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Ayrton Senna

Em entrevista ao site oficial da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) o francês Alain Prost falou bastante sobre seu relacionamento com o tricampeão Ayrton Senna. Pulando a rivalidade no fim dos anos 80 e início dos 90, ele disse que acredita que hoje, se Ayrton estivesse vivo, seriam grandes amigos.

"Nosso relacionamento era realmente diferente, você sabe", diz Prost.

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“Especialmente em comparação com o que tínhamos enquanto eu estava correndo. E eu asseguro a você que nossa relação com certeza seria muito boa se Ayrton ainda estivesse conosco. Não há dúvida sobre isso."

"As pessoas sempre gostaram do Keke [Rosberg] e do Ayrton [Senna] na época, que eram pilotos que manifestavam seu talento natural em seu estilo de pilotagem ao invés de declarações", disse Alain.

“Se você olhar para as estatísticas, você vê que Ayrton foi excepcional em classificações [65 pole positions], mas ele realmente trabalhava nisso. Eu sempre trabalhei mais no acerto de corrida, por isso há uma grande diferença. Em condições de corrida com Ayrton, nunca fui mais lento. Tínhamos apenas abordagens diferentes."

Senna o ofuscou?

Para Prost, o fato de ser lembrado como grande rival de Senna, com o brasileiro tendo mais representatividade ante ao público, não o incomoda.

"Acho que eu me preocupei com isso um pouco no passado", falou.

“Mas agora apenas soa engraçado para mim, sabe. Estou feliz de ser perguntado sobre isso, porque sempre sou perguntado sobre quem era o melhor piloto, o melhor de todos os tempos, ou o que quer que seja. Isso é ridículo, porque você não pode comparar. Em tempos diferentes, você não pode comparar os pilotos em número de títulos."

Riscos da F1

Prost também relembrou o início da década de 80, quando morrer nas pistas era algo de certa forma comum.

"Eu era muito próximo a Gilles Villeneuve," Prost recorda. "Me lembro dele dizendo para mim – e é difícil de acreditar - 'na Fórmula 1 você não se machuca'. Ele acreditava nisso porque tinha vários grandes acidentes, mas nunca teve dor física.”

"Mas eu, em apenas meu terceiro GP, em Kyalami [África do Sul], bati a direção em uma zebra e quebrei meu escafoide [osso do pulso]. Ali eu senti dor. E quando você sente a dor, é como 'oh, merda, afinal dá para se machucar na F1'. Percebi que tinha que ter cuidado".

Lembrando do acidente que encerrou a carreira do compatriota Didier Pironi da F1 nos treinos para o GP da Alemanha de 1982, quando Didier bateu em sua traseira sob forte chuva em Hockenheim, Prost disse que nunca mais encarou correr no molhado da mesma maneira.

"Depois daquele dia, decidi que com pista molhada e sem visibilidade faria como bem entendesse. Eu falei ao chefe da minha equipe [Renault], Gerard Larrousse: 'ok, você quer que eu continue? Me dê 15 minutos'. Fiquei sozinho no motorhome em Hockenheim e disse: 'Ok, não tem problema, mas a partir de hoje faço o que quiser na chuva'. As pessoas não sabiam, mas sempre fiz o que eu pensei ser razoável".

Prost chegou a desistir do chuvoso GP da Austrália de 1989 após a primeira volta por não concordar com a realização da prova.

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