F1 - Após saída da Alpine, Szafnauer critica Renault por interferência e por forçar "prazo irreal" para recuperação

Ex-chefe da Alpine afirmou que grupo francês não entende o que é necessário para ter sucesso na F1

Otmar Szafnauer, Team Principal, Alpine F1 in paddock

Em uma de suas primeiras entrevistas oficiais após deixar o cargo de chefe da Alpine na Fórmula 1, Otmar Szafnauer criticou a cúpula da Renault, afirmando que a marca francesa não entende o que é necessário para ter sucesso na categoria, tentando forçar um "prazo irreal" no processo de recuperação.

Szafnauer saiu da equipe após o GP da Bélgica mês passado como parte de uma grande mudança no time de Enstone, junto do diretor esportivo Alan Permane, o chefe técnico Pat Fray e até mesmo o CEO da Alpine Laurent Rossi.

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Em Spa, Bruno Famin foi anunciado como chefe interino, e disse que Szafnauer e a Renault tinham "previsões diferentes" e formas de reduzir o plano de cinco anos para tornar a Alpine candidata a vitórias e títulos.

Falando com a SiriusXM, Szafnauer disse que "não podia concordar com um prazo irreal" proposto por de Meo, afirmando que a direção da Renault não entende o que é necessário para ter sucesso na F1.

"Acho que a direção da Renault, o CEO Luca de Meo, assim como todos na F1, querem sucesso instantâneo e, infelizmente, não é assim que as coisas funcionam".

"Eles queriam fazer mais rápido que o possível, e eu não podia concordar com um prazo irreal porque, se você faz isso, é uma questão de tempo até que todos fiquem frustrados, então eu delimitei um plano real e possível, mas eles queriam arrumar atalhos com outra pessoa".

Szafnauer ressalta que a falta de paciência da Renault com seu plano de recrutamento é um sintoma de problemas maiores. Ele revelou que quando chegou à Alpine, há 18 meses, ele percebeu buracos no know-how de Enstone. Mas fechar esses buracos com a contratação de talentos de outras equipes envolve períodos longos, devido às quarentenas.

Esteban Ocon, Alpine A523

Esteban Ocon, Alpine A523

Photo by: Alpine

Segundo Szafnauer, a falta de compreensão da Renault sobre esse processo fez com que seu projeto não tivesse aceitação entre os chefes.

"Há bolsões da organização em que os níveis de habilidade são muito básicos, e é porque as pessoas ali acabaram de sair da faculdade em vez de alguém com 25 anos de conhecimento. Foram nessas áreas que eu comecei a recrutar. Mas os melhores da F1 estão em contratos de longo prazo".

"Eu consegui convencer algumas pessoas, mas infelizmente eles virão no fim de 2023, a maioria no meio de 2024 e outros em 2025, e foi isso que eu tentei explicar, que é preciso dar meio passo atrás antes de dar dois adiante. Mas eles não entenderam isso. Seja por impaciência ou emoção, mas não houve compreensão, e infelizmente é isso que precisa, e eles vão perceber isso".

Szafnauer ainda acrescentou que a interferência do Grupo Renault foi "a maior que já viu", com vários departamentos respondendo não a ele, mas à marca francesa.

"A empresa-mãe queria ter muito controle em áreas da equipe, mais do que eu já havia visto. Comercial, marketing, RH, finanças, comunicação, todos esses respondiam não a mim, mas a outra pessoa, e eles agiam como um exército, quando precisamos ser como piratas para vencer".

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