ANÁLISE: Entenda as principais questões sobre a batida na relargada do GP da Toscana

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ANÁLISE: Entenda as principais questões sobre a batida na relargada do GP da Toscana
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Entenda o que o regulamento da F1 diz sobre os principais pontos de debate que surgiram a partir do acidente em Mugello

A batida causada na saída do safety car levou à primeira bandeira vermelha no GP da Toscana de Fórmula 1, com Carlos Sainz, Kevin Magnussen, Antonio Giovinazzi e Nicholas Latifi abandonando, felizmente sem nenhuma consequência séria para os envolvidos.

Mas o que causou o acidente? De quem foi a culpa? Vamos analisar algumas das questões que surgiram a partir desse debate.

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Quais são as regras envolvendo o safety car?

As regras envolvendo o uso do safety car na F1 foram desenvolvidas e refinadas ao longo dos últimos 25 anos. A seção do regulamento esportivo de 2020 que fala sobre relargadas, e que foi citada pela direção de prova quando 12 pilotos levaram uma advertência é o Artigo 39.13.

Há quatro fases no processo de notificação da relargada, como explicado pelo diretor de prova Michael Masi.

"A primeira fase é que alertamos todas as equipes pelo sistema de mensagens, que também é visto nos gráficos, sobre a entrada do safety car no final da volta. Portanto, todas as equipes podem se preparar para alertar seus pilotos".

"A partir daí, o próximo ponto é que, em um ponto pré-determinado de cada circuito, as placas do safety car são retiradas, enquanto as bandeiras amarelas seguem. Quando o safety car está fora do circuito, as bandeiras amarelas são retiradas e a bandeira verde passa a ser exibida".

Quando os pilotos podem ultrapassar novamente?

Uma parte crítica do texto é que os pilotos não podem ultrapassar o safety car até que ele chegue na entrada dos boxes, o que é conhecido como "Linha 1 do Safety Car". A regra diz: "Quando o safety car está voltando aos boxes, ele pode ser ultrapassado pelos carros na pista apenas após atingir a Linha 1".

Até poucos anos atrás, os pilotos podiam começar a correr e fazer ultrapassagens entre si já na Linha 1. Porém, isso foi mudado para a linha de controle, o ponto oficial de cronometragem do circuito. Então ele se torna uma largada lançada a partir do grid, em vez da última curva como era antes, mas sem ultrapassagens até que os carros cruzem a linha.

Masi deixou claro após a corrida que, como procedimento padrão, os pilotos foram relembrados de suas responsabilidades em Mugello.

"Os pilotos foram relembrados na reunião da sexta. Há dois pontos chaves que eles foram relembrados. O primeiro é garantir que eles não ultrapassem o safety car antes da Linha 1 na entrada dos boxes. A segunda é que, e isso é particular desse circuito, a linha de controle é localizada próxima da saída do pit lane".

The Safety Car Lewis Hamilton, Mercedes F1 W11, and Valtteri Bottas, Mercedes F1 W11

The Safety Car Lewis Hamilton, Mercedes F1 W11, and Valtteri Bottas, Mercedes F1 W11

Photo by: Charles Coates / Motorsport Images

O traçado de Mugello contribuiu?

Masi reconheceu que a longa reta de Mugello e a localização relativamente tardia da linha de controle teve um papel chave nas circunstâncias do acidente, em parte porque o líder Bottas sabia que ele estaria vulnerável aos ataques de Hamilton caso o britânico tivesse uma boa posição.

Retardar ao máximo a aceleração reduzia a possibilidade disso acontecer.

"Tivemos situações similares em Baku. É uma reta tão grande, até a linha de controle, com o líder tendo que ditar o ritmo, mantendo uma baixa velocidade e tentando evitar um ataque dos carros atrás".

Ele acrescentou: "Acho que foi uma combinação de fatores. Mas, sem dúvidas, a longa reta contribuiu para isso. Mas, no fim do dia, você corre até a chegada. Todos os pilotos estavam bem cientes que não é permitido ultrapassar antes da linha de controle. E não é um regulamento novo".

As luzes do safety car apagaram-se tarde demais?

Uma crítica que surgiu rapidamente dos pilotos, incluindo o vencedor Lewis Hamilton é que as luzes do safety car se apagaram muito tarde, dando aos pilotos pouco tempo de reação antes da relargada.

"Não é culpa de Valtteri", disse Hamilton. "É de quem toma a decisão. Não sei quem. Eles estão tentando tornar as coisas mais animadas, mas hoje vimos que isso colocou as pessoas em risco. Então isso precisa ser repensado".

"As luzes do safety car estão sendo apagadas cada vez mais tarde, e estamos lutando por posições. Especialmente quando você conquista uma posição como fez Valtteri, assumindo a ponta. Eles estão tentando tornar o show mais animador, mas hoje passou dos limites. Valtteri fez apenas o que qualquer um faria".

Porém, o regulamento não especifica o momento específico para que as luzes sejam apagadas, e é esperado que os pilotos usem sua experiência em qualquer circunstância. Masi descartou na hora qualquer sugestão dos pilotos de que as luzes haviam sido apagadas tarde demais.

"É simples, eles podem criticar o quanto quiserem. Se fizermos uma análise da distância de onde as luzes foram apagadas para a linha de controle, a distância deve ter sido ainda maior que outras pistas".

"As luzes do safety car são apagadas onde elas tem que ser apagadas, quando o safety car está indo para o pit lane. Temos os 20 melhores pilotos do mundo. E como vimos mais cedo hoje, na corrida da F3, os pilotos na categoria júnior tiveram uma relargada muito similar à da F1, e se saíram bem, sem incidentes".

The Safety Car Lewis Hamilton, Mercedes F1 W11

The Safety Car Lewis Hamilton, Mercedes F1 W11

Photo by: Mark Sutton / Motorsport Images

Bottas tem culpa por estar muito lento?

O regulamento é claro: o líder é o responsável pelo ritmo, sendo ele quem tomará a decisão pela reaceleração.

Isso foi reconhecido formalmente pela direção de prova no domingo. Em sua decisão de dar uma advertência a 12 pilotos, eles escreveram que "o piloto do Carro 77 [Valtteri Bottas] e os outros pilotos envolvidos na relargada não mencionados acima seguiram o regulamento. O Carro 77 tinha o direito de ditar o ritmo de acordo com o regulamento".

Bottas destacou que ele estava fazendo apenas o que qualquer líder teria feito, e, como sugerido por Hamilton, destacou que as luzes do safety car foram apagadas muito tarde.

"Nós temos a permissão de correr a partir da linha de controle, algo que já existe há algum tempo, acredito. A diferença nesse ano é o safety car, eles estão apagando as luzes muito tarde, então você só consegue construir uma diferença no final".

"Então, logicamente quando você está na liderança, tenta maximizar suas chances e eu não sou o culpado por isso. Eu estava com uma velocidade consistente antes de acelerar. Sim, eu retardei, mas começamos a correr na linha de controle, não antes disso".

"Então o pessoal atrás que bateu, eles podem olhar no espelho. Não há porque ficar reclamando disso. Eu não sei quem está decidindo o que acontece com os safety cars, mas eles estão tentando criar um show melhor ao apagar as luzes mais tarde, então não conseguimos abrir uma vantagem antes".

Albon, que estava em quarto na relargada, defendeu Bottas.

"Quando você coloca a linha de controle tão longe e quando você apaga as luzes tarde, é óbvio onde que Valtteri vai começar a acelerar. Ele vai retardar ao máximo a aceleração, e eu imagino que o pelotão do meio sabia o que ele faria".

Carlos Sainz Jr., McLaren MCL35, and Kevin Magnussen, Haas VF-20, climb out of their damaged cars after crashing out

Carlos Sainz Jr., McLaren MCL35, and Kevin Magnussen, Haas VF-20, climb out of their damaged cars after crashing out

Photo by: Glenn Dunbar / Motorsport Images

Por que os pilotos receberam uma advertência?

Apenas três pilotos foram convocados pela direção de prova: Kevin Magnussen, Daniil Kvyat e Nicholas Latifi. Porém, quando a decisão deles foi divulgada, a lista de pilotos que haviam recebido uma advertência contava com 12 nomes.

Os fiscais citaram o Artigo 39.13 e concluíram que "a raiz desse incidente foi a aplicação inconsistente do freio e da aceleração, da última curva até a reta dos boxes, pelos pilotos citados acima".

"Os fiscais reconhecem os desafios da localização da linha de controle e o que isso representa neste circuito, além do desejo dos pilotos de aproveitar a relargada".

"Porém, esse incidente demonstra a necessidade de cautela e como ela precisa ser exercida na relargada e nota que houve um grande efeito cortina que aumentou com a passagem do pelotão".

Eles acrescentaram: "Também notamos que alguns pilotos teriam evitado estar envolvidos com o incidente se tivessem seguido diretamente atrás do carro da frente. Ao fazer isso, eles efetivamente bloquearam a visibilidade com relação ao que acontecia na frente".

Os 12 pilotos receberam apenas uma reprimenda porque "na visão da direção de prova, não houve um piloto que merece ser culpado".

Os únicos que escaparam da sanção foram Bottas, Hamilton e Charles Leclerc, que estavam na frente, além dos três pilotos que estavam no fundo, Romain Grosjean, Kimi Raikkonen e Sebastian Vettel.

De sua posição, Vettel fez uma observação interessante: "Eu acho que estava em último naquele momento, atrás de Kimi. Eu não vi exatamente o que levou a isso, mas, mesmo para mim, foi algo meio errático em termos de aceleração, frenagem, aceleração e finalmente mais aceleração, enquanto os demais estavam freando".

"Havia uma grande diferença porque Kimi estava bem atrás do carro na frente, e isso acabou sendo melhor para nós dois".

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Categoria Fórmula 1
Evento GP da Toscana
Autor Adam Cooper