F1: FIA torna obrigatória a inspeção de joias e roupas íntimas; Hamilton diz que isso representa "passo atrás"

Apesar dessa inspeção ser feita pelas próprias equipes, a FIA prevê ainda checagens aleatórias para garantir o cumprimento das regras

F1: FIA torna obrigatória a inspeção de joias e roupas íntimas; Hamilton diz que isso representa "passo atrás"
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A FIA divulgou mais um lembrete às equipes da Fórmula 1 sobre os pilotos terem que cumprir normas sobre uso de joias e roupas íntimas, tornando isso parte da inspeção feita nos fins de semana de corrida.

Desde que assumiu o papel de diretor de provas da F1, Niels Wittich tem corrido atrás do cumprimento de diversos elementos do regulamento, incluindo o uso de joias e da roupa íntima correta, segundo as normas da FIA.

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Wittich relembrou os pilotos antes do GP da Austrália que o uso de joias de qualquer tipo no carro é proibido pelo Código Desportivo Internacional. Na mesma corrida, ele teve uma longa discussão com os pilotos sobre o que eles usam por baixo enquanto estão no carro, afirmando que cuecas, luvas, meias e balaclavas devem ser homologadas pela FIA.

Apesar dos pilotos compreenderem as preocupações da FIA com a segurança e o que pode acontecer em um acidente, muitos questionaram a cruzada criada pela Federação.

O piloto da Mercedes, Lewis Hamilton, disse que "não entende porque eles estão insistindo em coisas pequenas", revelando que há alguns piercings que não teria como remover sem quebrá-los.

Outro que questionou a decisão foi Pierre Gasly: "Se quiserem checar minha bunda, fiquem à vontade, não tenho nada a esconder. Meu pênis, tudo... Se isso os deixa felizes, podem se sentir à vontade", afirmou de forma bem humorada o piloto da AlphaTauri.

Mas agora a checagem de joias e roupa íntima será parte da submissão de escrutínio de cada equipe antes do fim de semana de corrida, atuando como mais um lembrete para que elas garantam que os pilotos sigam o regulamento.

A atualização foi confirmada em um documento enviado por Wittich na quinta antes do GP de Miami, detalhando a mudança no formulário chamado "declaração de escrutínio", incluindo partes que garantem o cumprimento do Código Desportivo Internacional.

Wittich também deu mais informações sobre o uso de joias e as roupas corretas, resistentes ao fogo enquanto os pilotos estão no carro, explicando as preocupações de segurança que levaram à decisão da FIA.

O incêndio do acidente de Romain Grosjean no GP do Bahrein de 2020 é frequentemente citado como o caso que prova a necessidade dos pilotos cumprirem com o regulamento.

Lewis Hamilton, Mercedes-AMG

Lewis Hamilton, Mercedes-AMG

Photo by: Steve Etherington / Motorsport Images

Wittich explicou como que o uso de joias abaixo das roupas antichamas "pode reduzir a proteção fornecida por este equipamento", como "objetos metálicos, como joias, em contato com a pele podem reduzir a proteção contra a transmissão de calor, podendo aumentar o risco de queimaduras em caso de incêndio".

Ele disse também que o uso de joias podem "impedir intervenções médicas" devido aos riscos de ficarem presos ao capacete, balaclava e roupas em sua remoção.

"No caso de ser necessário uma intervenção médica para fornecer um diagnóstico após um acidente, a presença de joias no corpo pode causar complicações e atrasos significativos. No pior caso, a presença de joias nessa fase pode levar ainda a mais danos. Joias dentro e / ou ao redor das vias áreas podem causar danos adicionais caso sejam deslocados durante um acidente, ingerido ou inalado".

Sobre a vestimenta, ele escreveu: "O regulamento citado acima foi escrito para garantir que as vestimentas antichamas corretas, aprovadas pela FIA, incluindo a camada externa e interna, em contato com a pele, podem operar eficientemente, fornecendo o nível designado de proteção caso exposto às chamas".

"O uso de materiais que não sejam antichamas, em contato com a pele do piloto, particularmente materiais sintéticos, podem reduzir a proteção contra a transmissão de calor, aumentando o risco de queimaduras. No pior cenário, tais materiais podem derreter, complicando o tratamento".

Enquanto o ônus desse processo de garantir o cumprimento das regras pelos pilotos, a FIA prevê a possibilidade de conduzir checagens aleatórias.

Nas coletivas de imprensa com os pilotos nesta sexta-feira, Hamilton reagiu à novidade surgindo no circuito repleto de joias: vários colares e anéis e até mesmo três relógios. Ele comentou sobre a mudança no regulamento.

 

"Eu definitivamente uso joias, e não tinha como colocar mais hoje", disse rindo. "Sinto que como um passo atrás em relação a onde estamos indo como esporte. Demos importantes passos desde que entrei aqui, há 16 anos".

"Sempre usei joias e, no carro, uso apenas meus brincos e piercing no nariz", comentou, acrescentando que há coisas mais importantes para se preocupar do que isso, e que seguirá conversando com o presidente da FIA".

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