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Ponto inicial da rivalidade Senna x Prost completa 30 anos; relembre

Brasileiro desobedeceu acordo interno da McLaren de não disputar liderança na primeira curva após relargada em Imola e incendiou relação com francês

Winner Ayrton Senna, McLaren MP4/5 inside Alain Prost, McLaren MP4/5

O GP de San Marino de 1989 ficou marcado na história da Fórmula 1 por dois motivos: o primeiro, o violento acidente de Gerhard Berger na Tamburello no início da prova. O segundo, uma ultrapassagem que mudaria para sempre a história da F1.

A exatos 30 anos, a corrida em Imola teve três voltas realizadas antes de a Ferrari de Berger, com tanque cheio, explodir em chamas após um violento acidente devido a uma falha na asa dianteira.

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Os comissários correram rapidamente até o carro para extinguir o fogo e tirar Gerhard de lá. Com as mãos machucadas e queimaduras, ele ficou fora da corrida seguinte, em Mônaco.

O acidente abriu espaço para uma segunda ocorrência, que marcaria aquele dia e a F1 para sempre. Ayrton Senna desobedeceu um 'acordo de cavalheiros' da McLaren de não disputar a primeira curva das provas.

Senna, pole position e que era líder da prova até então, relargou pior que o companheiro Alain Prost na segunda saída e deu o troco no francês na primeira freada da prova, na curva Tosa – algo que deixou Alain furioso, já que não esperava o ataque do companheiro brasileiro devido ao acordo.

Este foi o início da rivalidade mais clássica da história da F1. Toda a animosidade envolvida na disputa dos títulos de 1989 e 1990 iniciou exatamente naquele ponto.

Recordando o dia histórico, o site da McLaren trouxe a palavra de alguns dos envolvidos naquela confusão.

"Eu o vi à esquerda e havia muito espaço. Pensei: ‘tudo bem, vou pegar a linha normal para sair melhor’. Só que ele me ultrapassou", lembrou Prost.

“Na reunião com Ron (Dennis, chefe da equipe), não falei nada. Eu apenas escutei. Ron perguntou a Ayrton se havia um acordo e ele disse que sim, mas apenas para a primeira largada, não para a segunda.”

“Mas, mais importante, ele disse que eu o havia ultrapassado. Eu disse que não sei quantos milhões de pessoas viram o que aconteceu na televisão: ele havia me ultrapassado e isso não foi o que havíamos concordado. Demorou 20 minutos até que Ayrton aceitasse o que havia acontecido. Foi inacreditável.”

Engenheiro do time na época, Neil Oatley relembra que a partir daquele momento o clima dentro da equipe passou a ser bem complicado.

“A partir daquele momento, não houve conversa entre os dois pilotos pelo resto da temporada”, falou.

“Na sala de reuniões, tínhamos os dois pilotos, Gordon Murray e dois engenheiros - Steve Nichols e eu. Ayrton me fazia perguntas sobre o que nosso carro estava fazendo e Alain perguntaria a Steve.”

“Ocasionalmente eles falavam ‘oi’, mas esse era o limite de sua comunicação. Além disso, o resto da equipe estava imune ao que estava acontecendo entre os dois pilotos, embora eu tenha certeza de que Ron ouvia os dois.”

Diretor técnico na época, Gordon Murray lembra que ameaçava os pilotos para que eles não escondessem nenhum dado e participassem das reuniões durante as corridas juntos.

“Eu insisti que as reuniões fossem feitas com os dois engenheiros de corrida presentes e os dois pilotos presentes. Eles podem não ter gostado, mas havia muito pouca conversa entre os dois. Mas pelo menos tudo estava aberto.”

“Eu costumava ameaçá-los com todo tipo de retaliação se os pegasse conversando separadamente com seus engenheiros. Nós conseguíamos baixar todas as informações. Pode ter havido - e tenho certeza de que houve - blefes psicológicos, duplos e triplos, mas isso sempre esteve ali.”

No fim do ano, Prost foi campeão ao jogar o carro em cima de Senna no Japão. O brasileiro ainda ganhou aquela corrida, mas foi desclassificado pela direção de provas por cortar caminho para retornar à pista.

Prost já havia anunciado saída da McLaren na ocasião. Ele iria para a Ferrari em 1990, citando que havia se tornado "quase impossível" trabalhar com Senna.

Acidente de Gerhard Berger, Ferrari em um monitor
Pódio: Vencedor Ayrton Senna, McLaren, segundo Alain Prost, McLaren, e terceiro Alessandro Nannini, Benetton B188
Ayrton Senna passa Alain Prost, McLaren MP4/5 na relargada
Ayrton Senna passa Alain Prost, McLaren MP4/5 na relargada
Ayrton Senna, McLaren MP4-5, à frente de Alain Prost, McLaren, Nigel Mansell, Ferrari 640, Riccardo Patrese Wiliams FW12C, Gerhard Berger, Ferrari 640, e o resto na primeira largada
Ayrton Senna passa Alain Prost, McLaren MP4/5 na relargada
Ayrton Senna passa Alain Prost, McLaren MP4/5 na relargada
Alain Prost, McLaren MP4-5 Honda, à frente de Ayrton Senna na relargada
Ayrton Senna, McLaren MP4/5
Ayrton Senna, McLaren MP4/5
Alain Prost e Ayrton Senna, McLaren conversam no grid antes da relargada
Andreas De Cesaris, Dallara F189
Alessandro Nannini, Benetton B188
Alessandro Nannini, Benetton B188
Alain Prost, McLaren fala com presidente da FISA Jean-Marie Balestre
Christian Danner, Rial ARC2 Ford
Mauricio Gugelmin, March 881
Martin Brundle, Brabham BT58
Nicola Larini, Osella FA1M
Ayrton Senna, McLaren MP4/5 recebe a bandeirada
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