Barrichello: Primeiros dias após saída da F1 foram difíceis

Brasileiro abre o jogo e revela por que decidiu desistir da carreira na Indy após apenas uma temporada

Barrichello: Primeiros dias após saída da F1 foram difíceis
#29 Racing Team Nederland Dallara P217 Gibson: Rubens Barrichello, Jan Lammers, Frits van Eerd
Rubens Barrichello
#29 Racing Team Nederland Dallara P217 Gibson: Rubens Barrichello, Jan Lammers, Frits van Eerd
Rubens Barrichello, KV Racing Technology Chevrolet
Mika Hakkinen, McLaren,Rubens Barrichello, Ferrari, e David Coulthard, McLaren
Rubens Barrichello, Jordan 195
Podium: Race winner David Coulthard, McLaren, second place Rubens Barrichello, Ferrari, third place Giancarlo Fisichella, Benetton
Rubens Barrichello
Rubens Barrichello, Jordan 196 Peugeot
Podium: race winner Michael Schumacher, second place Gerhard Berger, third place Rubens Barrichello
1st place Jenson Button, Brawn GP with 2nd place Rubens Barrichello, Brawn GP and 3rd place Kimi Raikkonen, Scuderia Ferrari
Rubens Barrichello no pódio da corrida 1 em Santa Cruz do Sul
Rubens Barrichello
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Recordista de participações na Fórmula 1, com 322 largadas, Rubens Barrichello revelou que sentiu dificuldade em readaptar sua vida após a saída da F1. O piloto acabou perdendo uma disputa  com Bruno Senna pela segunda vaga para correr na Williams em 2012 e foi obrigado a dizer adeus ao campeonato.

Cinco anos depois, Barrichello, que neste ano correu pela primeira vez as 24 Horas de Le Mans, disse que não queria sair da F1.

"Foi difícil ajustar, porque, sendo honesto, eu não esperava", disse o brasileiro de 45 anos ao site Crash.net.

"É a história da Fórmula 1 hoje em dia. Há pilotos lá que estão usando seu pacote financeiro para entrar. Isso é um pouco menos romântico na minha opinião. Sempre que perdi meu lugar, foi por isso.”

"Os primeiros dias foram difíceis. Acabei assinando um contrato com a IndyCar e foi uma boa decisão. Eu deveria ter esperado mais dez dias para conversar com todas as equipes, porque tinha acabado de entrar e boom: aceitei a primeira oferta. Estava correndo já. É quase como se que a sua namorada te dissesse um não e, em seguida, uma outra mulher te dissesse sim.”

"Essa foi a única coisa que eu deveria ter feito diferente, porque meu carro demorou muito para ser competitivo na Indy. O time não estava configurado para ter um terceiro carro. Estava lá, e então eles conseguiram um mecânico ali, outro engenheiro lá. Levou um tempo para estabilizar. No final, estava bem nos ovais e pistas mistas.”

No entanto, Barrichello afirma que a reviravolta ocorrida em 2009, com a Honda deixando a Fórmula 1 e a chegada da Brawn GP, lhe ensinou a nunca desistir da carreira.

"Não estou triste por nada. Acho que a vida está aí para você aprender. Para mim, o melhor momento que eu tive na Fórmula 1 demorou muito tempo para se materializar. Se você se lembrar de 2008 a 2009, não trabalhei por quatro meses. Aí tive uma ligação. A vida é um renascimento todos os dias.”

"Você só tem que estar aberto e com certeza as coisas podem virar para o seu lado. Eu acho que ficar 19 anos (na F1) e ver o que eu fiz... você vê hoje as pessoas chegando lá com dinheiro, mas durando um ou dois anos. Ter durado tanto tempo ainda é impressionante para mim."

Barrichello terminou em 12º lugar em sua única temporada na IndyCar, conquistando seu melhor resultado em Sonoma - um quarto lugar.

Ele diz que está satisfeito por ter aceitado a oferta de correr no Brasil, onde conquistou o título da Stock Car em 2014.

"Eu tinha a oferta de correr na Stock Car. Recusei da primeira vez. Disse: 'não, ainda estou guiando na Indy'. Da segunda vez foi o mesmo, recusei.”

"Da terceira vez, me lembrei da história do padre da cidade que estava debaixo d'água. Ele estava no topo da igreja e dois barcos passaram. Ele disse: ‘Não, não, não, fiz o suficiente para Deus, ele vai me salvar’. Quando ele recusou o terceiro barco, morreu. Quando chegou no céu, o padre disse a Deus: "Mas eu me dediquei a você, senhor". Deus disse: "Eu mandei três barcos e você não entrou em nenhum’."

"Tive a mesma perspectiva. Ok, estou tentando trabalhar aqui, mas eles me queriam. Eu ainda queria andar na Stock Car, porque era meu sonho quando criança. Sempre gostei da Stock Car.”

"Então eu desisti e assinei para fazer essas três corridas (2012) para arrecadar dinheiro para minha instituição de caridade. Aí eu me apaixonei pelo carro e pelas corridas e as 100 mil pessoas que tivemos lá na pista. Foi legal."

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