MotoGP | Márquez se adaptando, Acosta espetacular e mais: os destaques dos testes de pré-temporada em Sepang

Editor global do Motorsport.com na cobertura da classe rainha da motovelocidade mundial, Oriol Puigdemont faz análise completa do que aconteceu na Malásia

Marc Marquez, Gresini Racing, Francesco Bagnaia, Equipe Ducati

Marc Marquez, Gresini Racing, Francesco Bagnaia, Equipe Ducati

Gold and Goose / Motorsport Images

Após um mercado de pilotos agitado na intertemporada da MotoGP, com movimentos 'ousados' sendo liderados pela saída do hexacampeão Marc Márquez da equipe oficial da Honda rumo à Gresini Ducati, as expectativas para os testes dos últimos dias em Sepang, na Malásia, eram altas.

E os três dias de atividades não decepcionaram, pois deram indício de que o campeonato deste ano será animado. Ainda assim, a Ducati aparentemente segue dominante, como se viu na pista e nas declarações do atual bicampeão Francesco 'Pecco' Bagnaia, piloto do time de fábrica.

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O italiano, porém, terá de ficar de olho na concorrência, uma vez que só garantiu o título de 2023 na última rodada, à qual ainda chegou ameaçado pelo espanhol Jorge Martín, da Pramac Ducati. E, em 2024, o maior astro da Espanha no grid promete ser uma ameaça, com Márquez na Gresini.

A Honda, por sua vez, deu sinais promissores antes de sua primeira temporada sem Marc em muito tempo, mas ainda tem bastante trabalho pela frente. O mesmo se pode dizer da Yamaha do campeão de 2021, o francês Fabio Quartararo. O Motorsport.com explica isso e mais abaixo:

A Ducati alcançou algo que parecia inatingível

Francesco Bagnaia, Ducati Team

Francesco Bagnaia, Equipe Ducati

Foto de: Gold and Goose / Motorsport Images

Parecia impossível há um mês que a Ducati daria outro passo significativo com a moto de 2024, mas isso pode começar a ser considerado uma realidade se levarmos em conta o que aconteceu na Malásia.

Se a Desmosedici 2023 era capaz de dominar, especialmente nas mãos de Bagnaia e Martín, a moto 2024 parece ser ainda mais equilibrada. O atual campeão está acostumado a ir de menos para mais e, desta vez, ele também fez isso, mas muito mais rápido do que o normal.

Pecco terminou a pré-temporada de Sepang em grande estilo, quebrando o recorde do circuito, que também era dele, por mais de oito décimos de segundo. Jorge veio logo atrás, a apenas dois décimos do ritmo, enquanto o companheiro e compatriota de Francesco, Enea Bastianini, completou o hat-trick. Se os long runs de Bagnaia foram impressionantes, os de Bastianini estão no mesmo nível, o que leva a crer que a marca italiana de Borgo Panigale conseguiu se superar.

Para 'melhorar', agora parece ter 'desaparecido' a vantagem que Bagnaia, Enea, Martín e o italiano Marco Bezzecchi, da VR46 Ducati, tiveram nos últimos dois anos. Assim, outros players podem se juntar à briga, como Marc e o novo companheiro de Bezzecchi, Fabio di Giannantonio, da Itália.

Márquez ainda não 'chegou lá'

Marc Marquez, Gresini Racing

Marc Marquez, Gresini Racing

Foto de: Gold and Goose / Motorsport Images

Após o teste da Malásia, no qual terminou em sexto lugar, a meio segundo do mais rápido, nem os que estavam convencidos de que Marc iria dominar o campo de batalha em uma Ducati têm tanta certeza, mas também não se deve pensar que ele está em apuros.

O fato de ele ter perdido grande parte do primeiro dia devido a quatro problemas com sua GP23 do ano passado, que o deixaram na garagem por um longo tempo, ofuscou a imagem de seu segundo contato com a moto italiana. Além disso, não tem sido fácil para o espanhol se livrar dos vícios acumulados em 11 anos de Honda, especialmente quando ele se depara com uma volta rápida.

"Não sou tão rápido quanto Pecco ou Jorge. Em uma volta rápida, ainda estou muito longe, mas estou satisfeito com o ritmo de volta a volta. Estou satisfeito porque a progressão é positiva. Não fiquei estagnado em nenhum momento, não houve retrocesso", disse Márquez, que, além de seu processo de adaptação à Desmosedici, também precisa se adaptar ao grupo humano que o cerca na Gresini.

Pedro Acosta é espetacular

Pedro Acosta, Tech3 GASGAS Factory Racing

Pedro Acosta, Tech3 GASGAS Factory Racing

Foto de: Gold and Goose / Motorsport Images

Se as credenciais do campeão mundial de Moto3 (2021) e Moto2 (2023) deixavam alguém em dúvida, a exuberância que o espanhol demonstrou no segundo circuito em que pilotou uma máquina de MotoGP deixou todo o paddock em estado de choque.

Embora seja verdade que participar do shakedown tenha lhe dado uma vantagem que muitos não tinham, sua confiança na motocicleta e a facilidade com que fez tudo acontecer fizeram com que as pessoas pensem que o jovem espanhol da GasGas Tech3 poder almejar algo grande. E pode.

Na quinta-feira, Acosta terminou em nono lugar e foi o segundo mais rápido da equipe de pilotos da KTM, com o sul-africano Brad Binder, da equipe de fábrica, conseguindo melhorar o tempo de quarta-feira nos minutos finais do teste.

"Estou chegando lá", avisou Acosta com uma poderosa mistura de entusiasmo, empolgação e puro talento, em proporções que guardam algumas semelhanças com as que acompanharam a explosiva estreia de Marc Márquez na categoria principal.

"O que Pedro está fazendo é incrível, não esperávamos isso. Sabíamos que ele seria rápido, mas provavelmente não tão rápido assim", comentou o agora reserva Pol Espargaró, também da Espanha, em papo informal com o Motorsport.com sobre seu compatriota e companheiro titular. Se uma coisa parece clara é que Acosta vai agitar as coisas na estrutura de MotoGP da KTM, na qual só Brad Binder, além do próprio Pedro, tem um lugar garantido para além de 2024.

A Honda melhorou, mas não o suficiente

Luca Marini, Repsol Honda Team

Luca Marini, Equipe Repsol Honda

Foto de: Gold and Goose / Motorsport Images

Enquanto ainda está digerindo a saída de Marc, a Honda está começando a mostrar sinais de uma leve recuperação, especialmente no caso do campeão de 2020, o espanhol Joan Mir, que é provavelmente quem mais precisa de uma melhora do antigo time dominante. A 'dieta' a que a RC213V foi submetida, que fez com que ela perdesse mais de oito quilos, permitiu que a marca desse um passo à frente, baseado no motor mais do que em qualquer outro componente.

No entanto, o caminho a seguir ainda é longo e difícil, como diz o recém-chegado Luca Marini, italiano ex-VR46 que substitui Márquez. Sua experiência não foi das melhores, já que ele não foi rápido em uma volta -- terminou em 19º no combinado -- e também não teve grande ritmo no long run. Este ponto foi particularmente dramático quando o desempenho dos pneus começou a 'cair' e a motocicleta se tornou mais instável.

Assim, o otimismo com o qual o meio-irmão do heptacampeão Valentino Rossi começou o teste foi se esvaindo com o passar das horas, enquanto seu vizinho de garagem -- 10º na classificação geral dos três dias -- começou a sentir um desconforto 'apenas' moderado. "No ano passado, sofri muito, e é por isso que não quero ter muitas esperanças. Mas agora a sensação é diferente", repetiu Mir várias vezes.

Marini, por sua vez, está passando pela mesma situação que Márquez, mas ao contrário: "Ainda estou pilotando a Honda como se fosse uma Ducati. E isso, especialmente com a roda traseira na frenagem e na entrada da curva, tem grande influência."

A Honda fez progressos com o motor, mas isso não significa que os problemas de falta de tração tenham ficado para trás. A esse respeito, resta saber que efeito a contratação do cofundador da Kalex, Alex Baumgartel, terá sobre o chassi. 

A Yamaha precisa de um tempo que não tem

Fabio Quartararo, Yamaha Factory Racing

Fabio Quartararo, Yamaha Factory Racing

Foto de: Gold and Goose / Motorsport Images

Os avisos de Quartararo ao longo do ano passado surtiram efeito, pelo menos em termos de investimento e recrutamento. As contratações de Max Bartolini (diretor técnico) e Marco Nicotra (aerodinâmica), ambos da Ducati, levaram a Yamaha a mudar seu modus operandi. Até pouco tempo atrás, qualquer novo elemento aerodinâmico tinha que ser aprovado, projetado e testado no Japão antes de ser instalado na M1.

Agora, a colaboração com empresas como a Dallara permite testar componentes e descartá-los, consumindo muito menos tempo. Fabio agora tem a companhia do espanhol Álex Rins, ex-Honda LCR. Com o ibérico ex-Suzuki, a comunicação parece ser bem melhor do que era com o ítalo-brasileiro Franco Morbidelli, que foi para a Pramac Ducati na vaga de Johann Zarco após ser dispensado da Yamaha -- o francês, por seu lado, assumiu a moto que era de Rins na LCR.

Ainda assim, ultrapassar segue difícil para a Yamaha. "Estou feliz com o trabalho, com a mudança na metodologia. Mas estamos longe de uma volta rápida. E ter que largar na parte de trás nos condena", disse Quartararo ao Motorsport.com.

O francês terminou em 11º no geral, oito décimos atrás de Bagnaia e quase quatro décimos à frente de Rins (16º, 1s2 atrás de Pecco). Álex ainda está tentando se adaptar a uma Yamaha que, para seu gosto, concentra muito peso na dianteira e faz com que a traseira se mova na frenagem.

A Aprilia é 'só Espargaró'

Aleix Espargaro, Aprilia Racing Team

Aleix Espargaro, Equipe Aprilia Racing

Foto de: Gold and Goose / Motorsport Images

Agora, mais do que nunca, a Aprilia parece girar em torno do veterano espanhol Aleix Espargaró, o membro mais sênior do grid e provavelmente também o mais sólido dos pilotos que não são da Ducati.

A empresa sediada em Noale redobrou seu compromisso com a MotoGP nos últimos anos, especialmente com a chegada de Massimo Rivola, e a RS-GP subiu na hierarquia muito rapidamente. Se o testemunho do mais velho dos irmãos Espargarò servir de referência, a motocicleta de 2024 representa um salto considerável de qualidade em comparação com a versão anterior.

O piloto do número 41 terminou em quinto lugar -- sua melhor volta foi quatro décimos de segundo abaixo do ritmo -- e a simulação de corrida que ele fez foi quase igual à de Bagnaia. Mas o contraponto, que não é pequeno para a Aprilia, é a diferença brutal entre Aleix e o resto de seus colegas da Aprilia. Na quinta-feira, o espanhol Maverick Viñales foi o 12º, oito décimos atrás de Bagnaia e quatro décimos atrás de seu vizinho de garagem.

As sensações de Viñales com a moto não são nem de longe tão boas quanto as de Espargaró, sem mencionar as de Miguel Oliveira (17º geral), o piloto português da equipe cliente Trackhouse, que também tem a mais recente especificação RS-GP.

Maverick explicou: "A moto anda comigo em vez de eu andar com a moto. Recentemente, corremos aqui e eu tinha a moto sob controle. Isso não acontece comigo com a moto de 2024, mas prefiro estar sofrendo agora no teste e depois que a corrida seja melhor".

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