Com dinâmicas de grupo e novas regras, CBA quer melhor entendimento entre pilotos e comissários na Stock Car

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Com dinâmicas de grupo e novas regras, CBA quer melhor entendimento entre pilotos e comissários na Stock Car
20 de dez de 2018 18:12

Novidades já aplicadas em 2018 permanecerão para temporada 2019. Felipe Giaffone traz experiência da F1 para evitar desentendimentos nas pistas e na justiça

Um encontro com pilotos, membros de equipes e comissários promete virar rotina na Stock Car a partir de 2019, além do próprio briefing de pilotos. A primeira experiência aconteceu em Interlagos, na quinta-feira antes da grande final deste ano, que definiu o bicampeonato de Daniel Serra. A organização encarou como uma dinâmica de grupo, expondo casos ocorridos nas pistas e, em seguida, pedindo a opinião dos envolvidos.

Tudo isso orquestrado pelo piloto e comissário da FIA, Felipe Giaffone, que teve a oportunidade de citar apenas uma questão, já que as conversas sobre casos anteriores de todos eles vieram a tona, o que impossibilitou novas dúvidas a serem debatidas naquela hora.

Ao término, todos saíram certos de que o envolvimento de Giaffone era benéfico para a Stock Car, mesmo não ocupando cargo oficial, mas ajudando no relacionamento entre pilotos e comissários.

Algumas mudanças já foram testadas nas últimas etapas de 2018 e deverão permanecer, como:

- Gravação dos Briefings: todas as reuniões de pilotos e equipes serão registradas;

- Recolhimento de câmeras onboards: os cartões de memória das câmeras onboards dos carros eram recolhidos somente em caso de dúvidas em decisões, mas algumas vezes as equipes já haviam deixado o autódromo. Agora, todas as onboards serão confiscadas após as provas e devolvidas na etapa seguinte;

- Câmera nos comissários técnicos: os comissários utilizarão câmeras acopladas ao peito que gravarão todas as atividades na corrida. Isso faz com que fiquem registradas todos os procedimentos de vistoria e conversas com pilotos e membros de equipes.

Aliado a essas medidas, outras devem entrar em vigor quando o campeonato da próxima temporada começar em Tarumã, em abril.

- Gravação de conversas entre pilotos e comissários na torre: ainda está sendo definido se já será colocada em prática no começo da temporada, mas devem ser feitas ainda em 2019;

- Programas de desenvolvimento de comissários: a ideia é que seja realizado um programa para desenvolvimento, treinamento, evolução e reciclagem de comissários;

Paralelamente, também vai começar um treinamento básico para comissários que estão iniciando seus trabalhos nas provas estaduais, para que possam evoluir para um grau de treinamento mais elevado.

A grande bronca

Assim como no futebol, um lance na pista pode ter várias interpretações e os próprios pilotos sabem disso. Para Cacá Bueno, bastante ativo na dinâmica, a questão vai mais além, com a coerência das decisões.

“Tenho a consciência de que muitos acidentes continuarão a ser interpretativos durante muito tempo. O grande atrito entre pilotos e comissários vem da questão de ser dois lances exatamente iguais em corridas diferentes, que são analisadas e punidas de maneiras diferentes e aí te passa aquela sensação de injustiça.”

E citou um  episódio recente: “Meu lance clássico da luz de freios. Na corrida anterior, um carro sofreu manutenção no grid de largada sobre o ponto de ‘resolver um problema de segurança’, então itens de segurança poderiam ser trabalhados no grid de largada.”

“Na corrida seguinte, eu fui tirado do grid, exatamente pela luz de freios não funcionar, sendo que ela é um item de segurança. Espera aí: o cara pôde consertar o dele e eu não pude ter o direito de consertar o meu?”

“São esses itens que acabam fazendo com que você fale de uma forma truculenta com o comissário e por ele escutar todo mundo falar de maneira truculenta, ele responde da mesma forma, e vai tendo o desgaste ao longo do tempo. Esse é o meu grande ponto, que as leis sejam mais claras, que as punições sejam mais claras, que a interpretação seja uma só.

Para Giaffone, manobras “preto no branco” sem margem para interpretações, beiram a utopia.

“Acho que o preto no branco para comissário esportivo você nunca irá ter. É a mesma coisa no futebol com um árbitro que julga um empurrão mais fraco ou mais forte, mas acho que está para melhorar muito, no que vem sendo feito e é o que o Cacá está querendo.”

“Venho trabalhando nisso há algum tempo como comissário da FIA e vejo a dificuldade. Algumas situações sempre serão desagradáveis e as pessoas vão pensar diferente. O que a gente vai tentar, por meio desta reunião, é tentar fazer com que os pilotos entendam as regras.”

“O que acontece muito é que os comissários têm um pensamento, alguns dos pilotos pensam como os comissários e outros não. E nunca foi passado, de fato, o que pode ou o que não pode. Vai acabar a discussão? Não, mas vai ajudar bastante.”

Acordo de cavalheiros?

Outro ponto bastante debatido na conversa foram as consequências de se levar um caso não resolvido ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O tribunal que define punições a lances de todos os esportes e que ganha sempre os holofotes da mídia esportiva em casos de “tapetão” no futebol, também define o destino de muitas corridas.

Um deles foi em Campo Grande, quando Ricardo Zonta teve a vitória tirada por ter entrado nos pits quando estava fechado, após a entrada de um safety car. Com isso, Cacá Bueno foi declarado o vencedor daquela corrida. Durante o próprio fim de semana em Interlagos, Zonta reclamou das pessoas que julgaram seu caso e o entendimento quase unânime daqueles reunidos era de que os que julgam não tem o entendimento necessário do esporte.

Sabendo que esse processo pode ser prejudicial, não seria ideal firmar um acordo de cavalheiros em que as decisões não iriam para o plenário do STJD, deixando para aqueles “que entendem” definir?

Os dois personagens principais desta história tem pontos de vista diferentes.

“Acho que essas decisões estão tão divergentes que acho que a gente tem o direito de procurar a justiça se a lei assim permite,” disse Cacá Bueno. “Isso é uma briga diária de todos os esportes. É bom que as pessoas entendam é que buscamos a melhora, mas que entendemos que essas coisas aconteçam e enquanto não temos um padrão melhor, que a gente tenha o direito do recurso.”

“No automobilismo nós temos há muito mais tempo os recursos de imagem, então nosso nível de erros deveria ser muito menor. Enquanto isso não acontecer, acho justo e legítimo que os pilotos busquem o tribunal para que a gente possa mostrar porque o comissário errou.”

“Daí entramos em um segundo ponto: acho que o tribunal esportivo deveria ser mais entendido e capacitado dentro do mundo do automobilismo. Um advogado, por melhor que ele seja, é difícil ele interpretar uma câmera onboard ou uma manobra de um piloto."

Já Giaffone vê como uma boa saída, mas ressalta que o compromisso firmado entre os times tem que prevalecer.

“Seria ótimo. Acho que no caso, eles (STJD) poderiam ser ótimos para o caso de uma agressão física, verbal, o que normalmente acontece no futebol e que vai parar lá. Mas eu sou muito contra de que vá para lá, de que eles tomem decisões aonde os comissários desportivos daqui que estão por dentro, tem o acesso aos pilotos, as equipes, vai para sete pessoas que não vivenciaram isso e que não são especialistas do negócio.”

“O acordo de cavalheiros é uma boa tentativa, mas tem que ser muito bem montado. Tudo o que for decisão esportiva e técnicas têm um acordo interno e talvez funcione. Eu não vejo a lei se modificando para que isso aconteça, a CBA não tem poder para isso. O acordo de cavalheiros, com todo mundo reunido, pensando no bem do negócio faz total sentido.”

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