F1: Hamilton traz pintura contra a homofobia para o GP do Catar e pede escrutínio maior sobre direitos humanos

Em 3 dos 4 países do Oriente Médio em que a F1 corre em 2021 a homossexualidade é criminalizada, sendo inclusive punida por execução na Arábia e nos Emirados Árabes Unidos

F1: Hamilton traz pintura contra a homofobia para o GP do Catar e pede escrutínio maior sobre direitos humanos

Principal nome da Fórmula 1 atual na defesa da inclusão e da igualdade, Lewis Hamilton afirmou que é importante para a categoria criar um escrutínio sobre os países por onde corre, especialmente aqueles com registros de violações contra os direitos humanos, admitindo que anteriormente tinha "desconhecimento" sobre isso. Por isso, o heptacampeão trouxe para o GP do Catar uma pintura especial, em defesa da comunidade LGBTQIA+.

Neste fim de semana a F1 fará sua primeira corrida no Catar, antes de um acordo de 10 anos com o país válido a partir de 2023. Em três semanas, será a vez da Arábia Saudita, como parte de um acordo de longo prazo com o país, chegando a um recorde de quatro GPs no Oriente Médio.

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Em ambos os países, os registros de violações contra os direitos humanos são um problema contínuo, com a Anistia Internacional falando que são "extremamente problemáticos".

"Ao usar o glamour da F1 em busca de tirar a atenção dos abusos contra os direitos humanos, Catar e Arábia Saudita esperam que não existam discussões sobre esses problemas nas corridas, algo que não podemos permitir que aconteça", diz a instituição em um comunicado divulgado nesta semana.

Stefano Domenicali, CEO da F1, defendeu a decisão de fazer as provas em ambos os países, acreditando que a categoria possa ter um "papel importante" ao criar "mudanças culturais".

Hamilton já falou anteriormente sobre o "problema massivo" que existe com relação aos direitos humanos em alguns dos países que a F1 corre, e falou com autoridades no Bahrein sobre isso mais cedo neste ano.

Para o GP do Catar deste fim de semana, Hamilton trouxe as cores da bandeira progressiva do orgulho LGBTQIA+, que vem sendo adotada pelo movimento há alguns anos. Além das tradicionais cores do arco-íris, o desenho traz listras pretas e marrons para representar a comunidade negra e o azul, rosa e branco para a população trans.

Veja abaixo as fotos:

Lewis Hamilton, Mercedes
Lewis Hamilton, Mercedes
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Foto de: Mercedes GP Petronas Formula One Team

Lewis Hamilton, Mercedes
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Foto de: Mercedes GP Petronas Formula One Team

Lewis Hamilton, Mercedes
Lewis Hamilton, Mercedes
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Foto de: Mercedes GP Petronas Formula One Team

A Racing Pride, organização britânica que tem como objetivo fomentar a participação da comunidade LGBTQIA+ no automobilismo, celebrou a ação do heptacampeão.

"Aplaudimos Hamilton por acrescentar a bandeira do arco-íris para o GP do Catar deste fim de semana. É um gesto magnífico e poderoso de solidariedade à nossa comunidade LGBTQIA+ ao redor do mundo e é muito apreciado. Muito obrigado Lewis".

 

Hamilton falou sobre o assunto na quinta, nas coletivas pré-GP do Catar. Segundo o britânico, enquanto não depende dos pilotos decidir onde a F1 correrá, é importante que eles falem sobre assuntos importantes como diretos humanos.

"Acho que esses esportes que viajam para diferentes lugares, eles precisam levantar a conscientização sobre tais assuntos. Esses lugares precisam de escrutínio, e é preciso que a imprensa fale sobre isso. Igualdade de direitos é um assunto sério". 

"Porém, estou ciente de que aqui estão tentando dar passos adiante, e que isso não mudará da noite para o dia. Eu ouvi que estão reformulando o Sistema Kafala, que está em vigor há alguns anos, mas ainda há um longo caminho pela frente".

Hamilton se refere ao sistema trabalhista análogo à escravidão pelo qual o Catar foi denunciado diversas vezes nos últimos anos, especialmente na construção dos estádios da Copa do Mundo de 2022.

Trabalhadores estrangeiros, vindos de outras regiões da Ásia, reclamavam de atrasos no salário, péssimas condições de moradia, além da retenção do passaporte pelo empregador, que o impedia de trocar de trabalho ou voltar para casa.

Já a comunidade LGBTQIA+ no Catar ainda é criminalizada, com uma punição de até sete anos de prisão, um tema recorrente no Oriente Médio. Dos quatro países da região em que a F1 corre em 2021, relacionamentos homoafetivos são permitidos apenas no Bahrein, mas sem a permissão de casamento. Já na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, a punição pode ser até a execução.

"Sinto que, se fizermos isso, visitarmos esses países, precisamos deixar claro qual é a situação".

Hamilton acrescentou que, enquanto uma única pessoa pode fazer apenas uma pequena diferença, "coletivamente é possível ter um impacto maior", e deseja que mais figuras de alto nível do mundo esportivo tratassem do assunto.

"O que é importante é trazer conscientização para isso. Enquanto algumas mudanças tenham sido feitas ao longo do tempo, nunca é suficiente e é preciso fazer mais. Sei que, como esporte, eu mesmo fui a vários desses países sem ter consciência do que acontecia".

"Então depende de você se educar e cobrar do esporte, garantindo que seja feito algo quando você visita tais lugares".

"É por isso que me levanto. Mas, novamente, há pessoas mais inteligentes, com maior conhecimento sobre esses assuntos que tentam lutar nos bastidores, mas ainda acho que podemos dar um holofote a isso, criando um escrutínio que pressione e, com sorte, crie mudanças".

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