F1: Gestão de Mosley na FIA foi marcada por luta pela segurança e escândalo sexual nazista; relembre trajetória

Durante os 16 anos em que esteve à frente da FIA, avançou em tópicos importantes na F1, em meio a diversas polêmicas e brigas com dirigentes

F1: Gestão de Mosley na FIA foi marcada por luta pela segurança e escândalo sexual nazista; relembre trajetória

Faleceu nesta segunda-feira (24), aos 81 anos, Max Mosley, ex-piloto e dono de equipe que ganhou notoriedade no esporte a motor como presidente da Federação Internacional de Automobilismo entre 1993 e 2009.

Nascido em Londres em 1940, Mosley teve uma breve carreira como piloto, mas começou a construir seu nome no esporte após abandonar as pistas. Em 1969, ele anunciou a aposentadoria após dois graves acidentes com sua Lotus.

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Na sequência, ele se juntou a Robin Herd, Alan Rees e Graham Coaker para formar a March, que estreou na F1 em 1970, permanecendo no grid até 1992.

Foi nesse período em que Mosley começou a se envolver com o lado político do esporte, primeiro como consultor legal da Associação de Construtores da Fórmula 1 (FOCA), representando a instituição na Guerra com a Federação Internacional do Esporte a Motor (FISA), que colocou em lados opostos Bernie Ecclestone e Jean-Marie Ballestre.

Hans-Joachim Stuck, March and March team boss Max Mosley

Hans-Joachim Stuck, March and March team boss Max Mosley

Photo by: Rainer W. Schlegelmilch

Mosley ainda assumiu a presidência da FISA anos depois e passou para a FIA após uma disputa intensa com Ballestre devido à interferência do francês na disputa entre Ayrton Senna e Alain Prost no início dos anos 1990.

Assumindo a FIA em 1993, seu primeiro desafio veio em 1994, com as mortes de Senna e Roland Ratzenberger no GP de San Marino. Mosley anunciou a criação de um grupo, liderado pelo Professor Sid Watkins para pesquisar e melhorar a segurança no esporte a motor. O anúncio foi considerado “revolucionário” no esporte, apesar de algumas críticas, e trouxeram mudanças reais nos anos seguintes.

Em seus primeiros anos na presidência da FIA, Mosley seguiu seu relacionamento próximo com Ecclestone, entregando ao britânico os direitos comerciais da F1 entre 1995 e 2010. O caso foi levado à Comissão Europeia e Mosley chegou a ameaçar de retirar a F1 do continente caso a decisão não satisfizesse a FIA.

Em 2001, para encerrar o imbróglio, foi determinado que Ecclestone se afastasse de seu cargo da FIA enquanto a Federação teria que se afastar de todos os envolvimentos comerciais com a F1.

Max Mosley

Max Mosley

Photo by: Steven Tee / Motorsport Images

Nesse mesmo período, Mosley e Ecclestone fizeram um grande lobby para evitar que a legislação europeia banisse a presença de publicidades da indústria do tabaco, o que afastaria importantes marcas da F1, como West e Marlboro. Eles alegavam que isso acarretaria na perda de cerca de 50 mil empregos dentro do esporte, mas foram derrotados.

Mesmo em meio a diversas polêmicas no seu terceiro mandato, como o fiasco do GP dos Estados Unidos e a deterioração de seu relacionamento com Ecclestone, Mosley concorreu sem oposição e foi reeleito para o quarto e último mandato em 2005.

Uma das primeiras polêmicas que precisou enfrentar nesse período foi o spygate em 2007, escândalo envolvendo Ferrari, McLaren e Renault em roubo de propriedade intelectual. Mosley foi acusado de inconsistência e de uma “caça às bruxas” com a equipe britânica por diversos nomes importantes do esporte antes do surgimento de novas informações, que terminaram com a condenação da McLaren.  

No início de 2008, enquanto defendia a introdução de um teto orçamentário na F1, Mosley recebeu o golpe que sacramentaria o fim de sua gestão à frente da FIA. Em março, o jornal News of the World divulgou vídeos do britânico em atos sexuais com cinco mulheres em um ambiente com referências nazistas.

Mosley foi muito criticado por pilotos e dirigentes, incluindo Ecclestone, que defendeu sua remoção da presidência da FIA. Em junho, ele recebeu um voto de confiança da Federação, que o permitiu encerrar a gestão até o final de 2009.

Max Mosley, Bernie Ecclestone

Max Mosley, Bernie Ecclestone

Photo by: Motorsport Images

Em seus últimos anos de vida, Mosley se envolveu em uma série de processos contra veículos de imprensa e o próprio Google para impedir a veiculação de materiais relacionados a seu escândalo.

Sua última cartada com a FIA veio em 2009, após a criação da Associação de Equipes da Fórmula 1 (FOTA). A discussão envolvendo o regulamento de 2010 da categoria atingiu um importante impasse, que poderia comprometer o andamento do campeonato e, para concordar com o que havia sido proposto, Mosley deveria prometer que não buscaria um quinto termo.

Mosley bateu de frente com a FOTA, afirmando que “o mundo o pressionava para se reeleger” em meio a críticas de Luca di Montezemolo, da Ferrari, que o chamou de ditador. Em julho, Mosley confirmou que não buscaria reeleição, abrindo caminho para a entrada de Jean Todt, atual presidente da FIA.

O fim de seu mandato marcou também o fim de um período de avanços importantes para a F1, na segurança e nos direitos comerciais e de transmissão, mas com diversas polêmicas por trás que criaram reais ameaças ao esporte nesses 16 anos.-

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