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Whitmarsh ao TR: "A McLaren já foi muito fria e arrogante"

Chefe da equipe desde 2009, britânico reconhece mudança na imagem do time - mas garante que não é o único responsável

Já foi o tempo em que o motorhome da McLaren era apelidado de ‘Estrela da Morte’. Talvez nem tanto pela estética, mas pelo clima frio e arrogante que reinava dentro da equipe. Convites para almoçar no time pareciam uma heresia. Nos últimos anos, porém, muita dessa imagem sisuda foi deixada de lado, não coincidentemente, após a ascensão de Martin Whitmarsh à chefia da equipe.

A história do britânico de 54 anos é longa dentro do time de Woking, como ele mesmo fez questão de frisar em entrevista exclusiva ao TotalRace. Formado em engenharia mecânica, trabalhou na indústria aeroespacial antes de entrar na McLaren, em 1989.

Com o passar dos anos, voltou-se a cargos mais administrativos até se tornar o sucessor natural de Ron Dennis, homem que comprou uma equipe praticamente falida no início dos anos 1980, criou um império e nunca foi exatamente conhecido pela simpatia. Whitmarsh assumiu a equipe oficialmente em março de 2009 e admite que muita coisa mudou na McLaren desde então.

“Acho que os outros é que deveriam comentar. Tenho envolvimento com a equipe há muito tempo. Acho que já fomos muito frios e arrogantes e tento ser honesto e direto. Sou apaixonado pelas vitórias, não gosto de perder e peço a todos na equipe que tentem vencer mas, ao mesmo tempo, que sejam abertos e amigáveis.”

“Sempre houve uma grande paixão dentro da equipe e talvez, em determinadas épocas, escondemos isso. Mas é o mesmo para todos – não sou apenas eu. Acho que a equipe inteira evoluiu nesse sentido.”

Whitmarsh revela ainda uma preocupação comercial na renovação da imagem do time. “Também acho que as pessoas querem se associar com uma equipe que é claramente apaixonada, aberta e amigável, e não uma fria e arredia.”

Mas, mesmo deixando a cara feia de lado, a responsabilidade de comandar uma das equipes mais antigas e vencedoras da F-1 tem seus momentos de estresse.

“Desde 1966, a McLaren venceu 25% de todos os GPs e há uma expectativa principalmente da mídia britânica de que temos de vencer. Quando isso não acontece, a pressão é grande. E também nos pressionamos internamente. Sou apenas o quarto chefe de equipe da história da McLaren e tenho consciência desse patrimônio e também espero que vençamos.”

Isso, especialmente neste ano, em que as performances têm variado praticamente a cada prova. Mas Whitmarsh não gostaria que fosse muito diferente.

“Quando sentimos que não compreendemos exatamente todo o pacote – sejam os pneus ou o carro – é sempre preocupante. É emocionante, estressante, mas é assim que deve ser. A maioria de nós gosta da adrenalina do estresse.”

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