Chefe da F3 vê automobilismo brasileiro em pior momento

Dono de equipe tradicional, Augusto Cesário vê Brasil perdendo status de potência no automobilismo: “Podemos virar uma Argentina”

Chefe da F3 vê automobilismo brasileiro em pior momento
Matheus Iorio, Pedro Piquet e Rodrigo Baptista
Guilherme Samaia
Matheus Iorio
Matheus Iorio comemora
Matheus Iorio
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Matheus Iorio

A crise no automobilismo do Brasil, exposta pelo risco existente de o país não ter nenhum representante na Fórmula 1 no ano que vem pela primeira vez desde a estreia de Emerson Fittipaldi no ano de 1970, assusta Augusto Cesário.

Chefe de equipe na Fórmula 3 Brasil, campeonato responsável por formar jovens pilotos vindos do kart nos carros, ele não crê em um futuro dos mais animadores para o país nas principais categorias internacionais do automobilismo. O mau momento é refletido inclusive no grid da F3, que correu nas últimas duas provas com menos de dez carros.

Neste final de semana em Goiânia, o campeonato contou com apenas cinco carros inscritos para os primeiros treinos livres.

Por isso, Cesário - que formou pilotos de renome internacional como Ricardo Zonta, Cristiano da Matta e Hélio Castroneves – acredita que o país esteja enfrentando seu pior momento no automobilismo.

“Acho que sim. Nunca tivemos uma época tão indefinida”, falou ao Motorsport.com em Goiânia.

“Nas categorias top, como a Fórmula 1 e mesmo na Indy, não conseguimos revelar bons nomes há muito tempo. Agora com a saída do Massa, não sei como vai ser.”

“Desde a base está errado. Você vê: começamos com 17 carros (o campeonato de 2016 da F3 Brasil), e agora lutamos para ter seis ou sete. Falta apoio, e isso é uma mistura de organização, patrocínio e equipes competitivas. Só este tripé funcionando pode reviver esta categoria e o nosso automobilismo.”

“Se a CBA, as autoridades esportivas e os patrocinadores não virem isso e intervirem para melhorar – como já houve em outros esportes, como futebol, natação, judô e etc – eu temo pelo nosso futuro sim.”

Para Cesário, que lidera com dois de seus pilotos (Matheus Iorio e Guilherme Samaia) o campeonato deste ano, é necessário que se crie um caminho mais fácil do kart brasileiro para a Fórmula 3 por meio de iniciativas e premiações. Sem isso atualmente, os pilotos vão cada vez mais correr na Europa sem a preparação ideal.

“Essa categoria precisa que os garotos competitivos do kart venham para cá - é uma categoria escola”, adicionou.

“Os pilotos bons do kart teriam que obrigatoriamente passar por aqui. Porque, como vemos, se o cara vai direto para a Europa, acaba não tendo a preparação ideal. Muitos dos nossos pilotos têm sofrido.”

Augusto finaliza dizendo que o Brasil pode se tornar uma Argentina, no que diz respeito de não revelar mais nenhum piloto internacional, e ver suas grandes estrelas do kart permanecendo no país e correndo nos campeonatos de turismo regionais.

“Ver um piloto competitivo de kart fazer campeonatos de quinta categoria fora dos fórmulas é muito ruim. Vemos aqui pilotos que andaram bem e foram parar no turismo. Isso é lamentável. Nós podemos virar uma Argentina.”

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