Pular para o conteúdo principal

ENTREVISTA: Lincoln nega versão de Átila sobre peças e diz que saída da Bandeiras da Stock Car foi premeditada

CEO da categoria se diz surpreso com a decisão de Átila Abreu e relata 'saia justa' durante evento em Interlagos

Lincoln Oliveira

Lincoln Oliveira

Foto de: Duda Bairros

Nesta semana o mundo da Stock Car entrou em choque, com a notícia da saída da Scuderia Bandeiras, equipe comandada por Átila Abreu, com pilotos como Rubens Barrichello, Nelsinho Piquet e Rafael Suzuki.

A saída vê após batalhas entre a equipe e a Vicar, promotora da categoria, e Audace, que produz e comercializa os carros e as peças para os times, com embates na justiça esportiva e comum.

Átila abriu o jogo ao Motorsport.com nesta quinta-feira e pontuou os motivos da retirada e comentou sobre o futuro dele e da equipe. Na entrevista exclusiva a seguir, ouvimos Lincoln Oliveira, comandante do Grupo Veloci, que engloba as duas partes envolvidas neste processo.

Entre outros assuntos, o mandatário comentou o caso da desclassificação de dois dos carros da Bandeiras, de um problema durante o evento de Interlagos, de uma possível saída premeditada e até do incômodo de outras equipes da postura da Bandeiras desde o início. Confira:

Primeiro, gostaríamos de saber a sua percepção. Como você viu a decisão da Bandeiras de sair da Stock Car?

Nós ficamos surpresos. Foi uma saída em uma decisão individual deles, logo depois que o STJD deu como perdida a ação que eles tinham recorrido, sobre a pinça de freio. Na realidade, ele [Átila Abreu] foi pego [de surpresa] com essa irregularidade porque foi uma denúncia de outras equipes. Elas suspeitaram que o carro estava com uma velocidade diferente e fizeram uma denúncia na CBA. 

A CBA fez a verificação e a retenção das pinças. Elas foram vistoriadas por uma empresa homologada pelo Inmetro em Campinas e a verificação foi feita na presença da CBA, da Audace e da própria equipe Bandeiras. Com base nisso, esse material foi enviado e foi aplicado a penalização, a desclassificação, a perda de pontos e uma multa por parte da CBA. A VICAR não aplicou nenhuma multa, seria apenas a perda dos benefícios que nós damos para todas as equipes de forma isonômica. 

É importante dizer que, depois de perder os benefícios, veio tudo isso porque eles poderiam ter ali 2 milhões e 300 mil reais, de perda de benefício. Existe um contrato privado em que tem as regras do que pode e o que não pode ser feito. Na verdade, o que não pode ser feito é praticar qualquer irregularidade contra o equipamento, seguir o regulamento de forma impecável e não difamar o evento ou qualquer situação que possa degradar o nome da Stock Car. Então, esse é um contrato privado onde todos os pilotos e equipe assinam. É como um manual de ética. 

O que aconteceu foi que eles começaram a notificar a gente e, em um mês, mandaram quatro ou cinco notificações. O que me leva a crer que eles já estavam de caso pensado para poder sair da categoria. 

E tudo isso aconteceu porque a Bandeiras se portou inadequadamente em algumas situações. Por exemplo, na etapa de Interlagos, eles fizeram a locação de um espaço que seria para o Truck Lounge, um evento que o Átila faz e leva cerca de 200, 300 pessoas. Nós alugamos o espaço, cerca de 300 metros quadrados, para ele fazer a ativação. Porém, quando fomos ver na etapa de Interlagos, ele tinha ocupado 3 mil metros quadrados e não 300 metros. Foram quase mil pessoas. Ele construiu um anexo, um pavilhão inteiro. 

Leia também:

Nós temos que pedir autorização dos bombeiros para ver se está tudo certo em caso de alguma emergência. Tem um monte de coisas que o evento precisa estar correto para, se houver um problema, as pessoas não se machuquem. Acontece que os bombeiros, na etapa de Interlagos, chamaram a gente e falou: 'Escuta, vocês não colocaram [na planta do evento] uma estrutura que está lá em cima. Nós não autorizamos essa estrutura. Tem uma estrutura gigantesca, tem quase 3 mil metros de área construída e isso não está na planta de vocês'. 

Tivemos que mandar nosso pessoal para lá e descobrimos que o Átila, a equipe Bandeiras, havia montado um negócio muito maior do que ele alugou e os bombeiros falaram que não poderia autorizar as pessoas a entrarem lá. Falamos com eles que, mesmo ele tendo feito no ano anterior, isso não dava autorização para ele fazer de forma errada porque se alguém se machucasse, seria o nome da Stock Car e não o dele em evidência. 

Ficamos espantados com o tamanho do espaço que ele montou. Tivemos que fazer uma nova planta para poder passar pelo processo novamente e liberar. No fim, cobramos dele 50 mil para fazer tudo e regularizar e ele receber os convidados. Além disso, dissemos que ele não poderia mais fazer o lounge nos nossos eventos porque ele havia montado um negócio que concorria com o promotor. Não fazia sentido. E ele começou a falar que nós estávamos perseguindo eles. Alegaram que tínhamos cobrado 200 mil a mais e não é verdade isso. Então, ele começou a embolar tudo, levou para mídia e foi criando essa situação. 

Ele montou uma equipe, uma das melhores do grid, montou um negócio super sofisticado e está de parabéns por isso. No entanto, é que ele fez a coisa certa da forma errada. A Bandeiras fez uma mudança na pinça de freio que vai contra o regulamento. As equipes incomodadas com as performances dos carros deles começaram a reclamar bastante e a CBA acabou pegando tudo isso. Quando fizeram as medições e tudo que tinha que ser feito, entraram com a penalização. 

Ele entrou com duas liminares que eram para suspender o efeito da penalidade e o efeito da perda dos benefícios. Com base nisso, quando teve o julgamento do STJD, ele perdeu de 5 a 0. E, para ele colocar o carro no grid, ele deveria perder os pontos, ‘perder’ a etapa, ser desclassificado, e, teoricamente, pagar todos os benefícios que a gente cedeu para ele.

Mas ele nunca se sentou com a gente para dizer: 'Olha, a perda dos benefícios inviabiliza o negócio'. Com certeza iríamos conversar porque sabemos que o dinheiro que cedemos para as equipes não é pouco. Então, nessa situação, a gente poderia sentar e dizer: 'Olha, você vai pagar valor X, 10% desse valor, fazer uma doação para algum lugar, etc.' Não estamos ali para ser arrecadatório, não é isso que a gente faz. Sabemos das dificuldades que as equipes têm. 

O que aconteceu depois disso é que na segunda-feira fomos pegos de surpresa. Fomos notificados dizendo que estávamos perseguindo ele, alegando que havia irregularidade de tributos, que ele tinha medo que isso caísse em cima dele, quando na verdade não tem nada disso. O Grupo Veloci, que é a VICAR e Audace, segue rigorosamente as leis, faz tudo que as leis mandam e a empresa é auditada e os balanços são todos assinados por uma auditoria. Então, não tem nada irregular, mas ele saiu espalhando que tinha. 

Outro ponto relevante é que, na etapa de Cuiabá, o pai dele foi de equipe em equipe tentando convencê-los de entrar com uma ação coletiva. Todos disseram para ele: 'Não, nós não temos interesse nenhum em entrar com uma ação contra o promotor porque a gente acredita que eles fizeram a coisa certa em realmente exercer que o regulamento seja cumprido e acatar as decisões da CBA'. 

As equipes se reuniram, todas, 100%, fizeram o manifesto e publicaram. Temos recebido muitas ligações e muitas mensagens das equipes, dos pilotos, ex-pilotos e até de pessoas de antigamente da Stock Car dizendo que é um absurdo, dizendo que estão à disposição porque é a primeira vez que viram alguém realmente bater de frente, em fazer com que o regulamento seja cumprido na essência e acreditando que, independente de equipe ou piloto famoso ou não, o regulamento é para ser seguido e é isso que mantém o campeonato altamente disputado. 

Enzo Bortoleto, Átila Abreu e Lincoln Oliveira; Stock Car Pro Series

Enzo Bortoleto, Átila Abreu e Lincoln Oliveira; Stock Car Pro Series

Foto de: Pedro Albertoni

Você falou da questão da comunicação. Conversamos com muita gente e, desde o início, especialmente da sua gestão, um ponto que alguns chefes reclamam é a dificuldade de comunicação sobre algumas questões, especialmente no ano passado com a questão do carro, que estava naquele momento ruim. Como é o diálogo entre as equipes e a Stock Car?

A comunicação funciona, sim. Todos têm o meu telefone, tem um grupo. Sempre que as equipes pedem reunião, nós fazemos. Às vezes não dá para atender uma coisa ou outra que um piloto ou equipe peça que infrinja o regulamento, aí não tem comunicação. Nem sempre dá para fazer na velocidade que as pessoas querem, mas não quer dizer que não estamos dando ouvidos e a comunicação é ruim. Existe um tempo para cada coisa. Tudo que é falado, é anotado e levado em consideração e posteriormente, tem um retorno.

Por falar nessa questão de peças, um problema que também foi relatado pelo próprio Átila foi o fato dos prazos não serem cumpridos em relação às peças reservas e também peças vindo fora da especificação prevista por regulamento. O que você tem a dizer sobre isso? É realmente um problema recorrente? Ele existe?

Tivemos apenas um caso muito específico sobre peças fora de conformidade. Neste caso, foi a bolha dos carros. Nós contratamos uma empresa terceirizada para fazer e com toda a parte de produção de moldes, ficou muito em cima. A empresa estava com algumas dificuldades. Inclusive, nós colocamos mão de obra nossa lá e fizemos um acordo. No regulamento, desconsideramos a parte da carroceria, ou seja, chegamos a um entendimento de que poderiam existir algumas diferenças. Não era nenhum absurdo, mas decidimos que isso não seria considerado no regulamento em relação à bolha do carro. Depois, aos poucos, iríamos reproduzindo essas peças, fazendo a substituição de forma subsidiada, que foi o que começamos a fazer. As peças que eles estavam usando lá poderiam depois ir para o carro-madrinha e assim por diante. 

Neste caso, todas as demais peças, vou dar um exemplo, que é a pinça que ele adulterou, são fabricadas pela AP. Não são feitas pela Audace nem por qualquer outra empresa. Também não se trata de um processo artesanal, como acontece com a carroceria do carro. A carroceria é artesanal, não é um processo fabril em que você produz 10 mil peças. Existe um molde, mas há uma pessoa que faz aquela bolha de forma artesanal. É isso que acontece. Pode haver uma eventual diferença, sim, mas isso de forma alguma coloca em risco a vida do piloto ou de qualquer outra pessoa.  

O segundo ponto é quando ele fala de irregularidades nas peças e generaliza a situação. Tudo isso foi discutido em videoconferência com as equipes, foi apresentado, aceito e levado inclusive para a CBA. Nós analisamos a questão e foi feito um acordo sobre o peso total do carro, considerando essas possíveis mudanças. Então, hoje ele está resgatando coisas lá de trás para dizer que havia irregularidades. 

O primeiro item é que ele adulterou uma pinça. Essa pinça é fabricada pela AP, na Inglaterra, por um processo industrial de uma empresa enorme, uma das maiores do automobilismo, que possui um processo altamente validado pelo mercado. A peça veio para cá e ele fez uma alteração nela, o que foi constatado pelo laboratório de Campinas. Depois ele tenta dizer que as peças não vinham em conformidade e generaliza tudo isso, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. 

Não existe esse negócio de falta de peças. Houve uma situação no início do lançamento dos carros. Inclusive, ele diz que comprava determinada peça e que ela não existia, mas isso não é verdade. Quando ele mexeu justamente na pinça, uma pessoa da equipe dele veio perguntar se nós tínhamos uma pinça reserva. Sim, tínhamos pinças suficientes para montar quatro carros inteiros. Nunca houve um pedido de pinça que não pudesse ser atendido. Isso me leva a acreditar que eles dizem que faltava peça, mas sequer formalizaram o pedido. Os pedidos que existiam foram todos entregues. Nenhum carro deixou de correr por falta de peças.

Então, essa não é a questão. O que acontece é que ele está sendo mal informado, ou algum funcionário dele diz: 'Olha, eu liguei lá e não tem a peça'. Mas, espera aí: foi feito o pedido? Onde está o pedido? Existe um sistema. Você entra, registra o pedido, ele é processado e a peça é enviada. Se não houver disponibilidade, principalmente quando se trata de uma peça de alto valor, nós compramos e entregamos, ou mandamos produzir e depois entregamos.  

Agora, obviamente eu não vou manter um câmbio Xtrac, que custa 45 mil libras, parado no estoque esperando alguém pedir. Isso não existe. Para produzir um câmbio desses são necessários seis meses. Por isso, em reunião, nós dissemos às equipes que peças de alto valor precisavam ser solicitadas com antecedência. Não faz sentido manter um componente desse valor parado em estoque esperando alguém quebrar o seu. Podemos até pedir uma unidade de backup, mas isso exige gestão. 

Foi isso que aconteceu. Ele mistura todos esses assuntos para dizer que a pinça poderia ter vindo fora de especificação, e isso não é verdade. 

Rubens Barrichello à frente de Rafael Suzuki

Rubens Barrichello à frente de Rafael Suzuki

Foto de: Rafael Gagliano

Existem alguns pilotos que, basicamente, são a cara da Stock Car. Estou falando mais especificamente do próprio Rubens Barrichello, Nelsinho e o Suzuki. Como trabalhar com os anunciantes, os parceiros da VICAR agora com essa ausência desses pilotos? E a VICAR pensa em ocupar essas quatro vagas que estão abertas no grid? 

Olha, sim, a gente pensa nisso. São quatro vagas, há uma exposição envolvida e, obviamente, esses pilotos geram muita repercussão no automobilismo. O Rubinho, o Nelsinho, o Suzuki, todos eles têm esse peso, até o próprio Átila. O que a gente coloca é o seguinte: existem coisas que controlamos e outras que não controlamos. Se o Rubinho decidir não correr mais, por exemplo, eu não posso impedi-lo, e a gente precisa estar preparado para isso também. 

Obviamente fomos pegos de surpresa. Tanto o Átila quanto o pessoal da equipe se envolveram diretamente nas questões da categoria. Ele foi de equipe em equipe para conversar, tentou resolver as coisas, mas não deu certo. Ok, saiu. O que me surpreendeu foi que eu esperava que alguém da equipe dele me ligasse para dizer: 'Vamos sentar e conversar para resolver a situação'. Era isso que eu estava esperando. Mas, pelo que me parece, ele decidiu agir de forma premeditada. Tanto que enviou várias notificações antes de tudo isso para depois poder dizer que estava saindo porque havia sido injustiçado. 

Essa foi uma surpresa para todos, inclusive para os próprios pilotos. A gente sabe de pilotos que estavam viajando e só descobriram quando desembarcaram, do outro lado do oceano, em Portugal. Sabemos que montar uma equipe da noite para o dia não é algo tão rápido, mas também imagino que todos tenham responsabilidades e contratos a cumprir. Do nosso lado, nós temos até um carro inteiro disponível. Se um piloto quiser correr, basta nos ligar para tentarmos acomodá-lo em um dos carros que temos aqui. 

Por outro lado, imagino que tanto o Rubinho quanto o Nelsinho e o Suzuki tenham compromissos a cumprir. A questão passa pela disponibilidade de carros. Se houver carro, tenho certeza de que a CBA e o organizador podem ajudar a inscrever esses carros no campeonato em nome de outra equipe e viabilizar a participação na corrida. Isso também é algo que estamos avaliando. 

Acho que essa é uma questão de responsabilidade. A forma como tudo foi feito nós não concordamos. Se o Átila quiser sair, não há problema nenhum. Ninguém é obrigado a permanecer na categoria. Mas existe uma forma correta e responsável de fazer isso. Não sair fazendo acusações, levantando uma série de situações com base em pareceres disso ou daquilo, apontando uma coisa ou outra quando, na realidade, essa não é a verdade nem o foco da questão. O que realmente causou tudo isso é o que deveria estar sendo discutido, e não essas outras situações. 

Por isso, estamos à disposição para ajudar no que for possível e evitar que tantas famílias sejam prejudicadas, porque a forma como ele está falando não faz bem para ninguém. Em respeito e responsabilidade com todos que fazem parte da Stock Car, e pelo tempo que ele já competiu na categoria, no mínimo faltou um pouco de responsabilidade. 

Nelsinho Piquet

Nelsinho Piquet

Foto de: Rafael Gagliano

Como vocês estão lidando com parceiros, mídia, patrocinadores que podem estranhar que não tem mais o Nelsinho, o Rubinho no grid?

Olha, eu recebi várias ligações, inclusive de montadoras. Uma delas foi a Toyota, que disse estar muito tranquila e totalmente ao nosso lado. Eles reforçaram que é importante que o regulamento seja cumprido. Não existe a possibilidade de deixar de seguir o regulamento por uma questão comercial. O regulamento está lá para ser cumprido. 

A Stock Car tem uma história, e a verdade é bem simples: ela é competitiva porque sempre teve os melhores pilotos, as melhores preparações, um regulamento sólido e a responsabilidade de fazer a coisa certa. Isso é muito importante para nós. 

Pilotos, equipes e todas as pessoas envolvidas estão ao lado da CBA e da Vicar em relação ao que aconteceu. A própria Toyota também já se colocou à disposição. Se for necessário conceder entrevistas, a Nancy, que agora está à frente do marketing da Gazoo Racing, disse que também está disponível para falar sobre o assunto. 

Agora, falando sobre o comunicado das equipes no Instagram. Sabemos que algumas ficaram receosas ou reticentes em fazê-lo. Você acha que hoje as equipes da Stock Car estão realmente unidas? 

Ninguém nunca vai concordar 100% com o outro. Isso não acontece nem dentro de casa, quando você é casado. Se tudo fosse perfeito, ninguém brigaria. E duas pessoas só brigam porque as duas acreditam que estão certas. Eu nunca vi alguém brigar sabendo que está errado. Então, as duas entram em uma discussão porque acreditam que têm razão. Mas isso não quer dizer que sejam desunidas. 

A união funciona assim: às vezes eu acho que não estou alinhado com você, mas a gente senta para conversar, chega a um entendimento e percebe que foi uma boa decisão. Acho, inclusive, que deveríamos fazer isso mais vezes. 

Se olhar para o passado, até antes da minha gestão, nunca houve uma união tão grande. Sempre existiram brigas, discussões, tentativas de rompimento, equipes querendo sair para criar outro campeonato. Isso não é novidade. O que está acontecendo agora é um repeteco. A diferença é que nós abrimos canais de comunicação e passamos a perguntar: 'Como podemos resolver isso?'. Sentamos à mesa para discutir, sabendo que nada muda de forma abrupta. 

Foi justamente isso que o Átila tentou fazer: chegar contratando pessoas, pagando o dobro de salário. Ele mesmo comentou isso em um podcast. As equipes ficaram incomodadas. Ele dizia que fazia parte da estratégia pagar o dobro e depois mandar embora. As pessoas se sentiram ofendidas com esse tipo de postura. 

Essa comunicação é aberta. Eu não escolho com quem vou falar e nem ando cercado de segurança no evento. Caminho normalmente, cumprimento todo mundo e, quando alguém me chama para conversar, eu escuto. Se o pedido beneficia várias pessoas, me interessa. Se beneficia apenas uma, aí não faz sentido. O evento não existe para beneficiar o Meinha, o Thiago ou o Polenta. Ele existe para beneficiar todos, ou o maior número possível de pessoas. 

Também houve chefes de equipe que disseram que não queriam assinar determinados documentos. Não tem problema. Nós não obrigamos ninguém a assinar nada. Eles mesmos fizeram uma reunião entre eles, eu nem sabia dessa reunião, e decidiram que não seguiriam o Átila por várias situações que ele causou dentro do paddock, inclusive contratando funcionários de outras equipes, algo que eles não gostaram. 

Depois, quando tudo isso começou a acontecer, eu não fui atrás de nenhuma equipe. O que aconteceu foi que eles próprios viram os ataques e disseram: 'Espera aí. O Átila está atirando contra o evento e contra todos nós'. Foi aí que começaram a manifestar apoio, porque entenderam que existe uma responsabilidade com a categoria. Todo mundo passou por dificuldades em algum momento, eu passei, outros passaram, e seguimos em frente. 

Para eles, não faz sentido tudo isso estar acontecendo apenas porque houve uma punição por causa da pinça de freio ou porque o Truck Lounge foi retirado. Certamente existe outro motivo por trás disso, que ninguém conhece ainda, mas que, no futuro, deve aparecer. 

RUSSELL VIVO? Saudades de Max X Hamilton, Bortoleto ZICADO, KIMI e suas histórias e + | FELIPE MOTTA

Ouça a versão em áudio do PODCAST Motorsport.com:

 

ACOMPANHE NOSSO PODCAST GRATUITAMENTE:

Faça parte do nosso canal no WhatsApp: clique aqui e se junte a nós no aplicativo!

Artigo anterior ENTREVISTA: Átila Abreu detalha saída de sua equipe da Stock, acusa categoria de quebrar contrato e fala sobre o futuro