Análise técnica de Giorgio Piola
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Análise técnica de Giorgio Piola

Análise técnica: as atualizações de Mercedes, Red Bull, McLaren e Renault apresentadas no GP da Toscana de F1

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Análise técnica: as atualizações de Mercedes, Red Bull, McLaren e Renault apresentadas no GP da Toscana de F1
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Matt Somerfield e Giorgio Piola mostram as principais novidades que três das equipes do grid apresentaram para o nono GP de 2020

A contínua guerra de desenvolvimento da Fórmula 1 é um dos grandes atrativos da categoria ao longo de sua história. E ela esteve presente novamente neste final de semana, no GP da Toscana, nona etapa da temporada de 2020.

Apesar de já estarmos mais avançados na temporada, o GP continuou trazendo novidades entre as equipes, que já começam a pensar também na próxima temporada, com os carros sendo mantidos para 2021.

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A Mercedes fez alguns pequenos ajustes, mas significativos, no W11 para a primeira visita da F1 à Mugello. Entre elas, estão a asa dianteira e a asa T com otimizações.

As principais são as alterações no centro da asa dianteira e na distribuição das funções e comprimento entre os dois flaps superiores e no desenho de suas pontas na extremidade interna.

Na nova versão (abaixo), a aba superior agora tem um design mais convencional, que se curva sobre a parte superior da aba, para posicionar sua ponta onde residia a parte superior das duas pontas da aba.

Mercedes F1 W11 front wing detail

Mercedes F1 W11 front wing detail

Photo by: Steve Etherington / Motorsport Images

Para entender como e porque a Mercedes dividiu o flap de índice em dois, em primeiro lugar devemos rever as mudanças que foram feitas no regulamento de 2019, em que apenas cinco elementos da asa podem ser usados.

Até agora, a Mercedes usou uma pequena brecha no regulamento que permite alguma variação na ponta. O flap de índice tinha um pequeno corte nessa seção, visando criar efetivamente uma sexta seção, além de outra ponta, que poderia ser usada para criar um vórtice que converge com o vórtice Y250.

A força do vórtice Y250 significa que a alteração de sua composição cria também um efeito de arrasto, que pode continuar adicionando um desempenho extra, já que as superfícies aerodinâmicas, como o assoalho, são capazes de funcionar com mais eficiência.

Esta é uma área do carro que a equipe fez alterações em etapas anteriores, então as novas mudanças visam desbloquear ainda mais do potencial latente. Então, vamos ver o que era novo na Bélgica...

Mercedes F1 W11 bargeboard detail

Mercedes F1 W11 bargeboard detail

Photo by: Giorgio Piola

A Mercedes fez as seguintes alterações em seus bargeboards e painéis defletores para o GP da Bélgica (imagem acima):

  1. O elemento vertical mais à frente no bargeboard teve sua borda de ataque endireitada, o que também altera a forma da primeira fenda na superfície;
  2. Um canard na borda superior do chassi ajuda a direcionar o fluxo de ar para baixo, ao redor e através do sidepod, cuja forma foi alterada para coincidir com as mudanças no barbeboard;
  3. O arranjo aerodinâmico da plataforma serrilhada e a própria plataforma foram trocados;
  4. O painel defletor em formato de veneziana foi alterado e reduziu o número de lâminas de cinco para quatro.
Mercedes F1 W11 T-wing comparison detail

Mercedes F1 W11 T-wing comparison detail

Photo by: Giorgio Piola

A Mercedes também fez várias pequenas alterações na Asa T para Mugello (imagem acima). A espessura dos elementos foi aumentada, incluindo o elemento arqueado de suporte da carga principal, que se projeta para cima no escapamento (seta azul).

Uma mudança na forma do elemento superior (seta vermelha), dá à Asa T uma aparência distinta de gaivota e demonstra ainda a diferença na abordagem quando se trata da espessura dos elementos na seção central, que também influenciam o fluxo de ar e a exaustão.


McLaren testa novo design de asa dianteira

McLaren MCL35 nose comparison

McLaren MCL35 nose comparison

Photo by: Giorgio Piola

A McLaren tem feito uma abordagem mais controlada para adicionar desempenho e, em várias ocasiões, testou novas peças, mas não se apressou em mantê-las no carro. Em Mugello, a equipe colocou na pista um novo design de bico (acima), que pode ser introduzido nas próximas corridas.

O design geral do bico é inspirado no modelo usado pela Mercedes desde 2017, apresentando um formato mais esguio, algo que tem elementos em comum com o design atual, mas, entre outras coisas, uma ponta mais bulbosa, pilares estreitos no bico e uma posição mais alta para a capa, que se torna a própria entidade, em vez de ser emparelhada com os pilares das asas.

A intenção é tornar o bico e a capa menos sensíveis, dando ao vórtice Y250 mais espaço para agir.


Red Bull tem novo assoalho 

Red Bull Racing RB16 floor comparison

Red Bull Racing RB16 floor comparison

Photo by: Giorgio Piola

A Red Bull fez mudanças em seu assoalho para Mugello, com os dois pilotos tendo a novidade simultaneamente. O novo design usa doze orifícios com ângulos de aproximadamente 45 graus em relação à borda do assoalho, em vez dos quatro orifícios angulares e dois longos, paralelos à borda, como antes. 

Esses orifícios são usados para alterar o fluxo ao longo da borda do assoalho, evitando a turbulência gerada pelo pneu dianteiro. Também ajuda a moldar a turbulência criada pelo pneu traseiro que, se não for controlada, pode ser prejudicial ao desempenho do difusor, pois o fluxo de ar é esguichado lateralmente em seu caminho, conforme a deformação dos pneus.


Renault experimenta novos bargeboards

Renault F1 Team R.S.20 comparison

Renault F1 Team R.S.20 comparison

Photo by: Motorsport Images

A Renault chegou a Mugello com novos bargeboards e conjunto de defletores (imagem acima) para testar, mas não correu com as peças, provavelmente para uso em etapas futuras, tendo coletado os dados necessários para verificar se funcionavam conforme o previsto.

As mudanças no bargeboard são mais óbvias na extremidade superior, pois é claro que os elementos verticais são expostos de uma maneira diferente ao bumerangue (seta azul).

As mudanças na extremidade inferior e na placa de pé não podem ser vistas aqui, mas as ranhuras extras na superfície do bumerangue são um sinal de que as mudanças foram feitas, pois as ranhuras são necessárias para manter a legalidade.

A atualização também se estendeu ao painel defletor, que viu a equipe instalar um novo arranjo tipo veneziano no elemento vertical (seta vermelha), ao invés de ter apenas um único elemento se sobressaindo.

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Sobre esta matéria

Categoria Fórmula 1
Evento GP da Toscana
Autor Matthew Somerfield