F1: Anistia alerta que Arábia Saudita mira GP como cortina de fumaça para esconder crimes contra direitos humanos

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F1: Anistia alerta que Arábia Saudita mira GP como cortina de fumaça para esconder crimes contra direitos humanos
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Organização divulgou nota com críticas ao país do Oriente Médio e orientações à F1 sobre como proceder caso a prova seja levada adiante

A organização de direitos humanos Anistia Internacional divulgou nesta semana uma nota de alerta à Fórmula 1 sobre os planos de realização de uma corrida na Arábia Saudita em 2021, afirmando que o país pode praticar algo chamado de sportswashing, que seria, essencialmente, ouso do esporte como uma cortina de fumaça para esconder um registro ruim de direitos humanos.

A edição inaugural do GP da Arábia Saudita faz parte do calendário provisório de 2021 que foi entregue aos chefes de equipe na reunião da Comissão da F1 na segunda. Os planos a longo prazo do esporte para o país incluem uma corrida em Al-Qiddya, um complexo que está sendo construído próximo da capital Riyadh. Diretor da Associação de Pilotos, Romain Grosjean estava no evento de lançamento das obras e chamou o projeto de "extraordinário".

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A F1 já formou ligações próximas com o país através da gigante petrolífera Aramco, uma de suas principais parceiras comerciais neste ano. A companhia também está presente como patrocinadora master de GPs como da Hungria e da Espanha.

A Arábia Saudita tem se colocado no mundo do esporte a motor nos últimos anos, com provas da Fórmula E em Diriyah desde 2018 e a edição deste ano do Dakar. Enquanto isso, a Anistia vem lutando há anos contra as violações aos direitos humanos no país, destacando a ligação com o esporte.

Mais cedo neste ano, a organização lançou uma nota pedindo precaução sobre a compra no Newcastle United FC, time britânico de futebol, por uma organização saudita através do fundo soberano do país, conhecido como Fundo Público de Investimento (FPI), que também é dono da Aramco. Mas a negociação não foi adiante.

A FPI está gastando muito dinheiro a nível internacional deste ano, mirando companhias que foram atingidas pela crise da Covid-19. Ela declarou interesses em grupos como Uber, Boeing, Citigroup, Facebook, Marriott, Disney, Cisco, Bank of America, Shell, IBM, Starbucks e mais. Ela anunciou também uma compra de ações no valor de quase R$2,5 bilhões de dólares na Live Nation, uma companhia irmã da F1.

E a notícia da possível corrida da categoria no país gerou uma rápida resposta da organização.

"A potencial realização de um GP da Arábia Saudita da Fórmula 1 no país é parte de um sportswashing do registro abismal de direitos humanos", disse Felix Jakens, chefe de campanhas internacionais da Anistia.

"A tentativa falha de compra do Newcastle United obviamente não parou as autoridades sauditas, que aparentemente ainda veem o esporte de alto rendimento como forma de mudar a imagem severamente manchada do país".

"Apesar da eventual liberação das mulheres sauditas, que finalmente podem dirigir um carro sem ser presas, as autoridades prenderam e torturaram recentemente várias ativistas de destaque do país, incluindo Loujain al-Hathlou e Nassima al-Sada".

"Caso GP da Arábia Saudita siga adiante, o mínimo que a F1 deveria fazer é insistir que todos os contratos contenham o mínimo de direitos em todas as cadeias de fornecimento, e que todos os eventos sejam abertos a todos, sem discriminação".

Jakens pediu por apoio dos principais investidores e nomes do esporte: "No caminho para a corrida em Jeddah, pedimos a todos os pilotos, donos e equipes que considerem falar sobre a situação dos direitos humanos no país, incluindo expressar solidariedade com os ativistas presos".

Quando perguntado sobre a nota da Anistia, a F1 não comentou a situação específica da Arábia Saudita, notando que o evento ainda nem foi oficialmente anunciado.

Porém, um porta-voz destacou que a organização mantém um foco nos direitos humanos, afirmando ao Motorsport.com: "Por décadas, a F1 tem dado o seu melhor para ser uma força positiva por onde passa, incluindo benefícios econômicos, sociais e culturais".

"Esportes como a F1 tem uma posição única para cruzar fronteiras e culturas para unir países e comunidades juntos para compartilhar a paixão e a animação de uma competição incrível e suas conquistas".

"Levamos nossas responsabilidades a sério e deixamos nossa posição sobre direitos humanos e outros assuntos claro para todos nossos parceiros e países-sedes, que se comprometem a respeitar esses direitos no modo em que os eventos são realizados".

Presentation of the Qiddiya Grand Prix

Presentation of the Qiddiya Grand Prix

Photo by: Qiddiya Grand Prix

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Categoria Fórmula 1
Autor Adam Cooper