Fórmula 1 GP do Azerbaijão

‘Conselheiro’ de Drugovich, Amir Nasr revela plano para brasileiro na F1

Tio de Felipe Nasr vem acompanhando líder da F2 e vê chances de piloto paranaense ingressar na maior categoria do automobilismo mundial em 2023

Felipe Drugovich em Mônaco

Felipe Drugovich vem se tornando um nome cada vez mais forte para fazer parte da Fórmula 1 a partir de 2023. O piloto de Maringá (PR) é o atual líder da Fórmula 2, com grandes atuações e quatro vitórias somente na atual temporada.

Além das atuações, Drugovich conta com o apoio da família e de um grande nome da história do automobilismo brasileiro, Amir Nasr, que também tem em Drugovich uma relação quase familiar. Em entrevista exclusiva ao Podcast Motorsport.com (ouça entrevista completa no rodapé), ele revelou que transitava entre os “Drugovichs’ mesmo antes de Felipe nascer.

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“Minha relação com o Felipe Drugovich começou antes mesmo de ele nascer, com os tios, principalmente o Claudio e o Oswaldo Drugovich Junior, que foi campeão da Fórmula Truck. Eu representava uma empresa de aquisição de dados na América do Sul e fornecia para a equipe dele. A partir daí começou a amizade. Tudo isso ocorreu entre os anos de 1995 e 1996 e o Felipe nasceu em 2000.

Conforme a aproximação com a família aumentava, Amir ‘adotava’ Drugovich, orientando a carreira do piloto, tendo como base a experiência com o seu sobrinho, Felipe Nasr, além de trabalhar na orientação da carreira de pilotos do Brasil e também de estrangeiros.

“O primeiro kart do Felipe fui eu que mandei, que era do Felipe Nasr, meu sobrinho. A partir daí eu dou orientação sobre a carreira dele, o fato de ele ir para a Itália foi uma sugestão minha, baseada na experiência com o Felipe (Nasr). A partir do final do ano passado começamos a ficar mais próximos.”

“Acompanhá-lo na pista também é uma parte do trabalho, mas também há outra parte aqui no Brasil. Trabalhamos com alguns profissionais da área de saúde, de psicologia, em tudo o que pode melhorar um piloto, baseado na experiência com outros competidores. Já trabalhei com mais de 200 pilotos nesta idade do Felipe, entre 15 e 23 anos e sempre na formação deles, que sempre foi o que mais gostei de fazer.

“Eu fui piloto, o Samir (pai do Felipe Nasr) e eu éramos mais ligados e começamos a fazer automobilismo por paixão, mas não tínhamos noção do que estávamos fazendo. Quando resolvi parar de correr, decidi trabalhar para fazer tudo aquilo que um piloto precisa, que eu gostaria que tivessem feito para mim, principalmente na parte de orientação.

“Acabamos desenvolvendo uma didática de como passar isso aos pilotos. Trabalhei com o Helio Castrroneves, Tarso Marques, Bruno Junqueira, Max Wilson, Cristiano da Matta, Antônio Pizzonia, Hoover Orsi, entre outros, foram muitos, inclusive estrangeiros, chegamos a ter um reconhecimento internacional, com pilotos ingleses, belgas e norte-americanos.”

Felipe Drugovich, Felipe Nasr, Claudio Drugovich e Amir Nasr

Felipe Drugovich, Felipe Nasr, Claudio Drugovich e Amir Nasr

Photo by: Divulgacao

Diferenças entre ‘Felipes’

Felipe Nasr deixou a F1 após a temporada de 2016, após ser o único a pontuar pela Sauber naquele ano, com um nono lugar no GP do Brasil de baixo de muita chuva em Interlagos. O resultado deu ao time suíço a condição de superar a Manor – que anunciaria sua saída da F1 na sequência – e alguns milhões de dólares a mais.

Nasr tentou até o último momento em permanecer na categoria, com a derrocada trazendo grandes lições ao tio, Amir. Quando questionado sobre o que ele fará de diferente pode fazer de diferente na carreira de Drugovich, ele pontuou as diferenças entre a F1 daquela época, com a de hoje e a do futuro.

“Muita coisa já mudou. A orientação dele (Drugovich) ter ido para a Itália já é uma diferença com o Nasr. Outras nem tanto, você precisa do resultado para se manter. Não adianta você ter um bom discurso, um bom marketing, quando é o resultado que te leva até a F1.

“Eu espero que a nova F1, e eu falo ‘nova’ porque ela renasceu, eu já havia jogado a toalha, achava que a F1 nunca mais seria o que era, e para boa surpresa, voltou. Espero que o próximo passo da F1 seja as equipes voltarem a ter o próprio patrocínio e escolher seus pilotos pela capacidade e isso tem tudo para acontecer, porque o interesse voltou.

“Não é só dinheiro [para chegar à F1], tem de tudo, as pessoas não têm ideia do que acontece lá dentro. O Drugovich está na transição daquilo que eu espero que a F1 se torne, mas a realidade de agora é que qualquer piloto, brasileiro ou não, precisa colaborar com o orçamento da equipe, não tem outro jeito.

“A diferença é que se você for um bom piloto, você entra com menos dinheiro. Existe muita política, a F1 finalmente está buscando um piloto brasileiro, o único jeito da gente aumentar o interesse do público, audiência de TV, presença de público em autódromo, não tem jeito, é com um brasileiro.

Sem um brasileiro, você faz festa para os outros. Colocar um piloto do seu país no grid precisa ser um interesse nacional, tanto da esfera privada, quanto da pública. Você ter um piloto do nível do Drugovich leva muito tempo para você formar, o momento é esse.”

Chances em 2023

Amir não quis arriscar um percentual de chances sobre Drugovich no grid da F1 já em 2023, mas vê boas possibilidades, que aumentam ainda mais se o paranaense tiver um papel como reserva.

“É muito difícil falar. Já aconteceu de a gente estar com um outro piloto e um contrato para assinar e ter que esperar mais um ano. Não quero fugir da sua pergunta. A única coisa que eu sei é a seguinte: ele tem potencial, talento e está pronto. Ele já é capaz de entrar em uma equipe da F1, interagir de uma maneira muito profissional e isso tudo levou muito tempo, não foi da noite para o dia.

“É muito complicado de avaliar as chances. Falando sobre o Nasr em 2016, o Michael Schmidt, considerado o Papa do jornalismo, me disse que não entendia minha preocupação na época, ele dizia ‘se tem um piloto que não vai ficar de fora da F1, é o Felipe’ e ele ficou de fora.

“Em último caso, como piloto reserva, sim, e isso já é estar na F1, isso funciona, conseguir uma vaga de terceiro piloto, fazer alguns testes durante o ano, vai te qualificando cada vez mais.”

OUÇA A ENTREVISTA COMPLETA

 

Drugovich abre o baú e revela trajetória "difícil" até F2

 

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