"Prazeroso", "Equilíbrio", "Caminho certo": Pilotos da Stock Car celebram volta do V8 e destacam mudanças de 2026
Felipe Massa, Felipe Fraga, Gabriel Casangrande relataram como o retorno do motor que esteve na categoria por mais de 20 anos trouxe de volta a equalização ao grid
Foto de: Rafael Gagliano
Uma das principais novidades da temporada 2026 da Stock Car é, definitivamente, o retorno dos motores V8 à categoria - dando sequência a um legado que já dura mais de 20 anos.
No ano passado, buscando seguir um alinhamento com o mercado global de automobilismo e visando uma modernização para acompanhar a introdução dos SUVs, a categoria optou por adotar os motores quatro cilindros turbo. A primeira mudança desde 2003, quando os V8 substituíram os seis cilindros da Chevrolet.
Em entrevista ao Motorsport.com, Felipe Massa, piloto do Time Lubrax TMG, destacou como o retorno desse modelo fez com que as grandes diferenças de velocidade entre um carro e outro deixassem de existir, trazendo um equilíbrio maior e comparou com a época em que pilotou um V8 na Fórmula 1 (2006-2013).
"Estou muito feliz com essa volta para os motores V8. Comparando com o campeonato que tivemos no ano passado, é uma diferença muito grande em relação ao equilíbrio. Antes, o nosso maior problema era esse, a diferença gigante de velocidade de um carro para o outro, até mesmo dentro da mesma equipe. Agora, as diferenças são muito menores e isso mostra um equilíbrio muito importante."
"Logicamente, o peso do carro aumentou porque o motor é mais pesado, mas mesmo assim o prazer de pilotar é muito maior. Realmente estou muito feliz com a mudança para o V8, não só pelo lado de piloto, mas também pelo equilíbrio da categoria e também, pelo barulho, pelos fãs."
"A diferença é muito grande. Um V8 da Fórmula 1 era um motor mais leve, mais potente. Logicamente, o barulho é muito bacana de forma geral, mas era incrível o som do V8 na F1 como também é muito divertido o barulho do V8 aqui na Stock Car."
Atual campeão da categoria, Felipe Fraga, da Eurofarma RC também celebrou o retorno do "legado" da Stock, característica que, na visão dele, voltou a fazer parte da competição com a reintrodução dos motores V8.
"A diferença é muito grande porque tá bem mais equalizado. As velocidades estão muito mais próximas. Está bem mais legal, lógico que tem alguns problemas, mas todas têm. Estou adorando o V8, seria legal se a tivesse um pouquinho mais de potência, mas sabemos que algumas configurações são para o bem da categoria e precisamos ter paciência, ir ajustando para continuarmos tendo uma Stock Car boa, disputada, porque esse é o legado da Stock."
Último campeão da era dos V8 antes da mudança para os quatro cilindros turbo, Gabriel Casagrande, da A.Mattheis Vogel, enfatizou a felicidade e o prazer de estar no cockpit pilotando com essa configuração de motor.
"É um alívio. No ano passado, o motor era muito pequeno para colocar uma potência tão grande nele e, de certa forma, não funcionou. O motor V8 é um pouco mais fácil de você equalizar por ele ser aspirado. O motor turbo tem um componente a mais para dar problema e, esse componente a mais, se mal trabalhado, mal equalizado, gera uma diferença muito grande."
"Antes, tínhamos uma diferença de 8 a 9 km/h do mais rápido para o mais lento, no final da reta, uma diferença muito grande. Você saia de 200 cavalos para 350 de uma vez só e isso era em torno de dois décimos para o seu concorrente. No motor aspirado, você tem as faixas de torque muito mais parecidas e a potência vai ser quase sempre a mesma, mesmo que você esteja com um giro baixo. Essa diferença vai ser, no máximo, de 20 cavalos, o que é aceitável. Acredito que seja mais fácil de mexer, que tenha menos problemas e estamos vendo isso."
"Mas a volta do V8 foi sensacional porque pra pilotar é mais fácil, mais intuitivo, mais prazeroso. Você sabe que, quando voltar para o acelerador, a potência vai estar lá. Acredito que a maioria dos pilotos pensam assim. Para o público é muito melhor porque faz um barulho legal. A nossa forma de pilotar também funcionou bastante com o motor e o carro novo."
"Acredito que, se for bem trabalhado, é um futuro promissor. É esse o caminho que a Stock Car tem que ir, ter um motor grande, um motor que aguente bastante. Acredito que terá sucesso e eu estou bem confiante."
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