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Médico da Fórmula 1 se despede "em casa" em Interlagos

Gary Hartstein relembra histórias com acidentes de Burti e Massa e elogia equipe que trabalha no GP do Brasil

O GP do Brasil não vai marcar apenas a despedida de Michael Schumacher. Depois de 15 anos, o médico Gary Hartstein faz sua 247 e última prova em Interlagos neste final de semana.

Falando com exclusividade ao TotalRace, o norte-americano revelou sua predileção pelo Brasil. “Fico feliz em encerrar minha carreira no Brasil, que foi meu primeiro GP, em 1997. Naquele ano, a temporada começou na Austrália, mas eu não fui para a primeira etapa. É também o lugar que tem o melhor staff médico. Eles são como meus primos, irmãos, então sempre foi um prazer estar aqui.”

Hartstein diz que seus melhores momentos durante as corridas são as largadas, quando sente sua responsabilidade. “Toda vez que alinhamos atrás da largada e vê os 24 carros a sua frente, pensa ‘ok, é minha responsabilidade agora se acontecer alguma coisa’. Então me senti muito importante por 246 provas.”

O médico é discípulo de Sid Watkins, que coordenou a equipe médica da F-1 por quase 30 anos e morreu recentemente. “Trabalhei por 16 anos com Sid Watkins e aprendi muito com ele. Era um professor incrível. Tudo o que sei, devo a ele.”

Sua história no automobilismo é de longa data. O norte-americano reside na Bélgica, em Spa, onde começou a trabalhar no esporte. “Trabalhava no seu circuito caseiro, que é Spa, porque vivo bem perto do circuito. Então trabalhava no circuito a cada 15 dias em qualquer tipo de corrida de 1990 e 1997.”

Os piores momentos sempre são quando alguém se machuca. “Tivemos um comissário que morreu em Monza, foi muito tráfico. Sempre quando há um acidente você espera que os caras estejam bem, é sempre um pouco difícil.”

Duas das batidas mais graves atendidas pelo médico foram com brasileiros. Luciano Burti, em 2002, em Spa-Francorchamps, e Felipe Massa, sete anos depois, no GP da Hungria. “Ambos foram acidentes muito ruins. Quando chegamos, tanto no carro de Luciano, quanto no de Felipe, fiquei um pouco preocupado e pensei ‘eles precisam melhorar rapidamente agora, eles precisam começar a acordar’ e isso aconteceu com ambos, então fico feliz.”

O médico revela que, logo que chegou no atendimento a Massa e viu o estrago no capacete do brasileiro e sua lesão na cabeça, não entendeu como aquilo havia ocorrido. “Foi uma imagem aterrorizante. Não dava para entender o que tinha acontecido, mas sabia que a lesão é muito grave. Só fizemos o que tínhamos de fazer.”

Agora, porém, essas preocupações são passado. Hartstein disse que deverá voltar à vida “normal” e sentirá faltas do agito da Fórmula 1. “Vou para casa, voltar a trabalhar um pouco no hospital, relaxar e depois veremos. Viajei muito, me diverti muito e fiz amigos ao redor do mundo. Foi um grande privilégio trabalhar aqui.”

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