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Comissários têm até telemetria à disposição para definir punições

GPS, diversos ângulos de câmeras, transmissões via rádio e até um arquivo com punições dadas desde 2003 fazem parte de arsenal

A tecnologia na Fórmula 1 não se restringe aos carros: até os comissários esportivos contam com um arsenal de informações para tomar suas decisões durante os finais de semana de corrida.

“Temos um sistema muito bom no Race Control que nos permite detectar incidentes. O sistema é programado para salientar qualquer incidente – por exemplo, se um piloto passa muito rápido em um setor de bandeira amarela. Isso é baseado na cronometragem e no GPS, mas o software também têm outras funções”, explica o diretor de corridas Charlie Whiting, em entrevista à revista da FIA.

“É uma grande responsabilidade, mas que se tornou um fardo menor simplesmente pela tecnologia que temos à disposição. Temos muitos dados aos quais a maioria das pessoas não tem acesso”, garante Garry Connelly, presidente do FIA Institute e que normalmente é escolhido como um dos comissários. “Primeiramente, temos os vídeos – os que vão ao ar, o restante que é capturado pela FOM, os circuitos internos e as filmagens onboard. Temos o GPS e acesso ao sistema de transmissões via rádio, que são importantes para mostrar se a equipe avisou um piloto sobre algum delito e ele ignorou”, lista.

“Finalmente, desde o último verão [europeu], podemos obter telemetria dos carros em tempo real. Isso é muito útil para comparar a telemetria de um incidente com a de voltas anteriores, para ver, por exemplo, se um piloto tirou o pé na bandeira amarela. Juntando tudo isso dá para ter uma ideia clara do que aconteceu. Há uma massa de informações que não está à disposição do público ou das equipes. É por isso que as decisões às vezes são difíceis de entender, mas simplesmente as pessoas não têm todas as informações dos comissários”, defende Connelly.

Além dos dados do incidente em si, os comissários também levam em consideração o histórico de punições de cada piloto. “Temos os incidentes das temporadas recentes em vídeo em um disco rígido. É uma fonte inestimável porque não são os mesmos comissários a cada corrida. Dessas maneiras, eles podem olhar os casos passados, o que ajuda a tomar uma decisão mais consistente”, aponta Whiting.

“Os comissários também têm uma lista de penalizações às quais eles podem consultar, desde 2003. Está classificado por tipo de delito e punição, então eles podem rapidamente ver quem fez o que e qual foi a pena”, explica.

A FIA nomeia quatro comissários para cada GP, sendo um deles ex-piloto. Whiting serve como uma espécie de presidente e tem a função de evitar a falta de consistência por estar em todas as etapas. A escolha dos comissários leva em consideração fatores geográficos para evitar longos deslocamentos, por exemplo, quando há corridas em finais de semana seguidos, é normal ver parte dos comissários repetida. Porém, não há regras nesse sentido.

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