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Membros do Superbike se dizem “reféns” de desatenção com motociclismo devido à F1

Fontes do paddock do evento definem acidente no último domingo como “fatalidade” e expõem dificuldades em modernizar Interlagos

Largada Superbike Brasil 2018

O acidente que vitimou o piloto Mauricio Paludete no Superbike Brasil em Interlagos no último domingo continua repercutindo no meio do motociclismo brasileiro. A morte do piloto é a última de uma sequência de acidentes fatais nos últimos anos na pista de Interlagos, em São Paulo.

O centro do problema é que atualmente no Brasil não existem pistas próprias para o motociclismo. Interlagos – por estar no centro comercial do país – é bastante requisitada, entretanto, como se sabe, o circuito não segue os padrões de segurança desejáveis para provas de moto de acordo com o que pede a Federação Internacional de Motociclismo (FIM).

Segundo fontes ouvidas pelo Motorsport.com, que pediram anonimato em função do assunto ser delicado, os principais pontos perigosos são a Curva do Café – onde há uma proteção de ar – e o Bico de Pato. O fim da reta dos boxes, por se tratar de um ponto com muita área de escape, não estaria acima destes dois em termos de risco, apesar de ser o local que tirou a vida de Paludete.

Ainda segundo um informante, a dinâmica do acidente de domingo não seria aliviada mesmo com a presença de uma proteção de ar e espuma no local.

O paddock reclama principalmente da desatenção com o mundo das duas rodas quando o assunto é reformar Interlagos. Segundo as fontes escutadas, o novo layout da chicane na Curva do Café não é próprio para motos, já que o desenho acentuou o risco de se acertar o muro no interior da pista no caso de um erro.

“Fizeram uma cagada”, disse uma das fontes, que ainda destacou: “quando você faz pista segura para moto, ela será segura para carros também. O contrário, não”.

“Se você errar ali, você entra reto no guard-rail. Mesmo em baixa velocidade a porrada é seca. Foi uma burrice. Foram fazer aquilo ali e chamaram o pessoal dos carros. E o pessoal da moto? Chama o pessoal da moto para fazer, foi para moto que a chicane foi feita. Pô, dá para antecipar um pouco a entrada do ‘S’, porque aí a moto não bate.”

Ainda segundo pessoas ligadas ao evento, o principal problema para a segurança de motociclistas em Interlagos é a realização da Fórmula 1. De acordo com as informações apuradas, pilotos de moto não teriam voz ativa devido à maior importância da F1.

“Tem muita coisa para mudar, e não vão fazer isso porque no final chega a F1 e fala: ‘não quero assim, quero assado’. E acabou”, disse outra fonte.

“Agora vamos ter obras de box. O campeonato vai ser obrigado a ficar acampado em boxes do outro lado. Interlagos é a única pista no mundo que fecha três ou quatro meses antes de uma corrida. É um absurdo.”

Outro fato apurado pelo Motorsport.com é que a curva alternativa do Bico de Pato – feita para o motociclismo durante o recapeamento de Interlagos, em 2014 – tem asfalto muito irregular e impróprio para o uso profissional. Outro problema é que, segundo as fontes, Interlagos não deixa o campeonato prender as proteções de ar e espuma no asfalto, como é o recomendado. Atualmente, pilotos podem entrar por baixo das barreiras em um acidente.

“Normalmente, em pistas próprias para moto, você cai, tem uma caixa de brita para te segurar e só depois vai para a proteção. Não temos mais caixas de brita em Interlagos. Você coloca (a proteção) no Café e tem que fixar no chão. Só que ali fica dentro do asfalto. Como você vai fixar? Vai furar o asfalto? Eles não deixam.”

Por fim, as fontes convergem dizendo que o objetivo é realizar um campeonato forte no Brasil, mas que o fato de serem “reféns” na situação do esporte a motor nacional não ajuda na busca por segurança.

“Se olharmos por este critério, não podemos mais fazer competição no Brasil”, afirmou uma fonte.

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