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Domenicali: F1 não se arrepende de adicionar Arábia Saudita ao calendário

CEO da F1 acredita que o esporte pode ser catalisador de mudanças no país, acusado de diversas violações contra os direitos humanos

Saudi Arabia flag

Nesta quinta, a Fórmula 1 divulgou o traçado do circuito de Jeddah, que receberá a edição inaugural do GP da Arábia Saudita, etapa que vem causando muitas polêmicas no esporte devido às violações contra os direitos humanos cometidos pelo país. Mas mesmo com alertas, críticas e pedidos de boicote, Stefano Domenicali, CEO da F1, afirmou que há "zero arrependimento" pela adição da prova ao calendário.

Quando surgiram os primeiros rumores da prova, a Anistia Internacional divulgou uma nota alertando à F1 ao fato de que a Arábia Saudita usa os eventos esportivos como uma "cortina de fumaça", para encobrir as diversas violações aos direitos humanos que comete contra as mulheres e a população LGBTQIA+ no país, como prisão e açoitamento.

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Mas em entrevista ao Daily Mail, Domenicali defendeu que a F1 pode ter um impacto positivo em sua passagem pelo país.

"Zero arrependimento. A Fórmula 1 tem um papel para cumprir em apresentar nossos valores em diferentes partes do mundo. O esporte pode ajudar a acelerar o progresso, colocando isso sob um holofote. Podemos ser catalisadores, e vamos discutir essas questões com os sauditas".

Apesar das críticas dos fãs, Christian Horner, chefe da Red Bull, afirmou que a F1 "não é uma organização política" e que o "esporte nunca deve ser visto como político". Já Toto Wolff, da Mercedes, acredita que o esporte pode ajudar a trazer mudanças, falando que “o esporte deve se unir” e “ajudar a nos levar a um lugar melhor”.

Voz ativa na luta pelos direitos humanos, Lewis Hamilton também comentou sobre a adição do GP da Arábia Saudita, no final do ano passado, acreditando que o esporte pode ser um catalisador para mudanças maiores em uma sociedade.

“Nelson Mandela disse há muitos anos que o esporte tem o poder de mudar o mundo para melhor. E acho que já vimos as mudanças positivas com as quais nós, como esporte, nos comprometemos e começamos a empurrar na direção de apoiar os direitos humanos e a igualdade e inclusão".

No final de fevereiro, 45 organizações de direitos humanos enviaram uma carta a Hamilton, pedindo que o heptacampeão boicote a prova. A monarquia da Arábia Saudita vem rebatendo as críticas, afirmando que elas são feitas por pessoas que desconhecem a realidade do país.

Questionado sobre sua resposta a alguns fãs não estarem felizes com a Arábia Saudita estar no calendário da F1, ele disse: “Eu não os culpo, quando você não conhece um país, e quando você tem uma certa imagem negativa de um país.

Na mesma entrevista, Domenicali, que assumiu o posto em janeiro deste ano no lugar de Chase Carey, falou sobre como ele visa a expansão do calendário da F1, reduzindo o número de provas realizadas na Europa.

"Quero um terço de corridas na Europa e aí expandir globalmente. Duas corridas nos Estados Unidos. Estamos falando com países da África, mais especificamente África do Sul e norte africano, além de mais uma ou duas corridas no Oriente, talvez na Coréia do Sul".

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