindo no mais alto nível e fazendo a pole e vencendo a última corrida.”
E promete um novo projeto da equipe: “A história da Scuderia Bandeiras na Stock Car termina hoje, mas a história da Scuderia Bandeiras no automobilismo está apenas começando. Em breve, vocês conhecerão o maior projeto da nossa história.”
O documento oficial
A equipe também divulgou a notificação de saída da categoria. O documento afirma que decidiu romper o contrato porque perdeu a confiança na Audace Tech e Vicar, após uma série de problemas ao longo da temporada de 2026.
Entre os principais motivos apontados está um possível risco tributário, envolvendo o fornecimento dos pneus. A equipe diz que contratou uma auditoria independente, que identificou inconsistências na estrutura adotada e alertou para um possível prejuízo milionário. Segundo o documento, a Audace e a Vicar foram questionadas oficialmente sobre o assunto, mas não responderam aos pedidos de esclarecimento.
Outro ponto citado é o atraso recorrente na entrega de peças. A equipe afirma que componentes comprados dentro do prazo não foram fornecidos, chegando a comprometer a participação de um carro na etapa de Cuiabá, que precisou utilizar uma peça emprestada para continuar competindo.
As notificantes também acusam a Audace e a Vicar de descumprirem uma decisão judicial ao bloquear o acesso das equipes ao sistema 'Stock Manager', utilizado para solicitar peças de reposição. Segundo elas, a medida impediu a compra de componentes essenciais para os carros, apesar de uma liminar determinar que o acesso fosse mantido.
Além disso, o documento afirma que a equipe encontrou problemas de fabricação em peças fornecidas pela própria Audace Tech. De acordo com a notificação, alguns componentes chegaram com medidas incompatíveis e precisaram ser devolvidos ou adaptados. Para as equipes, isso compromete a confiabilidade do sistema técnico, já que peças fornecidas pela organizadora poderiam, posteriormente, servir de base para punições por supostas irregularidades.
Por fim, a Bandeiras atribui exclusivamente à Audace Tech e à Vicar a responsabilidade pelo rompimento do contrato e afirmam que continuarão buscando na Justiça indenizações por perdas financeiras, prejuízos esportivos, lucros cessantes e demais danos que entendem ter sofrido.
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