ANÁLISE: Por que a F1 disse 'não' à entrada da Andretti no grid

Editor global de F1 do Motorsport.com, Jonathan Noble traz sua visão sobre a notícia do dia na elite global do esporte a motor; confira

Michael Andretti

Michael Andretti

Mark Sutton / Motorsport Images

Desde que a Andretti entrou 'no ringue' para se juntar ao grid da Fórmula 1, os detentores dos direitos comerciais da categoria estavam indecisos, na melhor das hipóteses, em deixá-la entrar na competição.

O CEO da F1, Stefano Domenicali, manteve por muito tempo a sua posição de que qualquer 11ª equipe teria que provar que era benéfica para a categoria como um todo para garantir uma vaga --com a clara inferência de que o time norte-americano enfrentava uma tarefa difícil para provar isso.

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O fato de a F1 ter finalmente encerrado três meses de deliberação sobre sua postura em relação à Andretti, rejeitando a inscrição (pelo menos por enquanto), não é nenhuma surpresa. Aliás, pelo contrário.

No entanto, o que talvez tenha sido mais intrigante sobre a forma como a decisão foi divulgada foi o detalhamento da resposta ao delinear questões em jogo -- ciente de que qualquer coisa menor que isso poderia abrir o risco de uma ação legal da Andretti se os argumentos não fossem sólidos.

O documento da F1 entrou em detalhes, explicando que houve uma correspondência por escrito entre Andretti e a categoria em outubro passado, além de que houve uma 'oferta', feita em 12 de dezembro de 2023, para uma reunião presencial na sede da elite do esporte a motor em Londres.

"O candidato não aceitou a oferta", disse a F1. Para além disso, a explicação completa da categoria descreve três fatores principais que, na ótica da competição, colaboraram para o sinal vermelho ao grupo dos Estados Unidos.

Andretti Cadillac logo

Foto de: Andretti Autosport

Logotipo da Andretti Cadillac

O desafio imposto pelas novas regras de 2026

Como pano de fundo para a Andretti tentar entrar no grid em 2025, está o fato de que a F1 está caminhando para uma grande revolução nos regulamentos no ano seguinte. Portanto, em vez de a equipe americana querer começar a correr com as regras já estabelecidas e ela puder desfrutar de estabilidade, 2025 daria à Andretti uma grande dor de cabeça por ter de preparar carros para o atual conjunto relatório sendo que a F1 será 'totalmente nova' para 2026.

A F1 acredita que, com base na competitividade do grid da categoria, tentar oferecer desempenhos fortes em meio ao desafio logístico da mudança de 2025/2026 é quase impossível. "Não acreditamos que exista uma base para que qualquer novo candidato seja admitido em 2025, já que isso envolveria um time novato construindo dois carros completamente diferentes em seus dois primeiros anos de existência", disse a elite global do esporte a motor.

"O fato de o candidato se propor a fazer isso nos dá motivos para questionar sua compreensão do escopo do desafio envolvido. Embora uma entrada em 2026 não enfrentasse esse problema específico, é verdade que a F1, como o pináculo do automobilismo mundial, representa um desafio técnico único para os construtores, de uma natureza que o candidato não enfrentou em nenhuma outra disciplina em que tenha competido anteriormente", argumentou a F1, 'alfinetando' Indy e cia.

"E ela se propõe a fazer isso com a dependência de um fornecimento obrigatório de unidade de potência em seus primeiros anos. Com base nisso, não acreditamos que o requerente seria um participante competitivo", segue a F1, mencionando que a Andretti não tem motor próprio.

Andretti has secured a partnership with GM and its Cadillac brand.

Foto de: Uncredited

A Andretti garantiu uma parceria com a GM e sua marca Cadillac.

O conjunto motriz

Uma das cartadas da Andretti foi ela ter garantido uma parceria com a GM e sua marca Cadillac, embora isso fosse inicialmente acontecer com a utilização de uma unidade de potência já homologada, com a Renault tendo sido a mais especulada.

A longo prazo, a ambição é/era que pela produção por parte da GM de sua própria unidade de potência, o que traria uma importante montadora para o grid, o que até mesmo a F1 admite ser positivo.

No entanto, essa mudança provavelmente só será possível a partir de 2028, o que significa que, nesse ínterim, a Andretti precisará encontrar um fornecedor, seja a Renault ou qualquer outra fabricante.

Originalmente, a Andretti até tinha um pré-contrato com a Alpine, acordo que dependia da garantia de uma entrada no grid, mas esse documento expirou no ano passado e, desde então, não houve progresso na finalização de um novo vínculo.

A F1 diz que, em vez disso, a Andretti estava contando com a garantia de um contrato de motor 'compulsório' - que é efetivamente um mecanismo nas regras pelo qual as marcas atuais podem ser forçadas a fornecer às equipes clientes que não tiverem um contrato de fornecimento em vigor.

Mas, embora isso desse à Andretti acesso a um dos atuais motores da categoria máxima do automobilismo, a F1 observou que isso estaria longe de ser ideal devido aos vínculos de longa data da equipe com a GM.

"O solicitante propõe entrar com a dependência de um fornecimento obrigatório de um fabricante rival que inevitavelmente será reticente em estender sua colaboração com o candidato além do mínimo necessário, enquanto o requerente persegue sua ambição de colaborar com a GM a longo prazo, o que um fornecedor compulsório veria como risco à sua propriedade intelectual e know-how".

Max Verstappen, Red Bull Racing RB19, Charles Leclerc, Ferrari SF-23, Oscar Piastri, McLaren MCL60, Lando Norris, McLaren MCL60, George Russell, Mercedes F1 W14, the rest of the field at the start

Foto de: Zak Mauger / Motorsport Images

Max Verstappen, Red Bull Racing RB19, Charles Leclerc, Ferrari SF-23, Oscar Piastri, McLaren MCL60, Lando Norris, McLaren MCL60, George Russell, Mercedes F1 W14, o restante da equipe na largada

Agregação de valor

A exigência de que qualquer novo participante traga valor agregado ao grid é mencionada várias vezes na declaração da F1. É algo sobre o qual as equipes atuais falaram muitas vezes, em linha com a Liberty Media, dona da elite global do esporte a motor.

Além disso, a F1 conversou com outras partes interessadas para descobrir o valor que a Andretti poderia trazer para os fãs e seu impacto sobre o prestígio da categoria, sobre a competitividade do grid e sobre suas metas de sustentabilidade.

A F1 diz ter concluído que a melhor maneira de a Andretti agregar valor seria "sendo competitiva", algo visto como impossível pela categoria. Ela também acrescentou: "A necessidade de qualquer nova escuderia ter um fornecimento compulsório de unidade de potência, potencialmente durante um período de várias temporadas, seria prejudicial para o prestígio e a reputação de todo o campeonato".

E, embora o nome de Andretti seja grande nos círculos do automobilismo, a categoria sugeriu que: "A F1 traria valor para a marca Andretti, e não o contrário". A elite global do esporte a motor também citou os custos extras que uma 11ª equipe traria em termos de instalações adicionais em cada fim de semana de corrida, além de reduzir os "espaços técnicos, operacionais e comerciais dos outros concorrentes".

"Não fomos capazes de identificar nenhum efeito positivo esperado nos resultados financeiros como um indicador-chave". A declaração da F1 foi enfática ao afirmar que a porta para a Andretti está firmemente fechada, a menos que ela possa oferecer um pacote que inclua um motor de fábrica e uma proposta mais competitiva -- algo que levará muitos anos, mas que pode ensejar uma nova tentativa em 2028.

Agora, todos os olhares estão voltados para a Andretti: a decisão desta quarta-feira marca o fim de suas ambições ou ela vai se esforçar ainda mais para continuar com o que é necessário para entrar na F1? O Motorsport.com acompanha os próximos capítulos.

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