Presente no tri, Reginaldo Leme lembra Senna “mais relaxado”

No circuito de Suzuka há exatos 25 anos, comentarista da Globo fala de saudade de época “divertida e bacana”

Presente no tri, Reginaldo Leme lembra Senna “mais relaxado”
Ayrton Senna, McLaren Honda, Nigel Mansell, Williams Renault
1991 World Champion Ayrton Senna, McLaren Honda
McLaren MP4-6 driven by Ayrton Senna
Race winner Nigel Mansell, Williams Renault FW14 gives Ayrton Senna, McLaren MP4/6-Honda a lift
Ayrton Senna, McLaren Honda
Ayrton Senna, McLaren Honda, Gerhard Berger, McLaren Honda
1991 World Champion Ayrton Senna, race winner Gerhard Berger, McLaren CEO Ron Dennis
Largada: Ayrton Senna lidera para a McLaren
Pódio: vencedor da corrida, Ayrton Senna, da McLaren
Ayrton Senna e Alain Prost
Fã de Ayrton Senna
Pódio: vencedor Nelson Piquet, Williams, segundo colocado Stefan Johansson, Ferrari, terceiro colocado Ayrton Senna, Lotus
Nelson Piquet, Brabham BMW BT52
Pódio: Vencedor Nelson Piquet, Benetton, segundo lugar Roberto Moreno, Benetton
Nelson Piquet, Williams

Nesta quinta-feira o último título mundial do Brasil na Fórmula 1 completa 25 anos. E se há algum jornalista que pode falar com propriedade de todos os oito campeonatos conquistados por pilotos brasileiros até hoje em 67 anos de F1, este profissional é Reginaldo Leme.

Acompanhando o campeonato mundial de perto desde o início dos anos 70, ele cobriu todas as conquistas brasileiras e estava presente no circuito de Suzuka, no Japão, há exatamente duas décadas e meia.

Em conversa com o Motorsport.com, ele falou sobre o GP do Japão de 1991 e a consagração de Ayrton Senna – para muitos o melhor piloto da história da Fórmula 1.

“Minha lembrança é que o Ayrton já era um cara muito mais relaxado”, disse o comentarista, que esteve ao lado de Galvão Bueno na transmissão daquela prova.

“Ele já tinha dois títulos e era considerado o melhor piloto do mundo. O Mansell tinha um carro muito bom, provavelmente melhor que o do Senna ali, mas a gente sabia que o Ayrton ia jogar com a esperteza por aquele campeonato. Foi o que ele fez.”

“Quando o Mansell entrou naquela primeira curva, com aquela turbulência atrás do carro do Ayrton, cometeu aquele erro. Mas acho que o Mansell passaria ele naquela corrida se não tivesse abandonado.”

“Época dá saudade”

O GP do Japão de 1991 foi uma das transmissões mais icônicas da história da Fórmula 1 no Brasil. O momento da saída de pista de Mansell na nona volta (“Passou reto Mansell”) e a chegada da prova, quando Senna deixa o companheiro Gerhard Berger o ultrapassar (“Eu sabia, eu sabia”), são alguns dos momentos que consagraram a carreira do narrador Galvão Bueno.

Ao lado dele, Reginaldo Leme se orgulha de ter feito parte de momentos tão históricos do esporte brasileiro. Presente até hoje nas transmissões da F1 na Globo, o comentarista sente saudades da época.

“É muito legal lembrar, mas não tenho muito o hábito de ficar procurando essas coisas no YouTube”, contou Leme.

“Normalmente as pessoas me mandam os links e eu assisto. Mas acho muito divertido e bacana, dá muita saudade.”

“Tem também o contraste da tecnologia. Você ouve a minha voz e a do Galvão (Bueno) vindo pela linha telefônica. Não tinha a equalização que hoje você tem com os equipamentos modernos. Hoje parece que você está dentro de um estúdio normal. Dou risada disso.”

“Gosto muito também da visão que a gente tinha da corrida, porque hoje você tem muita informação. Agora é mais difícil trabalhar. Essas informações estão para nós e para o público. Hoje eu leio uns nove sites diferentes por dia entre estrangeiros e brasileiros para não me perder e dar as informações corretas. Hoje você tem que tentar adivinhar as estratégias de cada piloto.”

Rusgas nos bastidores

Pouca gente lembra, mas a época marcou um desentendimento histórico entre Reginaldo Leme e Ayrton Senna. E ainda por cima, graças à amizade profunda de Galvão Bueno com Ayrton, a relação entre a dupla de transmissão da Globo também sofreu um abalo.

“Nosso maior problema foi em 1990 e 1991”, lembrou.

“Em 1992, o Senna me procurou e nós conversamos sobre isso e nos entendemos. O Ayrton me disse que nunca havia perdido o respeito por mim. Eu sempre ficava à distância nas entrevistas dele, não iria me atrever a falar nada. Era uma pessoa que sempre gostei, mas não nos cumprimentávamos.”

Leme também recordou a saída de Bueno da Globo após 1991 e a reaproximação com o velho colega. “O Galvão recebeu um convite da Rede OM (em 1992), e era uma oportunidade que ele não poderia perder. Ele tinha a possibilidade de montar um departamento de esportes, assim como o Luciano do Valle fez na Band. Ele não se deu muito bem, mas valeu. Acho que ele tem até hoje dinheiro para receber desses caras (risos).”

“Mas, a despedida dele – depois dos problemas que tínhamos enfrentado, eu, ele e o Senna – foi muito legal. Ele chegou falando para mim que estava indo, me cumprimentou e nos abraçamos. Foi profissional, mas com o tempo o Galvão cuidou para que tudo isso acabasse. Continuamos com nossa amizade, que dura até hoje.”

A aposentadoria de Nelson Piquet

Além do título de Senna, a época marcou o adeus do também tricampeão Nelson Piquet da Fórmula 1. Amigo pessoal do piloto, Reginaldo Leme lembra que Piquet não anunciou sua intenção de encerrar a carreira apesar de já ter tomado a decisão.

No final de semana da corrida em Suzuka, o comentarista chegou a até mesmo gravar uma entrevista com Nelson, que assegurou que ainda negociava com times dentro do campeonato. Naquele momento, Piquet já havia sido informado que não ficaria na Benetton.

“Ele queria se aposentar. Eu sabia”, falou Reginaldo.

“Mas ele não queria fazer nenhuma espécie de preparação, ou fazer uma corrida de despedida. Isso não é bem do jeito dele. Mas eu tinha em mente que aquelas eram as últimas provas dele.”

“Quando alguém perguntava para ele sobre isso, ele sempre respondia: ‘estou conversando com várias equipes’. Se chegasse um convite muito bom, talvez ele ficasse. Mas a vontade dele era parar mesmo.”

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