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Mansell relata choque em morte de Villeneuve, mas critica segurança da F1 atual; entenda

Em entrevista a jornal britânico, o campeão de 1992 comparou a segurança na F1 em sua época com o momento atual

Podium: Race winner Nigel Mansell, Williams

Autor de uma longa carreira na Fórmula 1, com 187 GPs disputados entre 1980 e 1995 e 31 vitórias, além do título mundial de 1992, Nigel Mansell é um dos pilotos que marcaram a história da categoria. Além disso, o inglês presenciou momentos de crueldade deste esporte.

Mansell fez sua estreia na elite do esporte em agosto de 1980, apenas duas semanas após a morte de Patrick Depailler em um teste em Hockenheim. Em 1982, quando disputava apenas sua segunda temporada como titular, viu de perto a morte de dois colegas da categoria.

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O primeiro foi Gilles Villeneuve, que perdeu a vida durante o treino classificatório para o GP da Bélgica. Já o segundo foi Riccardo Paletti, que morreu logo após a largada do GP do Canadá, em sua segunda prova na categoria. Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, Mansell falou sobre seu período na F1 e, principalmente, sobre como a morte do lendário piloto canadense o afetou como piloto.

"Naquela época, os pilotos morriam com certa regularidade, o que poderia causar sérias repercussões no psicológico", disse o britânico. "Gilles era meu amigo, nos tornamos amigos próximos. Ele me deu bons conselhos. Jamais esquecerei a tragédia que o atingiu em Zolder".

"Eu vinha logo atrás dele e vi tudo. Vi o carro subindo no ar e caindo. Vi ele sendo jogado para fora do carro, batendo na cerca. Passei ao lado e lembro de dizer a mim mesmo que suas chances de sobreviver eram quase nulas. Nunca testemunhei algo tão chocante. Fiquei chateado e ainda fico chateado".

La voiture de Gilles Villeneuve, Ferrari 126C2, après l'accident

Mansell falou sobre um contraste marcante - e crítico - entre o tempo que ele correu na F1, marcado por diversas mortes, incluindo a de Senna em Ímola em 1994, e o atual, em que houve um grande progresso em termos de segurança, atenuando bastante os riscos de um resultado trágico.

"A F1, nas décadas de 80 e 90, era uma profissão muito séria", insistiu. "Se não nos matamos, corremos o risco de sermos feridos com os trilhos na beira das pistas. Nunca sabíamos o que poderia acontecer".

"A morte de Ayrton foi um dia catastrófico para o automobilismo, e isso o mudou para sempre. O esporte evoluiu em várias maneiras, boas e ruins, porque os circuitos ao redor do mundo foram esterilizados".

"Isso foi um erro terrível. A F1 era um esporte incrível, onde você seria recompensado se dirigia bem e era punido se ia mal. Você não poderia entrar em uma curva a 320 km/h se não tinha talento. Agora, tudo mudou de maneira inconcebível".

"Lewis [Hamilton] teria um bom desempenho nessas circunstâncias, mas é muito, muito difícil comparar épocas. Muitos pilotos brilhantes quebraram suas pernas ou braços em acidentes, e alguns não conseguiram continuar suas carreiras".

"Agora, os bons pilotos cometem erros excruciantes e não se machucam. Mal suam no carro. No final da corrida, é como se tivessem acabado de sair do cabeleireiro. Algo maravilhoso do meu tempo é que se tivéssemos completado 180 GPs e ainda estivéssemos vivos, nos parabenizaríamos e diríamos a nós mesmos que tivemos uma boa carreira", completou Mansell, que ainda foi campeão da Indy após deixar a F1.

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