Análise técnica de Giorgio Piola
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Análise técnica de Giorgio Piola

Análise técnica: em busca da refrigeração perfeita

Manter um carro de competição na temperatura ideal é fundamental, mas na Fórmula 1 há muito em jogo - uma mudança neste sentido pode afetar o ritmo ou a estratégia de prova; confira a análise de Giorgio Piola e Matt Somerfield

Análise técnica: em busca da refrigeração perfeita

As cavidades na carenagem de um carro de Fórmula 1 são controladas de modo restrito pelo regulamento, com o objetivo de limitar as vantagens aerodinâmicas que os carros possuíam no passado.

Uma das áreas dos carros em que há a possibilidade de se criar aberturas de ar para refrigeração é ao lado dos cockpits. É ali, portanto, que os projetistas focam para criar elementos que aumentem a eficiência de como o ar quente é dissipado e o impacto aerodinâmico que isso pode gerar.

Cada equipe tem uma variedade de soluções neste sentido, que são utilizadas ao longo da temporada de acordo com as necessidades das unidades de potência em cada circuito. Em circuitos de baixa, como em Mônaco e na Hungria, a demanda por refrigeração é muito maior; nas pistas de alta, como Monza, as equipes abrem a carenagem o mínimo possível para evitar o arrasto gerado pela turbulência do ar que passa pelo carro.

Nas imagens abaixo, é possível ter uma amostra do quanto cada equipe possui uma filosofia diferente para lidar com o tema.

Mercedes

Mercedes W07 top exits, Hungarian GP
Saídas de ar laterais do Mercedes W07 para o GP da Hungria

Foto: Giorgio Piola

A Mercedes possui inúmeras soluções para manter o W07 na temperatura ideal. Na imagem acima, podemos ver a configuração máxima de refrigeração do time, com oito cavidades em cada lateral do cockpit. Nesta situação, a altura da lateral também é alterada, para assim acomodar a redistribuição do ar quente que sai dos sidepods.

Red Bull 

Red Bull Racing RB12 detail
Detalhe do RB12 

Foto: Giorgio Piola

O RB12 apresenta apenas painéis nas laterais, já que o time utiliza uma peça única de carenagem para cobrir o motor. No entanto, é nestes painéis que estão as estruturas de refrigeração, que podem ser trocadas conforme a necessidade.

A solução do time austríaco tem aberturas que ficam na parede externa da proteção do cockpit, que são utilizadas para dissipar o calor e acompanham o fluxo de ar que se move acima dos sidepods e pela cobertura do motor.

Ferrari

Ferrari SF16-H detail
Detalhe do SF16-H

Foto: Giorgio Piola

Já a Ferrari utiliza um painel removível na parte superior dos sidepods, que se conecta às laterais da proteção de cockpit. No caso do time italiano, porém, as aberturas seguem um padrão reto, diferente das demais equipes, que seguem padrões encurvados.

Williams

Williams FW38 side vents, Monaco GP
Aberturas laterais do FW38 para o GP de Mônaco

Foto: Giorgio Piola

A Williams aposta em um desenho mais convencional para as saídas de ar nas laterais do cockpit. Entretanto, para casos em que a refrigeração máxima é exigida, a equipe acrescenta cavidades ao lado do final das laterais do cockpit para permitir que o ar quente seja dissipado com mais facilidade, além de modificar o fluxo de ar que passa pelas laterais do carro.

Force India

Sergio Perez, Sahara Force India F1 VJM09
Sergio Perez, Sahara Force India F1 VJM09

Foto: Giorgio Piola

Em vez de utilizar um painel com cavidades, a Force India utiliza pequenas saídas de ar ressaltadas, algo que outras equipes utilizaram por anos nas laterais dos cockpits. Assim como nos demais times, a quantidade de tais saídas varia conforme a necessidade em cada pista.

Toro Rosso

Scuderia Toro Rosso STR11 detail
Detalhe do STR11

Foto: Giorgio Piola

O time de Faenza utiliza um estilo diferente de saídas de ar nas laterais do cockpit, que 'saem' de dentro das laterais do carro. O objetivo deste desenho é aperfeiçoar o fluxo de ar que passa pelos sidepods.

McLaren

McLaren MP4-31 detail
Detalhe do MP4-31

Foto: Giorgio Piola

As saídas de ar do time de Woking ficam na transição entre a parte superior dos sidepods e as laterais do cockpit, o que leva a saídas de ar encurvadas - que aumentam de tamanho conforme se direcionam para a traseira do carro.

Haas 

Haas F1 Team VF-16 detail
Detalhe do VF-16

Foto: Giorgio Piola

O estilo da parte interna dos sidepods da Haas segue um padrão semelhante ao utilizado pela Ferrari e as saídas de ar nas laterais do cockpit não fogem à regra. No caso do VF-16, entretanto, as saídas começam em uma posição mais baixa e terminam subindo.

Renault

Jolyon Palmer, Renault Sport F1 Team RS16
Jolyon Palmer, Renault Sport F1 Team RS16

Foto: XPB Images

O RS16 é um dos 'estranhos no ninho', pois o time opta por não utilizar saídas de ar nas laterais do cockpit. Entretanto, é importante ressaltar que este carro foi criado em um cenário de orçamento limitado e o time de projetistas ainda não sabia qual a unidade de potência que seria instalada no carro. Os sidepods e a cobertura do motor foi desenhada de modo a permitir a utilização das saídas. A Renault, porém, não as utilizou nem nos GPs de Mônaco e da Hungria.

Manor

Manor Racing MRT05 detail
Detalhe do MRT05

Foto: Giorgio Piola

O MRT05 é o outro 'estranho no ninho', pois também não apresenta as saídas de ar nas laterais do cockpit. Por outro lado, o time projetou as laterais de forma a permitir que mudanças sejam feitas na região com o mínimo impacto aerodinâmico no carro.

Sauber

Marcus Ericsson, Sauber C35 cockpit louvres detail
Marcus Ericsson, Sauber C35

Foto: Giorgio Piola

O time suíço tem um carro bastante similar ao do ano anterior, já que problemas orçamentários assolaram a equipe no período de criação. Os painéis de saídas de ar nas laterais do cockpit, porém, possuem variações - são dois de cada lado, podendo variar de tamanho conforme as exigências de cada pista.

O dianteiro, que fica logo no início da parte superior dos sidepods, é menor; o traseiro, que se estende pelas laterais do cockpit, fica entre a parte superior dos sidepods e as laterais do cockpit, criando curvaturas. O C35 é o carro do grid que mais se utiliza de tais saídas de ar.

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Categoria Fórmula 1
Autor Giorgio Piola