F1: Entenda por que campeonato de 1991 foi o mais difícil para Senna

Muitos se lembram da dura batalha entre Ayrton Senna e Alain Prost, mas talvez a temporada de 1991 tenha oferecido o maior campeonato para o brasileiro após uma dura disputa contra Nigel Mansell. Veja como Senna e McLaren triunfaram contra todas as probabilidades

F1: Entenda por que campeonato de 1991 foi o mais difícil para Senna

A disputa pelo campeonato de 1991 de Fórmula 1 não é tão famosa quanto as polêmicas campanhas que a antecederam, mas pode-se dizer que foi o melhor campeonato de Ayrton Senna.

O ano costuma ser lembrado como aquele que teve quatro vitórias de Senna para a McLaren logo de cara, enquanto a Williams lutava contra a confiabilidade.

Esse início lançou boas bases para o piloto brasileiro, já que após quatro provas Senna tinha 29 pontos de vantagem para o segundo colocado, 34 à frente de Nigel Mansell, que mais tarde se tornou seu principal rival. Mas a batalha foi mais dura do que o sugerido, exigindo uma resposta forte após as três vitórias consecutivas de Mansell, que o colocaram a uma distância real.

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A Williams-Renault surgiu como um forte concorrente da McLaren-Honda. Já na segunda corrida no Brasil, Mansell perseguiu Senna, marcando a volta mais rápida, antes de abandonar a prova devido a problemas com a caixa de câmbio semiautomática de seu FW14. Mesmo assim, Senna foi forçado a fazer uma de suas melhores corridas, finalizando seu MP4/6 apenas com a sexta marcha, com a aproximação da Williams de Riccardo Patrese.

Patrese, que teve uma de suas melhores temporadas apesar de ter começado mal, liderou de forma brilhante na pista molhada em Ímola até ocorrer um erro. Isso permitiu uma dobradinha para a McLaren com Senna na frente e Gerhard Berger.

Senna dominou em Mônaco, mas Mansell marcou seus primeiros pontos em 1991 com um segundo lugar. A Williams, então, se classificou no Canadá com Patrese na pole. Mansell teria vencido a corrida se não fosse a falha na sua última volta, o que deu a Nelson Piquet sua 23ª e última vitória no Mundial.

Ayrton Senna, McLaren, Gerhard Berger, McLaren, J.J.Lehto, Dallara Judd

Ayrton Senna, McLaren, Gerhard Berger, McLaren, J.J.Lehto, Dallara Judd

Photo by: Motorsport Images

No entanto, o ataque da Williams continuou no México. Tentando se igualar ao FW14s, Senna colidiu na temível curva Peraltada enquanto Patrese novamente ultrapassava Mansell para fazer a pole position. A McLaren terminou a corrida em terceiro, com 57 segundos atrás do vencedor Patrese, que liderou uma dobradinha da Williams.

“A não ser que mudemos muito rapidamente, vamos ter problemas mais tarde na temporada”, avisou Senna ainda na sexta corrida, de um total de 16 na temporada.

Mansell pisou fundo no acelerador e conquistou três vitórias nos GPs da França, Grã-Bretanha e Alemanha. Surpreendentemente, Senna ficou sem combustível em Silverstone e Hockenheim, em parte graças às leituras de combustível imprecisas, devido à mudanças nas suas especificações, embora tenha marcado pontos por ser o quarto colocado na Grã-Bretanha.

De repente, o controle de Senna sobre o campeonato parecia menos firme: "Eles estão melhores do que nós agora", disse o brasileiro em Silverstone.

Em várias provas, a Honda forneceu mais de uma especificação de motor e a Shell forneceu vários tipos de combustíveis.

Não havia dúvidas de que, no meio da temporada, a Williams tinha o carro mais rápido. A sete corridas do fim, Mansell estava apenas oito pontos atrás de Senna, e a escuderia britânica havia ultrapassado a McLaren na classificação de construtores.

"Esperamos melhorias em breve", disse Senna em Hockenheim. “Para alcançar a Williams precisamos de muito mais do que vamos ter e precisamos disso rápido porque o campeonato ainda está aberto. Não podemos competir com o desempenho que a Williams-Renault tem agora.”

Tudo isso fez com que Senna aumentasse a pressão sobre a McLaren e, em particular, sobre a Honda. Desde sua temporada com a Lotus em 1987, o brasileiro  e a marca japonesa mantinham um relacionamento especial.

Ayrton Senna, McLaren MP4-6 Honda

Ayrton Senna, McLaren MP4-6 Honda

Photo by: Rainer W. Schlegelmilch

O fim de semana em Hungaroring, que aconteceu poucos dias após a morte do fundador da Honda, Soichiro Honda, foi crucial. Senna não cravava uma pole desde maio em Mônaco, mas superou a dupla da Williams em 1.2s .

Essa foi talvez uma das grandes performances de Senna em classificação, mas também teve a colaboração do novo motor Honda com a capacidade de atingir 14.800 rpm em curtos intervalos.

Isso pode ajudar a explicar por que o McLaren MP4/6 acabou sendo o carro mais rápido de 1991. Os super tempos são baseados na volta individual mais rápida de cada carro em cada fim de semana de corrida, expressa como uma porcentagem da volta individual mais rápida geral (100.000%) e média ao longo da temporada. E isso geralmente se refere à classificação e não ao ritmo de prova.

Geralmente eles fornecem uma representação razoável da velocidade relativa de cada equipe em um determinado ano. O impulso quase ilimitado usado pelos principais concorrentes do motor turbo em meados da década de 1980 é um exemplo disso, mas o desenvolvimento do V12 pela Honda poderia ser considerado uma versão mais suave.

Os resultados do início da temporada, a destreza de Senna em uma volta e a capacidade do motor Honda de última geração de produzir mais potência em corridas mais curtas tornaram a classificação da McLaren recorde - e, portanto, seus dados de super tempo - melhor do que sua competitividade nos GPs.

Ao longo da temporada, o MP4/6 foi 0,27% mais rápido que o FW14 usando super tempos, embora se possa argumentar que a Williams teve o carro mais rápido nas corridas do GP do Canadá, em junho, ao GP da Espanha, no final de setembro, antes que os desenvolvimentos da McLaren o colocasse em uma posição mais equilibrada para as últimas corridas no Japão e na Austrália.

Esse período corresponde a 10 das 16 provas da temporada, com a Williams vencendo sete delas. Crucialmente, Senna venceu duas de três, enquanto a McLaren venceu todos os seis GPs em que a Williams não tinha uma vantagem clara. A contagem final foi 8-7 a favor da McLaren. Senna e McLaren claramente tiraram mais proveito do que Mansell e Williams.

A primeira das vitórias contracorrentes de Senna veio na Hungria. Ele aproveitou a pole para manter Patrese afastado no início da corrida. Depois de seguir Senna por 44 voltas, Patrese recuou para Mansell atacar a McLaren, mas também não foi capaz de romper as defesas do campeão mundial ou a nova velocidade em reta do Honda V12. O ímpeto de Mansell diminuiu.

"Foi a primeira vez desde Mônaco que senti que estava em uma corrida que poderia vencer."

Senna e Alain Prost mantiveram a Williams fora da primeira fila do grid em Spa, e a vitória mais sortuda do brasileiro na temporada veio no dia seguinte. O motor de Prost pegou fogo logo no início, Mansell teve problemas elétricos e Jean Alesi teve uma falha no motor da Ferrari no momento em que corria à frente de Senna. Enquanto Senna lutava com a caixa de câmbio, a Jordan de Andrea de Cesaris se tornou uma ameaça, mas estourou o motor a três voltas do fim.

Essas duas vitórias em agosto aumentaram a vantagem de Senna sobre Mansell para 22 pontos, colocaram a McLaren de volta na frente na classificação de construtores e eles conseguiram igualar o jogo com a Williams. Isso significava que, realisticamente, o time britânico tinha que vencer Senna em cada uma das cinco rodadas restantes.

Mansell fez o que tinha que fazer em Monza, apesar de se classificar em segundo, atrás de Senna, assumindo a liderança a 20 voltas do fim e mantendo vivas suas esperanças no campeonato.

Parecia que tudo ia ser igual em Portugal depois de uma disputa agressiva que o fez saltar de quarto para segundo. Patrese deixou Mansell passar por ele depois de liderar as primeiras voltas, então o desastre aconteceu.

O carro da Williams quebrou no pitlane e a roda traseira direita de Mansell soltou quando ele voltou à pista. Patrese venceu, mas Senna terminou em segundo e ampliou a vantagem para 24 pontos.

Mansell venceu de forma brilhante no GP da Espanha. Naquela corrida, Senna não estava à altura da disputa, com uma volta espetacular, mas que só lhe permitiu se classificar em quinto. Foi talvez a única corrida em 1991 em que Senna cedeu pontos, mas ainda tinha uma vantagem de 16.

Ultrapassar a McLaren com a Honda sempre foi difícil em Suzuka, evidenciado pelo fato de Berger ter liderado Senna na classificação. Mansell caiu 0,222s da pole para a terceira posição, quase dois segundos à frente de Patrese. Senna permitiu que Berger escapasse no início do GP do Japão, frustrando as tentativas de Mansell de ultrapassá-lo.

No momento em que Mansell escorregou da Curva 1, o título já era de Senna. O brasileiro deu a vitória a Berger na última volta e depois venceu o último GP em Adelaide.

"No geral, Ayrton teve um pouco mais de sorte no lado da confiabilidade, mas no final do dia ele acertou o trabalho e é campeão mundial", disse Berger, que terminou em quarto lugar na tabela, com menos da metade do total de Senna.

Com o título garantido, Senna admitiu em Suzuka que eliminou Prost deliberadamente na corrida de 1990, mas também observou que a disputa de 1991 foi mais limpa e satisfatória.

"Tem sido emocionante para mim", disse. “Foi um campeonato triste em 1990. Em 1991 tivemos um campeonato limpo. Foi técnico e esportivo e espero que seja um exemplo, não só para mim, mas para todos que competem na F1”.

Foi também onde Senna marcou quase todos os pontos que seu carro permitiu. Um crítico severo pode argumentar que o estilo incomum de direção de Senna em aceleração total contribuiu para que ele ficasse sem combustível na Grã-Bretanha e na Alemanha, mas foi realmente apenas no GP da Espanha que Senna deu pontos, terminando em quinto quando ele deveria ter sido o segundo ou terceiro colocado.

Ele também foi fundamental nos bastidores para impulsionar a McLaren e a Honda, ao mesmo tempo em que maximizou o carro que tinha em cada uma das corridas.

Em 1988, Senna conquistou o título mundial com pontos perdidos - tendo marcado menos pontos gerais do que seu companheiro de equipe Prost, sem nenhuma outra equipe ser remotamente competitiva - e sua coroa de 1990 será para sempre manchada pelo incidente de Suzuka. Mas seu 1991 foi brilhante e relativamente livre de polêmicas na pista.

Seus lendários esforços de 1993 contra a muito superior Williams-Renault são mais famosos, mas a campanha bem-sucedida de 1991, lutando contra a ascensão dessa mesma combinação, é comparável a isso e deve ser considerado um dos melhores títulos de todos os tempos da F1.

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