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Webber reconhece que interesses dificultam decisão sobre Bahrein

Australiano diz que quer correr e salienta que está sob contrato, assim como as equipes, mas frisa: "é apenas uma corrida de carros"

Webber não se diz confortável para ir ao Bahrein

Mark Webber não se mostrou confortável com a indecisão a respeito do GP do Bahrein, seriamente ameaçado pelos violentos confrontos entre a população e o governo, que já provocaram o cancelamento da prova no passado.

Em entrevista acompanhada pelo TotalRace em Xangai, o australiano , no entanto, lembrou que a situação é delicada devido aos interesses envolvidos e disse que os pilotos não têm muito o que fazer. “No final das contas, nós somos seres humanos, temos moral, maneiras como vemos as coisas e, mesmo que sejamos esportistas, pilotos, seja o que for, faço o mesmo que vocês ou qualquer outro.”

“Gostaríamos de pensar que a situação das pessoas seja justa e que tudo seja correto, como gostaríamos que fosse e por isso escolhemos viver nos países em que vivemos, mas, como piloto de F-1, tenho um contrato com a equipe. Eles têm um contrato com a FIA para correr em todas as 20 etapas do campeonato. Temos de ir para esses lugares e correr. É assim que funciona.”

Webber salientou o papel que as mídias sociais têm tido para pressionar as autoridades a cancelar o evento.

“Temos muitos pontos de vista. Acredito que ambos os lados estejam sendo avisados pelo twitter. Se não houvesse uma rede social seria interessante ver como a situação estaria, mas a FIA está observando a situação e obviamente estamos confiando imensamente neles – e isso não apenas nós pilotos, como também os jornalistas, fotógrafos, todos, para chegar e sair da pista todo dia, competir nessa pista e ter um final de semana de GP normal. É o que todos amaríamos ver.”

“Tenho assistido ao noticiário para tentar ter uma visão o mais equilibrada possível. A situação está um pouco mais calma. Mas não tenho nenhuma informação a mais do que vocês. Mas se você tem uma escolha... eu quero correr e é o que eu gostaria de fazer lá. Dito isso, não dá para ignorar o fato de que todos nós temos na cabeça que há muitas pessoas boas no nosso esporte e todos sabemos que não queremos nos envolver com a situação que está acontecendo lá. Mas há os que apoiam a nossa corrida, por isso é tão difícil.”

“Podemos aumentar a segurança, mas também acho que ninguém pode ter isso, o me deixa desconfortável. É a situação que teremos lá.”

Webber disse não se incomodar, no entanto, com o fato do governo barenita estar usando imagens da F-1 para ajudar na promoção da ideia de um país unido. Para o piloto da Red Bull, vários países que abrigam a F-1 o fazem por algum motivo político.

“Há muito dinheiro que vem de Abu Dhabi e do Bahrein, eles gostam muito da F-1 e claramente querem ter a corrida de novo. Veremos como funciona. Eles provavelmente sabem mais da situação do que nós e sentem que é válido usar um evento mundial para unir as pessoas. Ainda não vi uma arquibancada cheia lá e acho que não vou ver na semana que vem. Acho que depende de que tipo de pessoas eles querem levar.”

“A maioria dos lugares em que vamos é por bons motivos. Mas há sempre agendas. A F-1 é popular por motivos diferentes. Há uma questão de status e é por isso que é tão atrativo para estes países.”

Webber também fez questão de colocar o evento em perspectiva: ao mesmo tempo em que ele chama a atenção por ser um grande acontecimento, cancelá-lo também estaria longe de ser o fim do mundo.

“Seria muito frustrante se fosse a última corrida do ano, mas estamos no começo e ainda há muito o que acontecer. Isso está gerando mídia porque a F-1 é um esporte com uma visibilidade incrível. Se estivéssemos indo lá para uma corrida de 5km não haveria tanto interesse. A F-1 é esporte/negócio/muitas coisas e é por isso que há muito interesse envolvido.”

“Acho uma decisão difícil porque falta apenas uma semana. No final das contas, é apenas uma corrida de carros. Há muita gente que não faz a mínima ideia que haverá um GP no Bahrein no final de semana que vem, temos de sair da bolha do quão importante é isso. As coisas podem ser canceladas facilmente.”

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